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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Lady Bird é o filme que queria ver no Oscar

Lady Bird é o filme que queria ver no Oscar
Possivelmente a primeira coisa que passa pela nossa cabeça quando falamos em cinema são histórias fantásticas, talvez de super-heróis e coisas extraordinárias. Se o assunto for indicados ao Oscar, nossa imaginação fica ainda mais pronta pra falar de grandes produções, roteiros fortes e projetos cheios de ambição. É claro que isso tudo faz parte desse universo, mas pode ser que a gente acabe esquecendo que o cinema também o espaço pra contar histórias comuns, de gente como eu e você. Esse foi o encantamento que senti quando assisti Lady Bird. De que aquela era uma história que misturava algo que gostaria de ter sido com algo que eu também era na minha adolescência.


Esse é um filmes indicado a Melhor Filme no Oscar desse ano, que nos conta a história de Lady Bird, uma adolescente que vive em Sacramento, Califórnia - e que têm uma vontade enorme de conquistar o mundo. Estamos falando daquela fase de descobertas, que a gente não sabe muito bem o que quer da vida e que estamos prontos pra colocar todos os nossos planos em prática, já que dentro da nossa cabeça o mundo está ali só esperando pra ser conquistado, mesmo que isso nos dê um medo danado. O mais lindo da coisa toda, é que esse é filme criado por mulheres, retratando a vida de uma garota. Quantas vezes vimos isso acontecer no cinema? Um longa falando de uma vida comum, sem intrigas, dramas femininos e garotas brigando por causa de garotos, conversando com meninas como nós.


Em muitos momentos eu senti uma identificação enorme com ela, pensando nos meus anos de adolescente. Eu entendia as motivações dela em querer mudar de vida, de querer conhecer o mundo. Das dificuldades financeiras, de não entender o seu lugar e o seu papel na sociedade. De questionar nossas crenças, do desajuste nas relações familiares dessa fase. Das amizades entre meninas e da incógnita entre meninos. Do peso das escolhas por não entender exatamente o que elas significam.

A verdade é que não há um grande plot por trás de Lady Bird e essa é a maior conquista o filme tem a nos oferecer. Eu acho que de alguma forma a gente pensou que não fosse permitido contar as nossas histórias, a menos que houvesse um contexto de dor, sofrimento ou superação. Afinal, é assim que é ser mulher nesse mundo: difícil. Porque até então nós nunca pudemos falar sobre o ordinário, como se a vida por si só já não fosse obstáculo suficiente e complicada pra caramba partindo apenas do básico, mesmo. Quando a gente aprendeu que histórias de mulheres deveriam ser contadas, tudo o que queríamos transmitir era a ideia de que olha, apesar de tudo isso que essa mulher viveu, ela venceu, com o intuito de inspirarmos umas as outras. E sabe, isso é muito importante, de verdade, mas a gente esqueceu todas as histórias merecem ser contadas.

Greta Gerwing e Saiorse Ronan (de quem tenho orgulho em saber pronunciar o nome) trabalhando juntas no set

Greta Gerwing, a diretora e roteirista do filme, passou anos trabalhando nessa história enquanto trabalhava em outras produções tão importantes quanto, seja atuando ou colaborando com roteiro e outros projetos por trás das câmeras. Por causa disso, ela consegue nos transmitir algo tão genuíno, tão verdadeiro, tão a gente em alguma fase da nossa vida, que não consigo apontar um momento em que pensei não estar vendo algo real. De certa forma, estamos vendo uma mulher falar sobre a vida dela também, de um ponto de vista que talvez só a gente entenda como é.

Exatamente por isso que é tão incrível ver a produção em categorias importantes no Oscar desse ano - com indicações para Melhor Filme, Roteiro Original, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção - em que Greta é a quinta mulher a ser indicada na categoria desde a primeira edição. Não que seja esperado que o longa vença, mas o reconhecimento da premiação mais importante do cinema é a grande conquista, que abre portas e traz a oportunidade de que histórias como essa continuem a ser contadas. E por tudo isso, Lady Bird era o filme que queria ver no Oscar.


Sandy Quintans
@sandyquintans

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Uma história de amor que envolve a trilha sonora de Quase Famosos

Uma história de amor que envolve a trilha sonora de Quase Famosos
Esses dias estava lembrando de uma coluna que eu tinha no blog Backbeat, da minha amiga Izadora Pimenta, em que falava de trilhas sonoras maravilhosas (segundo o meu próprio conceito de maravilha, né). Naquela época tava no comecinho da faculdade de jornalismo e procurava formas de praticar a escrita, quando soube que a Iza queria colaboradores pra falar de música. Fiquei quase uma semana pensando no que poderia fazer - que misturasse algo que eu tivesse afinidade, mas que também fosse diferente do que eu já escrevia aqui - quando surgiu a ideia de falar sobre trilhas sonoras. Uma das coisas mais legais desse projeto é que eu pude criar alguns dos textos que são os meu preferidos e dos quais eu me orgulho de ter produzido. Foi relembrando dessas coisas que me dei conta de nunca escrevi nada sobre umas das minhas trilhas favoritas, que é Quase Famosos. Então, sim, esse texto vem cheio de nostalgia, pode apostar.


Eu demorei alguns anos pra assisti-lo e lembro que foi bem numa fase minha de ficar explorando a locadora de cabo a rabo tentando ver de tudo e querendo recuperar o tempo que passei não existindo. Quando terminei de ver minha cabeça estava fervendo, de um jeito bom, e senti que eu nunca mais seria a mesma. (É claro que isso é um completo exagero, mas sim, foi transformador). A parte mais curiosa é que apesar de ser um filme muito conhecido e ter um bando de  fãs mundo afora, é também pouco reconhecido pelo grande público e sempre que converso com alguém sobre, boa parte olha pra mim com cara de desculpa, mas não sei do que você está falando. E tudo bem.


Então pra você que também não sabe do que estou falando, vamos trazer um rápido resumo deste clássico saído do início deste século: o filme conta a história de William Miller, um adolescente de 15 anos, que tem a ambição de ser um jornalista especializado em música e ganha uma estranha oportunidade de acompanhar a turnê de uma banda em ascensão. Tudo isso em plena década de 1970, naquela construção do rock n' roll que a gente escuta até hoje. Agora um fato curioso sobre a história, é que o roteiro é um híbrido de realidade com ficção, porque foi baseado na vida do diretor do filme, Cameron Crowe - que também é responsável por Say Anything, Elizabethtown e Jerry Maguire. Ele também começou a escrever com 15 anos sobre música, acompanhou turnês de bandas incríveis, como o Led Zeppelin e é colaborador da Rolling Stone até hoje.


É por isso também que a trilha sonora é um personagem indissociável da história. Se eu pudesse resumir a beleza dos dois universos nesse filme, da música e do cinema, eu diria que é em uma das primeiras cenas, em que a irmã do William está tendo uma discussão com a mãe deles - uma mulher conservadora e que luta pra criar os filhos sozinha -, quando resolve que vai sair de casa pra viver com o namorado. E sabendo que a mãe deles nunca iria entendê-la, ela coloca pra tocar America, de Simon & Garfunkel, para explicar sua decisão. Eu já ouvia Simon & Garfunkel nessa fase da minha vida, mas depois disso eu fiquei obcecada, principalmente por America que é uma músicas mais bonitas do universo pra mim.


Descontente em ter apenas um momento icônico no filme, Cameron Crowe ainda cria a famosa cena do ônibus, que eternizou Tiny Dancer, de Elton John. Depois de um momento de desentendimento da banda, naquela turnê louca que estamos acompanhando, eles retomam a estrada no meio daquele clima pesado. Até que Tiny Dancer começa a tocar e pra eles aquela é uma música que não dá pra ignorar. Quando chega no refrão, todo mundo já foi contagiado e cantam juntos, deixando os problemas de lado por algo que todos têm em comum naquele momento. Eu aposto que você conhece a mágica que é cantar junto com alguém ao mesmo tempo. 


Mas não é só de Elton John e Simon & Garfunkel que a trilha sonora é composta (embora pudesse com tranquilidade, já que Cameron Crowe é mestre em tirar um Elton John da cartola sempre que necessário em seus filmes). Como dá pra imaginar tem muita coisa boa e que é cara da década de 1970 e da nossa concepção romântica do que é o rock. Como Led Zeppelin - principalmente o lado mais countryzinho que eu adoro -, The Who, Lynyrd Skynyrd, The Velvet Underground, Black Sabbath, Deep Purple, Jimi Hendrix, Iggy Pop. Também tem espaço pra rainha Joni Mitchel, Rod Stewart, Neil Young e outras milhares de coisas que poderia ficar descrevendo aqui até amanhã. Tudo isso, sem contar a banda fictícia que a gente acompanha no filme, Stillwater, que tem músicas muito boas e já até ouvi tocando por aí. Por isso, vou deixar o play aqui pra você acompanhar:



No final, eu acho que a beleza de Quase Famosos não está apenas na temática, no roteiro interessante ou no rock n' roll (ou a oportunidade perfeita pra exaltar toda a beleza de Kate Hudson), mas também por ser um filme sobre viagem, descobertas e desilusões. É também uma daquelas histórias cheias de camadas, que a cada vez que você assiste novamente descobre uma coisa diferente, um lado novo. E eu acho que conforme os anos passam, o roteiro conversa com uma parte nova da gente e a cada vez acontece uma identificação com um personagem. Deve ser por isso que ele é sempre citado entre as minhas listas de filmes favoritos e a trilha sonora é frequente alternativa pra quando estou em busca de inspiração e quentinho no coração.



Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 29 de julho de 2017

Eu não consigo parar de falar sobre Baby Driver

Eu não consigo parar de falar sobre Baby Driver
Quando eu assisti Baby Driver por aqui (estreando como Em ritmo de fuga, no Brasil), eu queria muito sentar o quanto antes e falar sobre esse filme em todos os lugares possíveis, de tanta empolgação que eu tive saindo da sessão. Foi uma decepção perceber que ainda não estava passando no Brasil, ainda mais considerando que grande parte dos filmes tem chegado simultaneamente em todos os lugares. Por isso, resolvi esperar um pouco pra incluir esse post aqui no P!, o que foi bom pelo lado de que mesmo depois de semanas, continuei muito empolgada a respeito dele. 


O pessoal que costuma acompanhar canais de criticas de cinema deve ter percebido que 90% deles estão falando sobre a estreia de Baby Driver aí no Brasil, sendo que todo mundo está comentando muito bem sobre. É chato criar tantas expectativas em torno de algo, mas é que esse é um daqueles filmes que tem tudo pra entrar na lista de preferidos do ano, quem sabe até da vida. Com ressalvas ou sem, muitos dos críticos tem colocado o longa de Edgar Wright como uma aula de cinema e edição.


A verdade é que Baby Driver não é pra críticos - apesar de ser sido bem recebido por eles -, mas um filme pra todo mundo, passando por várias faixas etárias até gostos completamente distintos. O longa em si é considerado de ação, porém ele mistura um pouco de aventura, com romance e muita comédia. Ele não se leva a sério completamente, o que dá o tom certo pra loucura dessa sinopse. 

Baby é um jovem piloto de fugas que tem um talento incrível, mas que não possui muita coisa em comum com o mundo do crime. O segredo pro sucesso é que ele é tem uma deficiência auditiva, que faz com que escute o música o tempo inteiro, dando ritmo a tudo que faz - inclusive, dirigir impressionantemente bem. No meio desse mundo de assaltos, a gente vai conhecendo uma gama de personagens bem construídos, aqui e ali, que só vai enriquecendo o filme.


Justamente por Baby ser completamente ligado em música, o filme é editado dessa forma. Por isso, digo sem medo, que a trilha sonora é personagem imprescindível pro sucesso do longa. Em entrevistas para a divulgação, Edgar Wright, que além de diretor também é roteirista, explicou que só escrevia a cena quanto tinha a música perfeita em mãos pra ela. O que traz uma ideia não muito comum para o cinema de construir a trilha sonora (que você pode dar o play aí embaixo) antes mesmo do roteiro completo. Não é maravilhoso?



Outro acerto dessa loucura que é Baby Driver é o elenco - que foi o que me chamou atenção pra ir conferir esse filme, sem nem ao menos saber sobre a sinopse. Ansel Elgort, que fez um sucesso danado em A culpa é das estrelas, é quem interpreta Baby no filme. O que dá muito certo, porque Ansel é completamente carismático e tem tudo a ver com o personagem. Daí pra completar, temos Kevin Spacey, Jamie Foxx, Jon Hamm e Lily James (que resolveu sair dos filmes de épocas e arrasou) pra completar a cereja do bolo. Acho que não preciso dizer mais sobre isso. 

Como vocês devem ter notado, poderia passar horas falando sobre Baby Driver, mas não quero entregar nenhum spoiler, nem estragar a experiência de ninguém com tantas expectativas. Mas é inegável que o filme tem tudo pra entrar na lista de melhores do ano e pra agradar os mais variados públicos. É aposta certeira pra quem quer investir num ingresso de cinema esse final de semana.



Sandy Quintans
@sandyquintans

sexta-feira, 31 de março de 2017

Os casais mais tristes do cinema, por Alejandro Giraldo

Os casais mais tristes do cinema, por Alejandro Giraldo
Quando encontrei essas ilustrações maravilhosas do Alejandro Giraldo no Pinterest percebi que sou aficionada por casais tristes no cinema, porque a grande maioria deles faziam parte da lista dos meus filmes preferidos. Foi por meio desse projeto pessoal do artista que descobri outros trabalhos incríveis que ele montou e estou cada vez mais apaixonada por todos. Fiquei mais animada ainda quando descobri que ele era de Medellín, Colombia, porque é maravilhoso encontrar artistas aqui da nossa área (ainda mais um que nos entende tão bem, né?)


Pra quem quiser conhecer mais sobre ele, ou comprar alguma das maravilhosas ilustrações do Alejandro, é só acessar o site dele aqui. 


Sandy Quintans
@sandyquintans 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Sing Street e a década de 80

Sing Street e a década de 80
Sabe aqueles filmes que te fazem viajar no tempo? É exatamente isso que Sing Street faz, te transporta para áurea década de 1980. Portanto, se você ama essa época esse é o seu filme, mas se não for, deveria assistir pra começar a amar. Essa foi uma das coisas mais legais que assisti ano passado e acho que passei um mês só ouvindo músicas dos anos 80 porque foi extremamente contagiante. 


Conor é um garoto comum que um belo dia encontra uma das meninas mais bonitas que já viu na vida e decide impressioná-la dizendo que tem uma banda e a convida pra um vídeo clipe. O único problema é que não existe banda alguma, só um detalhe. Assim nasce a aventura musical de Conor pela criativa década de 1980. O legal é que no decorrer do filme a gente encontra um pouco de tudo que tava acontecendo naquele período, tanto na música quanto na moda.


Outra coisa legal, e que eu não sabia quando fui ver, é que o filme é irlandês e se passa em Dublin. Então essa também pode ser uma oportunidade pra conhecer um pouquinho mais sobre aqui. Além disso, o filme é de John Carney, mesmo diretor do maravilhoso “Apenas uma vez” (outro filme irlandês maravilhoso e possivelmente o meu primeiro contato que tive com o país) e o incrível “Mesmo se nada der certo”. Basicamente, é algo que não tem como dar errado. Justamente por ser um filme todo musical, a trilha sonora é sensacional, tanto as músicas da década quanto as originais. Inclusive, alguns críticos chegaram a chamar de “trilha sonora de 2016”.


Por ter o espírito da década tão forte, a história é bem típica do período e tem aquela inocência que a gente vê nas músicas e na moda. Por isso, além de ser uma viagem no tempo, também é um daqueles filmes deliciosos pra assistir num domingo a tarde. Coisa pra alegrar a vida, sabe?


Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 22 de março de 2017

Cinepiano em Campinas - "Metrópolis"

Cinepiano em Campinas - "Metrópolis"
O filme “Metrópolis”, clássicoexpressionista deFritz Lang, ganhará trilha sonora ao vivo do CINEPIANOTony Berchmans no Teatro Castro Mendes (Campinas), dia 24/03 às 20h30. Será a primeira vez que o pianista acompanhará o filme na cidade.

A projeção do clássico será feita em película 16mm, como nos primórdios do cinema, e Tony Berchmans irá improvisar uma trilha sonora original ao piano, utilizando temas de sua autoria em intenso sincronismo com a ação e com a narrativa emocional do filme.
Imperdível!


Metrópolis
Na verdade, o cinema nunca foi mudo. Quase sempre as projeções cinematográficas deste período eram acompanhadas por música executada ao vivo.O CINEPIANO Tony Berchmans é uma experiência audiovisual única na apresentação de grandes clássicos do cinema. Ao piano, Berchmans improvisa a trilha sonora musical ao vivo, utilizando temas de sua autoria e excertos de música folclórica ou clássica, sempre em intenso diálogo com a narrativa dos filmes.A técnica de acompanhamento musical de Berchmans representa uma nova forma de se assistir a antigos clássicos. A música narra as cenas com precisão e, na falta dos diálogos e sons, ela ajuda a contar a história, estabelecendo andamentos, climas emocionais, ambientações dramáticas e pontuações cômicas.


SOBRE O EVENTO:
CINEPIANO Tony Berchmans no Teatro Castro Mendes (Campinas)
Sexta, 24/03, às 20h30
Filme: Metrópolis (1927) dir. Fritz Lang
Duração: 94 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Endereço: Rua Conselheiro Gomide, 62 - Vila Industrial, Campinas-SP
Telefone: (19) 3272-9359
Entrada: R$30 inteira / R$15 meia (ingressos disponíveis na bilheteria do teatro)
Helen Quintans
@helenquintans

sexta-feira, 10 de março de 2017

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico
Fazia um tempo que eu não encontrava um filme que me fizesse um carinho no coração. Sabe quando você termina de assistir e dá uma suspirada de alegria? Foi exatamente essa sensação que eu tive quando vi Capitão Fantástico no fim do ano passado. Confesso que ele entrou na minha lista interminável de filmes repetidos, pois já assisti algumas vezes desde então e é sempre uma experiência nova.


O tal Capitão Fantástico se refere ao personagem de Viggo Mortensen (indicado ao Oscar pelo papel, inclusive), que é pai de seis filhos e dedica a vida para torná-los pessoas extraordinárias. Basicamente, eles vivem no meio da selva e passam por uma série de treinamentos físicos (eles até aprendem a caçar pra sobreviver!) e mentais (estudam absolutamente tudo que já foi escrito pelo homem). É uma ideia louca, mas muito interessante. São crianças extremamente inteligentes, mas ao mesmo tempo super inocentes por viverem em uma floresta, o que acaba gerando um monte de situações super engraçadas.


Algumas pessoas definem o filme como a mistura de Pequena Miss Sunshine e Na Natureza Selvagem e é realmente esse clima que o filme tem. As crianças são todas incríveis e o entrosamento delas é tão legal que já vale as duas horas de história. Sem contar que também levanta questionamentos interessantes sobre educação e as relações familiares. 


Eu não quero ficar falando da trama porque acho que saber demais acaba estragando um pouco a experiência. Acho que até por isso que gostei tanto. É um filme que tem de tudo um pouco e com roteiro e personagens muito bem desenvolvidos, cheios de críticas interessantes, mas que também tem espaço pra emoção. Assistam, sério ♥



Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 4 de março de 2017

Porque a premiação de Moonlight é tão importante

Porque a premiação de Moonlight é tão importante
Eu sei que alguns dias se passaram desde a premiação do Oscar de Melhor Filme para Moonlight e que provavelmente você já leu textos maravilhosos sobre esse êxito. Normalmente, eu iria aceitar que tudo o que foi falado pela internet a fora é o suficiente, mas quando se trata de um filme como esse, nunca é. Precisamos falar e debater sobre a importância de Moonlight, pra que histórias assim nunca deixem de serem contadas. Eu nunca vou achar que é suficiente.


Nas semanas pré-Oscar surgiu uma rixa na internet, igual discussão de partido político, entre pessoas a favor de La La Land e de pessoas maravilhadas com Moonlight. Eu achava uma discussão meio chata porque eu fazia parte das pessoas que amaram os dois filmes. Isso é justificado porque eu conheci histórias como a do Shiron e La La Land era um filme que eu sempre quis assistir e não sabia. O filme de Damien Chazelle é uma homenagem maravilhosa ao universo do cinema, que encheu o coração de alegria daqueles que como eu amam o cinema. Fala sobre possibilidades, sonhos e ainda é musical. Além de reunir dois dos melhores atores da nossa geração, se entregando de corpo e alma pra uma história linda. 

Em um vídeo do youtube eu achei um comentário que resumia muito bem toda a questão entre o público dos dois filmes, que dizia que La La Land era a história sobre quem tinha oportunidades enquanto que Moonlight era sobre quem era privado delas. Sim, é verdade. Apesar de ser em sentidos completamente diferentes, acho que as duas histórias podem trazer contextos quase universais. Afinal, todos nós temos sonhos e também a grande maioria sabe o que é uma história que trata sobre a falta de oportunidades – ainda mais se tratando de um país de desigualdades como o Brasil.  


Mas também somos o lugar que mais mata LGBTs no mundo e passamos a ficar conhecidos por isso. A Ellen Page dedicou um episódio inteiro do Gaycation pra tratar dos problemas no Brasil. Não há o que ser discutido nisso. Eu te pergunto: quantos filmes LGBTs vocês já viram ganhar o Oscar? E quantos com elenco exclusivamente negro? Pois é.

Quando eu perguntei pra uma das pessoas mais incríveis da minha vida como ele havia se sentido em relação a premiação do Oscar pra Moonlight, sendo ele negro e gay, me respondeu: "Ser e ver a representação da minoria da minoria na premiação é vencer e ter a sensação de que apesar de  exclusos, também somos gente". Eu lembro de ter assistido Moonlight pensando o tempo todo nesse meu grande amigo, porque era isso que eu queria que ele visse. Eu que sempre escuto as histórias dele, de luta e das dificuldades em relação a representatividade e identidade. Talvez seja muito complicado pra uma parte da população entender o que é não se sentir representado e como é ser afetado por achar que não existe, pelo fato de não se ver em nenhum lugar.


O mais rico de tudo, é que Moonlight não é apenas pioneiro com a temática, mas em diversos outros aspectos que fogem um pouco dos ganhadores que vimos nesses últimos anos. É um filme de orçamento relativamente baixo perto do que Hollywood costuma produzir (se quiser realmente saber o que é um filme de baixo orçamento e sem recursos, sugiro que pergunte pra Helen). Também é uma história com o roteiro mais aberto que permite interpretação. Basicamente, Hollywood premiou um filme que te possibilita pensar e isso é extremamente importante. Como a Lully bem colocou nesse vídeo maravilhoso, filmes do Oscar normalmente são filmes completamente mastigados e que não te permite reflexão. Com roteiro bem amarradinho, sabe? 

Se você me perguntasse quem iria ganhar o Oscar de Melhor Filme em 2017, eu não saberia te responder. Iria te dizer que ficaria feliz se Moonlight ganhasse, mas que achava improvável por ser independente demais pra uma premiação como essa, poético e totalmente atípico do perfil de filmes ganhadores. E também iria te dizer que provavelmente La La Land seria o ganhador da noite, mas que acharia injusto. Por mais que eu o ame imensamente, ele não precisa desse prêmio. Afinal, Hollywood não precisa de mais um prêmio pra exaltar e enaltecer sua própria grandeza. 


Links maravilhosos pra gente espalhar Moonlight pela internet afora


Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Cinematura - Trilhas

Cinematura - Trilhas
Em agosto estava escrevendo no meu Medium o quanto a história de mulheres me transformavam e me encorajavam a ser mais forte. Eu também já comentei muito isso aqui, pois ouvi-las me emponderava de uma forma que algo com protagonistas masculinos nunca foi capaz de me oferecer – com raras exceções.  Também foi seguindo nesta linha que escrevi a lista de jornadas incríveis. E esse foi o caminho que percorri pra chegar até o Cinematura de hoje, com o maravilhoso Trilhas, de Robyn Davidson.


Essa história de certa forma já passou de diversas formas por aqui, mas por alguma razão ainda não havia lido o livro que deu origem a tudo. Robyn atravessou o deserto na Austrália sozinha – isto é, com sua cadela e seus quatro camelos – na década de 1970. Histórias como a de Cheryl Strayed já me fascinavam e com essa não foi diferente.


Ainda me pergunto, o que faz uma mulher largar tudo pra viver uma aventura como essa? Não são as mesmas razões que fazem um homem querer largar tudo. Nós estamos grudadas ao chão, pois nossos deveres e responsabilidades agem de diferentes formas sobre a maneira como nos portamos em sociedade. Por isso tudo isso me fascinava.


Robyn se inspirou nas viagens do pai para entrar nessa jornada, que foi financiada pela National Geographic e que rendeu as imagens mais lindas e um livro mais ainda. Mas ao contrário de Cheryl, ela não sabia qual o sentido daquilo tudo, apenas sabia que deveria ir. Era um chamado do coração.Às vezes não precisamos de uma razão concreta pra decidir mudar, pode ser apenas um sentimento que nos intriga.


Assim como a maioria das adaptações, o livro e o filme são universos completamente diferentes. Apesar disso, são obras completamente fascinantes dos dois jeitos. Lembro que quando recomendei a versão de cinema lá em 2014 já dizia que era um dos melhores filmes da vida e ainda me sinto assim. Porém, depois de ler o livro percebi que o longa é um resumo muito curto do que realmente foram esses meses no deserto e de cada dificuldade que Robyn passou. É uma história muito complexa para poucos minutos.


Essa foi a jornada que conseguiu me inspirar nesse ano, quando eu não conseguia ler mais nada. Foi por isso também que levei muitas semanas pra conseguir terminar, talvez eu precisasse conhecer a história de Robyn aos poucos. Afinal não é de um dia para o outro que atravessamos o deserto.

Sandy Quintans
@sandyquintans 

Cinematura é a coluna que falo sobre livros que viraram filmes. Há vezes que amo mais a história escrita e outras que acho que a versão pro cinema ficou melhor. Mas uma coisa sempre é certa: eu adoro conhecer duas versões de uma mesma história. Para ver outras edições, só clicar aqui. 


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