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quarta-feira, 7 de março de 2018

Quando neva em Dublin

Quando neva em Dublin
Por incrível que pareça, há uma semana estava curtindo um dia de sol muito raro por aqui e por mais que estivesse bem frio, tava uma delícia. Estava começando a ficar muito animada com o fim do inverno, depois de uma semana de tempo bom, sem muita chuva e vários dias ensolarados. A verdade é que o inverno desse ano me pegou, além de parecer que tá durando três décadas, também tá muito mais frio do quando cheguei aqui há um ano. E olha, falo isso como uma pessoa que se dá melhor com o frio do que com o calor. Por todas essas razões, eu vou ter que confessar que fiquei bem chateada com a previsão de que teríamos MUITA neve por aqui. Eu sei, esse é um sonho e uma vontade de muitos brasileiros, já que é algo muito raro pra gente e se pensarmos na quantidade de pessoas no nosso país, uma porcentagem muito pequena tem a real possibilidade de ver e brincar na neve (sim, pode começar a cantar essas musiquinha que tá aí na sua cabeça). 

Yeah, very cold

A verdade é que a Irlanda é um país frio, mas neve é uma coisa incomum por aqui. A última vez que rolou uma de verdade foi em 2010. O que é uma coisa meio curiosa, porque a gente acha que todo lugar que é frio sempre neva. Mas não necessariamente, já que aqui é um país de clima temperado, o que significa que não há drásticas mudanças de temperaturas, deixando tudo sempre estável naquele friozinho. O que consequentemente faz com que o verão não tenha aquele calorão insuportável, apesar de ficar quentinho por uns meses. Então basicamente, a média de temperatura é de uns 10 graus, sendo que no verão fica mais próximo dos 20 e no inverno tipo uns 4. É claro que o que conta mesmo é a sensação térmica, já que aqui venta bastante, além de chover (mas isso é tema pra um outro texto). 

 Então o que aconteceu pra juntar toda essa neve aí? Eu não sou especialista em nada, então vou fazer uma explicação bem básica mesmo. Tivemos uma mistura de dois fenômenos, um vindo da Sibéria que chamamos carinhosamente de Beast from the East, com uma onda de frio bem intenso que pegou vários lugares da Europa, junto com uma tempestade que se formou lá em Portugal e que apelidamos de Storm Emma. Resumo da ópera, as duas coisas se juntaram e acabou virando uma tempestade de neve. Apesar de todos os alertas, muita gente nem estava acreditando nessa história toda – já que falar que vai cair neve sempre falam, inclusive até acontece, mas é uma coisa tão pouca e que acaba tão rápido que não dá pra comparar.

Snowy bridge
Today he's not going to melt anything down
Together

Quando a gente acordou na quarta feira e abri a cortina da janela do meu quarto meu queixo quase caiu. Parecia que tinha acordado numa paisagem de cartão de Natal e o mundo inteiro estava em um branco imaculado, na coisa mais linda. Claro que eu, que tava toda ranzinza com a previsão da onda de frio, fui contagiada pelo espírito da neve e pela experiência de poder viver uma coisa tão mágica e rara (pelo menos na minha vida, né). O mais surpreendente da coisa toda é que não vivemos só esse episódio, mas foram três dias de tempestades e rajadas, que foi tornando aquela paisagem cada vez mais branca e invernal. Logo quando eu estava animada pra melhora do tempo. 

Por causa disso tudo, o país parou completamente e o governo emitiu alertas vermelhos garantindo que toda a população ficasse em casa diante das condições climáticas. Os mercados ficaram com as prateleiras vazias, porque o pessoal ficou enlouquecido estocando comida em casa. Ficou meio impossível achar pão e leite nesse país, rs. O transporte eventualmente acabou parando também e carros ficaram quase que impossibilitados de transitar. Existem dezenas de lugares muito mais frios e com condições climáticas piores que conseguem manter o país funcionando em um episódio como esse, por serem preparados pra esse tipo de clima todo ano, mas aqui é algo difícil de acontecer, deixando um lado meio caótico nisso tudo. Algumas pessoas ficaram sem energia, sem água, sem internet e por aí vai.

Snowy streets
Snowy front yard

Por sorte, aqui em casa deu tudo certo e conseguimos aproveitar um monte esses dias mágicos. Então sempre que o clima dava uma melhorada, a gente já se encapotava pra sair caminhando pela neve e reconhecer paisagens que estávamos tão acostumados de um jeito completamente diferente (e que renderam as fotos que ilustram esse post). Depois voltávamos pra casa pra tomar um banho quentinho e tomar um chocolate quente e se recuperar da friaca. 

Um episódio como esses pode até ter um lado ruim, que era no que eu pensava sempre antes dele acontecer, mas a neve tem uma mágica que acabou me contagiando e me permitiu aproveitar bastante. Até em momentos de um super vento e neve na cara como na foto abaixo, rs. Afinal, foram apenas três dias, que rendeu um descanso e novas perspectivas e experiências pro meu intercâmbio. Mas agora, que a neve começou a derreter e a perder a sua magia, pode entrar Primavera, estou te esperando.


Fotos: Vinícius Novaes

Sandy Quintans
@sandyquintans

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

6 coisas que amo em Dublin

6 coisas que amo em Dublin
No fim do mês passado, completei um ano que estou aqui em Dublin. Parece que o tempo passou voando, porque ainda lembro bem do dia em que escrevi o texto contando da minha aventura aqui pra Irlanda. Apesar das dificuldades de viver longe do meu país, eu aprendi a ter uma vida muito mais simples e aproveitar mais o meu tempo livre e apreciar as pequenas coisas do meu dia. Tenho certeza que muito dos hábitos que adquiri aqui vou acabar levando de alguma forma comigo por onde eu for daqui em diante.

They're always there

Foi pensando nesse meu tempo aqui, que resolvi fazer uma lista das coisas que mais gosto nessa cidade, que é cinza, fria, mas que tem dezenas de coisas que adoro. Além de fazer um balanço, também é uma forma de vocês conhecerem e, quem sabe, se animarem a colocar essa Dublin no roteiro - ainda que há muito mais a oferecer que essa lista dependendo do seu estilo de vida e coisas que goste de fazer.

1. Parques - Sempre fui a pessoa que arrumou uma desculpa pra ir a um parque e ficar um pouco mais perto das árvores, não importa aonde eu estivesse. Quando cheguei aqui, percebi que Dublin talvez seja um lugar ideal pra alguém que, assim como eu, adora tirar um tempinho livre pra apreciar a natureza. Os irlandeses mantêm parques e áreas verdes espalhados por toda cidade e praticamente todos os bairros possuem espaços como esse para a comunidade local. Eu tive a sorte de morar próximo ao Saint Anne's Park, que é um dos lugares mais lindos que conheço na cidade, inclusive falei dele aqui neste post.

Safe places


2. Mix de culturas - Uma das maiores maravilhas em estar em Dublin é com certeza o mix louco de gente de todo o mundo. Isso é uma coisa que faz a gente se sentir meio que em casa, se pararmos pra pensar no quanto o Brasil é multicultural. O meu namorado sempre fala que tem horas que ele se sente no final de filme de desastre natural, quando o mundo é salvo e pessoas de todas as culturas estão bem, celebrando e compartilhando o mesmo ambiente. O bom disso tudo, é que é possível conhecer mercados, restaurantes, pubs e um monte de outras coisas de vários lugares do mundo sem precisar sair de Dublin.

3. Vida cultural - Dublin é um lugar histórico e, por isso, há dezenas de coisas espalhadas pela cidade que nos faz pensar em diversas fases que esse lugar já passou. Também há uma variedade de museus, monumentos, pubs e castelos em todo o lugar pra gente conhecer. Mas não é apenas de passado que a cidade vive, há uma diversidade de eventos acontecendo em todas as épocas do ano, de festivais, shows, apresentações, peças de teatro e premiações. Pra quem gosta de cultura, aqui é um lugar repleto de programas para todos os gostos.

Reflection of time

4. Vida simples - Se a gente parar pra comparar a vida que os europeus levam aqui com a dos brasileiros, a primeira coisa que vamos descobrir é que aqui o estilo de vida é muito mais tranquilo. Com empregos simples e sem precisar trabalhar um milhão de horas é possível viver confortavelmente e com acesso a muitas coisas que pra gente seria necessário investir uma boa grana. Eu diria que aqui as coisas são um pouco mais justas. Sem contar que o julgamento de terceiros é muito menor, a gente pode vestir o que quiser, pedalar pra todo lugar e nunca mais pensar em carro de novo, porque nada disso realmente importa por aqui.

5. Músicos de rua -  O meu primeiro contato com Dublin na minha vida foi com o filme Once, lançado lá em 2008 e que falava um pouco sobre os buskers, como eles são chamados. Por causa disso, eu tinha no meu imaginário essa prática dos músicos de rua e que conforme foi passando o tempo aqui, eu fui me apaixonando cada vez mais. É inimaginável o talento das pessoas que tocam pelas ruas Dublin e tem algumas pessoas que a gente acaba se apegando e parando sempre que encontra. É como se a vida sempre tivesse uma trilha sonora por aqui. 

More woods ahead

6. Natureza - Eu posto tantas fotos de natureza no meu instagram que as pessoas devem achar que eu vivo no mato por aqui - o que não posso negar, eu amaria muito poder passar mais tempo assim. Além dos parques, há uma diversidade de lugares muito acessíveis pra conhecer nos arredores da cidade, que envolve diversos tipos de paisagens, de praia às montanhas, florestas e trilhas de diversos níveis de dificuldade pra se aventurar.

PS: Como vocês bem devem saber, todas as imagens são do Vinícius Novaes, registrador oficial do nosso intercâmbio.  

Sandy Quintans
@sandyquintans


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Três dias em Edimburgo

Três dias em Edimburgo
No fim de outubro eu e o Vini fizemos nossa primeira viagem desde que chegamos aqui, dá pra acreditar que demorou tanto? Na verdade, eu nunca senti que havia sido algo que tinha demorado a acontecer, porque nós estávamos aproveitando muito em Dublin e na fase de turistas por aqui. Até que chegou o dia em que sentimos a necessidade de conhecer novos lugares, afinal, esse é um dos motivos pelo qual um intercâmbio na Irlanda é ideal para aqueles que gostam de viajar, né?

Eu devo confessar que essa viagem veio em perfeito timing, não só pela vontade de novas aventuras, mas também porque eu andava numa fase não tão boa. Estava bem cansada da rotina de estudos e trabalho (ainda que bem mais leve do que a que tinha no Brasil), resolvendo problemas de dinheiro e documentação pra renovar o nosso visto aqui, o acabou me deixando com uma gripe que persistiu duas semanas. E detalhe, tudo isso aconteceu junto com a chegada do nosso outono, que mudou bastante o clima, apesar de deixar a paisagem mais bonita. Não se preocupem, as coisas estão resolvidas agora e minha saúde melhorou muito depois da nossa viagem. Já que no fundo, tudo que eu precisava era de um descanso pra minha cabeça e pro meu corpo. 

Pra nossa primeira saída da Irlanda, optamos por um lugar que fosse próximo e que não exigisse tantos dias pra gente conhecer, pois não queríamos perder aula e trabalho. Também estávamos pensando em um lugar que não fosse completamente diferente de Dublin, pra servir como treinamento para as nossas próximas viagens. Já que somos completamente amadores nessa história de viagem.

Edinburgh Castle Watching over Its town

Edimburgo, na Escócia, foi o destino ideal porque além de termos encontrados passagens em promoções (apenas € 9,90 pela Ryanair), ainda era um lugar que eu sempre quis conhecer e que ainda era muito a nossa cara – até cheguei a cogitar um intercâmbio por lá, não vou negar. Honestamente, não poderia ter escolhido destino melhor. Depois de duas semanas que voltei pra Dublin, sigo completamente apaixonada pela cidade e gostaria muito de visitar novamente e aproveitar ainda mais. Eu me imaginei vivendo na Escócia, sinceramente (aonde é que eu assino pra isso acontecer, por favor?).

Nós viajamos um dia depois do furacão Ophelia ter passado por aqui, então estávamos vivendo um momento meio estranho, de não saber muito o que fazer. Pra nossa sorte, o dia amanheceu lindo, com um sol raro de encontrar por essas bandas. Por isso mesmo, quando aterrissamos na Escócia e descemos na Princess Street, uma das ruas principais de Edimburgo, o contraste da arquitetura gótica (nada suave), com as cores das construções e o sol de final de tarde, trouxe um clima pra cidade que me fez pensar que nunca tinha visto nada tão bonito. Parecia que a vida real estava sob efeito de algum filtro bem bonito de instagram. Resumindo, fui impactada já na primeira impressão.

History
 everywhere Embraced by history

A verdade é que Edimburgo tem um clima de nostalgia no ar, que me fez sentir como se estivesse sido transportada pra algo ali pelos anos 1980/1990 – ou o que essas décadas representam no meu imaginário – e isso não é apenas pelas construções e arquitetura marcantes. As pessoas eram muito mais descoladas e autênticas, com muita referência do movimento punk e grunge, e os estabelecimentos muito mais convidativos do que eu passei a estar acostumada aqui em Dublin. Ou pode ser que não tenha sido nada disso e foi só o jeito como eu enxerguei a cidade.

Talvez eu tenha sentido muito isso por causa de Trainspotting, que criou aquela ideia dos jovens escoceses e que traz a atmosfera do que é a Edimburgo muito forte. Inclusive, esse é um filme excelente (e a sequência que saiu esse ano também), não apenas por todas as referências do cinema cult e pela mudança nas narrativas ligadas a drogas, mas também por criar sensações que do que é estar lá. Também traz uma noção muito boa de como é o sotaque escocês e de como eu sofri com ele nesses dias de viagem, quase que voltando imediatamente pra estudar mais.  

Old Town and its beauty The Royal Mile Balmoral Hotel

Mas nem só de referências a Trainspotting vive Edimburgo. Lá também é a grandiosa terra que serviu de inspiração pra J.K Rowling escrever o universo Harry Potter. E sabe o que é mais incrível? Isso também está no ar. Tudo parece cenário do filme e diversas coisas nos faz lembrar Hogwarts e de cenas de magia dessa saga que vive em nossos corações. Inclusive, é possível visitar o café em que a J.K ia pra escrever o primeiro livro e um tour pela cidade com os cenários reais que serviram de inspiração pra saga. Infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer, mas quem sabe essa não é a desculpa ideal pra voltar, né? 

Além de explorar um pouco da capital, também tivemos o prazer de realizar um tour gratuito até o interior da Escócia (você não entendeu errado, eu disse gratuito). O passeio dura um dia é uma experiência incrível, em que não tenho palavras pra expressar o quanto vale a pena. No começo, estávamos em dúvida entre conhecer o famoso Lago Ness ou embarcar nesse gratuito, mas optamos em economizar um dinheiro e fazer uma doação para a empresa que realiza o tour. Tenho certeza que qualquer um desses passeios que opte em fazer serão incríveis e espero que não tenha que escolher como eu. Foi nessa viagem que conhecemos as vacas escocesas, que são bem peludinhas e ruivas. Também passamos por monumentos, castelo e vilarejos, tudo isso com um guia bem humorado e que não se cansava de contar histórias sobre cada lugar e também sobre Sean Connery (um famoso escocês).
A rota do tour gratuito pela Escócia (clica no mapa pra saber por onde passamos)

Esse foi o único passeio que havíamos decidido fazer antes de chegarmos, porque tínhamos que agendar com certa antecedência. As outras coisas fomos descobrindo nos nossos dias por lá, o que trouxe muitas surpresas e experiências positivas. Por isso, preparei essa listinha pra recomendar os pontos altos dessa viagem que tá morando no meu coração (tudo devidamente linkado para quem quiser saber um pouco mais): 

♥ A atmosfera completamente medieval da St Giles’ Cathedral que me deixou de queixo caído 
♥ A imponência da Saint Mary Cathedral que me fez cair pra trás 
♥ A visita ao Castelo de Edimburgo que dura quase um dia inteiro de tão completa 
♥ O hambúrguer do BRGR, que tem o preço fixo de £4 pra qualquer lanche na semana e que dá um quentinho no coração 
♥ A vista magnífica da cidade quando você sobe até o Dugald Stewart Monument
♥ O tour gratuito que me possibilitou conhecer um monte de lugares maravilhosos e históricos 
♥ O sorvete delicioso e barato do Ciao Roma 
♥ O Scottish National Gallery com pinturas impressionantes e a entrada grátis
♥ Comer fish and chips no Sir Walter's Cafe in the Gardens aproveitando a paisagem que Edinburgh nos oferece 

É claro que além dessas poucas experiências existem diversas possibilidades nessa cidade. Há dezenas de parques, Jardim Botânico, Zoológico, Galerias e museus variados espalhados por todo o lugar. Além das coisas que fazem parte da cidade e que são interessantes, como os becos e cemitérios, paisagens. O que me fez pensar que apenas três dias foi bem pouco pra tudo que Edimburgo tem a oferecer. Agora só resta torcer pra outra oportunidade de explorar a cidade um pouco mais.

Aye!
A famosa vaquinha escocesa e toda a simpatia.

Todas as fotos deste post foram tiradas por Vinícius Novaes, meu namorado e registrador oficial das nossas aventuras. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O verão irlandês (ou como a vida pode ser ideal em Dublin)

O verão irlandês (ou como a vida pode ser ideal em Dublin)
Existe uma piadinha entre os irlandeses que diz que sabemos quando é verão na Irlanda quando a chuva começa a ficar quente. De certa forma, essa brincadeira deles tem um fundo de verdade, já que em aspectos de temperatura, dá pra comparar o inverno do sudeste brasileiro com os meses mais quentes de Dublin. E isso não é um exagero. Mas assim como na época do Saint Patrick's Day, há uma exaltação no ar que acaba nos contagiando por completo, e quando você vê, tá ali aproveitando aqueles dias mais quentinhos como se estivéssemos num sol de 40 graus.

Ganhei uma marquinha de sol desse vestido, depois que passei o dia sem esse cardigã: orgulho ♥

Quando cheguei em Dublin, lá no final de janeiro, peguei uma amostra do inverno, com vento, com frio, com chuva e com dias curtos. Acho que demorou uns quatro meses pra eu começar a viver sem as camadas de roupas e poder usar uma camiseta com uma certa tranquilidade. Assim que os dias começaram a ficar minimamente mais longos, nossa rotina mudou completamente e de alguma forma éramos inspirados pela luz do sol a aproveitar o dia. Eu havia imaginado por muito tempo como seria ter sol das 5h às 23 horas, mas quando aconteceu foi tão gradual e natural que só conseguia amar aquele pequeno milagre.

Se você perguntar aos irlandeses, eles te dirão com toda a certeza que não têm verão. Mas a verdade é que esses meses é a vida mais ideal que podemos ter por aqui. Pessoas indo e vindo o tempo todo, compartilhando experiências, usando pouca roupa, horas nos parques, nas praias, e tendo refeições do lado de fora dos restaurantes. Faz calor, mas não muito, chove, mas nem tanto. E sempre tem dezenas de eventos e coisas acontecendo ao mesmo tempo, como se a cidade estivesse pulsando vida e energia para as pessoas. Mas sabemos que é contrário. É o espírito e exaltação de cada um contagiando tudo ao redor.

Sol,calor e flores nas terras irlandesas.

E de alguma forma, quando a gente menos percebe, está lá no fundo do guarda-roupa procurando aquele shorts que você lembrou de colocar na mala, os poucos vestidos que pendurou no cabide - cética de que algum dia fosse usar. Procurando pela cidade os melhores sorvetes, quando você achou que só viveria de sopa e chocolate quente.

Agora que chegamos até a metade de agosto, dá pra dizer que o verão aqui na Irlanda começou a dar um adeus definitivo. O que começa a já dar uma saudade dos últimos três meses, mesmo naqueles momentos que não sentíamos tanta certeza de que estação do ano estávamos vivendo. Já começamos a nos sentir saudosos das caminhadas e passeios durante a noite ensolarada e das amizades de verão, de gente que passou por aqui só pra essa época especial. E apesar de iniciar uma despedida, não me sinto triste. Me sinto ansiosa pra saber o que as próximas estações nos reservam. Tomar um delicioso chocolate quente, poder ler e ver um bom filme, e começar a preparar as camadas de roupas para os dias frios.

Passeios noturnos de pernas de fora: temos por aqui.
Sandy Quintans
@sandyquintans

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

DIY - Quadrinhos botânicos

DIY - Quadrinhos botânicos
Um dos desafios dos intercambistas é transformar a casa temporária em lar. Pelo menos, aqui em Dublin, grande parte dos lugares pra estudantes já vem com tudo mobiliado, só chegar com as suas coisas e se instalar. Por sorte, eu e o Vini encontramos uma casa grande, com um quarto espaçoso e um banheiro só pra gente. Pode parecer simples, mas depois de visitar mais de dez lugares pra encontrar uma vaga pra chamar de nossa aqui, percebemos que ganhamos na loteria. Mas foi só aos poucos que conseguimos dar uma carinha pro nosso quarto, principalmente porque procuramos gastar o mínimo possível.


Sempre, uma das melhores maneiras de se conseguir isso é com quadrinhos. Por isso, busquei no Pinterest diversas ideias que fossem simples e baratas pra eu trocar da parede dois quadros da Marylin Monroe - que era herança do antigo morador do nosso quarto. Eu juro, aquelas fotos me deprimiam quando encarava demais, pois não fazia o menor sentido no nosso quarto, rs. Foi assim que encontrei a ideia de fazer quadros usando flores e folhas secas, o que tem tudo a ver com a gente e ainda era um jeito de trazer a Irlanda pra nossa decoração. 

Então, em nossas caminhadas pelos parques, sempre pegava ramos de flores e deixava guardado dentro de um livro pra elas secarem. Eu sei que em lojas de artesanato é possível encontrar vários tipos de materiais como esse, caso você queira uma coisa mais rápida. No meu caso, deixei as flores por mais ou menos três semanas e elas ainda continuavam super perfumadas quando abri o livro. 


Depois que consegui um resultado com as folhas, fui até a IKEA (uma espécie de ETNA e TOK STOCK, com preços em baratinhos) e encontrei duas molduras legais, que ia servir certinho para o meu propósito. Aí, comprei algumas folhas de papel cartolina, que só encontrei em formato A4 pra fazer um fundo para o meu quadro e dar um pouco de cor.


Como meus papéis são menores do a moldura, optei em usar duas folhas e emendá-las e colocar uma inteira ao meio, que além de disfarçar a emenda, ainda deu a ideia de paspatur. Mas também, dá pra fazer sem fundo nenhum, usando dois vidros, que também dá um efeito lindo. Depois de decidir qual estilo você quer seguir, é só posicionar as flores na parte da frente do quadro (igual a foto abaixo) e fechar.


Prontinho! Agora você tem um quadro cheio de personalidade, que dá um resultado lindo pra qualquer caído, como o meu andava. O legal é que também dá pra usar só folhas ou deixar uma só em grande no centro do quadro. Enfim, as composições são infinitas. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Uma tarde no castelo de Rathfarnham

Uma tarde no castelo de Rathfarnham
A primeira quarta-feira de cada mês é conhecida como o dia em que a entrada dos museus é gratuita na Irlanda. Essa foi uma medida implementada pelo governo pra atrair mais visitantes há alguns anos, o que acabou virando algo bem popular entre os intercambistas brasileiros com pouco dinheiro no bolso, como eu. A triste verdade é que hoje em dia pouquíssimas atrações são realmente free nesse dia por aqui em Dublin, enquanto que em outras cidades isso continua firme e forte. Porém, ainda há uma bem legal que faz parte do projeto, que foi o que me levou a aproveitar o dia gratuito pra conhecer: o castelo de Rathfarnham. 


O castelo fica há cinco quilômetros do centro de Dublin e foi construído no século 16, no período elisabetano. Se você reparar bem, é uma construção incrivelmente moderna para a época, por isso mesmo, é um lugar que olhando de fora nem tem tanta cara de castelo, né? Mesmo assim, ainda fico desacreditada de entrar e observar lugares tão antigos. Vindo de um país com uma histórico tão recente, é curioso comparar o quanto já existia enquanto o Brasil ainda era um embrião. Acho que essa é a maior graça de conhecer lugares como esse. 


Diferente do castelo de Malahide, o Rathfarnham pertenceu a várias famílias diferentes, por isso ele não tem tanto da construção original e passou por várias reformas nesse tempo todo. A mais importante, que é a que dá a cara dos cômodos que temos agora, ocorreu no século 18, completamente inspirado no estilo francês. Mesmo assim, ainda é possível ver a sala de jantar, que foi mantida em sua forma original. 

A sala de jantar de quem morou nesse castelo, ainda com muita coisa da formação original do período elisabetano
Grande parte das belezas desses lugares antigos estão no teto, então não deixe de olhar pra cima.
 Sem dúvida, o cômodo mais impressionante é o que era o salão onde ocorriam os bailes, que serviu de capela no período em que o prédio foi utilizado pelos franciscanos. Além disso, é possível conhecer hall, um salão que era utilizado como galeria de arte, algumas salas de estudo, chá e coisas que essas pessoas gostavam de fazer antigamente e que nem fazemos ideia do que seja. Apesar da variedade, quase não há móveis, o que deixa a imaginação rolar. 

Imagina as festanças que rolavam nesse salão enorme.

Como fomos no dia gratuito não tivemos visita guiada, o que tornou o passeio bem mais informal. Na entrada, ouvimos algumas histórias sobre o local na recepção e um flyer com informações essenciais sobre o castelo. Já dentro de cada cômodo há uma placa contando a história, a utilização daquele espaço, algumas curiosidades e até algumas fotos mostrando como era mobiliado e tudo mais, o que fez com que não sentisse falta de guias. Pelo contrário, achei que assim pudemos passar mais tempo e observar melhor toda a história que estava ali ao nosso redor. 


Já ao redor do castelo tem um café e um parque, com playground e algumas trilhas pra fazer caminhada. Com certeza um lugar bem gostoso pra passar a tarde quando surge um tempinho livre, sabe? Ainda mais que mesmo em dia grátis, não é super lotado como outros passeios pela cidade. Além disso, o bairro ao redor é uma graça e vale a caminhada se você quiser encarar até o centro de Dublin (tipo eu).

(Fotos: Vinícius Novaes)
Rathfarnham Castle
Qual o preço? € 5,00
Dá pra ir de transporte público? Sim, de ônibus, com as linhas 16 e 15B saindo do centro
Quando fica aberto? Todos os dias, das 9h30 às 17h30 
Qual o melhor horário? O dia inteiro

Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O meu parque preferido em Dublin

O meu parque preferido em Dublin
Uma das melhores coisas de Dublin, aqui na Irlanda, são os parques espalhados por toda a cidade. Desde que cheguei - há quase seis meses agora - eu já tive o prazer de conhecer vários deles, o que com certeza se tornou o meu passatempo preferido. É claro que ainda há muito o que explorar e alguns parques ainda estão na lista de espera, mas nesse tempo que tô aqui já consegui escolher o meu preferido do intercâmbio: o Saint Anne's Park. 

The wild inside the Saint Anne`s Park

Esse foi um dos primeiros lugares que eu conheci por aqui, mas eu lembro que quando isso aconteceu eu não havia explorado o parque suficiente e não entendia muito qual era a graça. Apenas havia achado um lugar bonito. Algumas semanas depois, eu e o Vini nos mudamos para o bairro onde o St. Anne's está localizado e esse foi um dos lugares mais elogiados pelo pessoal que mora com a gente, o que acabou atiçando a nossa curiosidade pra conhecer melhor e devidamente, desta vez.

Mysteriuous ways We are always looking for balance

O Saint Anne's é um parque enorme, com diversos espaços diferentes. Tem lugar pra todo gosto, florestas, campos pra praticar esportes, trilhas, gramado pra dar aquela relaxada básica, jardins, um café charmoso e várias construções antigas que fazem parte da história do lugar. É o segundo maior parque de Dublin, só perdendo para o famoso Phoenix Park. Acho que exatamente por essa diversidade e também por ser um parque lindo, que o St. Anne's se tornou um dos lugares preferidos, sendo que sempre que tenho um tempo livre, não deixo de ir lá - mesmo nos dias frios. É por isso também que não é difícil encontrar fotos lá no meu instagram de dias que dei uma passadinha (inclusive, espalhei por esse post diversas fotos que o Vini tirou nesses meses que estamos aqui). 

Sunset at Saint Anne's Park Sweet times

Pesquisando um pouco da história de lá, descobri que ele foi doado e estabelecido como parque pelos Guinness - sim, os mesmos da cerveja. Antes disso, era da propriedade da família, o que explica tantas construções espalhadas pelo parque em estilo romano, que fazia parte da vida deles. Há também um local chamado de Red Stables, que foi reformado e hoje funciona como espaço para o café, exposições de artes e local para as feiras que acontecem por lá aos finais de semana. Também havia uma mansão principal que pegou fogo em 1943 na noite de Natal durante a segunda Guerra Mundial, visto que o parque era usado pelas forças armadas nesse período. O que faz com que a gente só fique imaginando o quanto seria incrível ter essa construção nos dias de hoje. Além disso, também serviu de espaço para população local plantar alimentos naquela região, incentivado pelo governo.

Pintura de como era a mansão no Saint Anne's, já que agora só nos resta imaginar (Fonte: http://www.clontarf.ie)
Hoje em dia, o Saint Anne's é um dos centros de lazer da comunidade local, por isso há diversos eventos por lá, principalmente agora no verão. Uma das maiores atrações nessa época é o jardim de rosas com espécies do mundo inteiro. Mas a verdade, é que lá é um espaço incrível em qualquer época do ano. Lembro que quando ainda estava frio, sempre dava uma passada lá pra caminhar e escutar música, nada que um bom chocolate quente não resolvesse pra aproveitar melhor a tarde.

Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Consumo – As compras do meu intercâmbio

Consumo – As compras do meu intercâmbio
É claro que a necessidade e a mudança de vida impactaram muito na minha forma de comprar, mas a verdade é que antes de embarcar pra Irlanda já estava pensando em consumo de forma diferente. Grande parte dos meus gastos financeiros desde os primeiros salários da minha vida sempre foi em roupas e em comida e já fazia um bom tempo que meus olhos pararam de brilhar em várias lojas que costumava gostar. A maioria das coleções já não me representava mais. 
Eu e minha capinha de chuva sendo muito plenas em Dublin.
Quando cheguei aqui só com uma mala, inevitavelmente eu tive que comprar algumas coisas, como um casaco que fosse mais apropriado pra pegar chuva, vento e me manter aquecida. Mas tudo que comprei até hoje, nesses meus cinco meses de intercâmbio, sempre foram peças que realmente gostei e que fossem fazer sentido dentro do meu, agora, pequeno guarda-roupa. 

O maior objetivo de vida – mesmo com as coisas sendo mais baratas aqui – se tornou: barganhar.  Então, basicamente quando eu vejo uma plaquinha de “Sale”, já entro e realmente penso se aquelas peças estão com um super desconto e nas possibilidades daquilo com as roupas que eu já tenho. Consigo montar pelo menos cinco looks com isso? É útil? E assim vai. 

Aquele cardigã velho de guerra pra qualquer ocasião e temperatura: basta construir camadas
Considero que comprei uma boa quantia de roupas por bem pouco dinheiro. Não vou negar que o fato das coisas serem mais baratas aqui me ajuda muito na hora de economizar e infelizmente, ainda continuo consumindo mais em lojas de departamento, que sabemos que trabalham com preços irrisórios. Mas, a questão é que ainda é algo muito elitizado consumir de produções justas e de marcas menores, mesmo que hoje seja possível ter acesso a muitos bazares e brechós online (o que já ajuda muito a mudar esse cenário de compras). 

Basicamente, desde que cheguei aqui comprei um casaco marrom (pra chuva, vento e dias mais frios), uma bomber jacket rosa maravilhosa, um cardigã marrom super quentinho e versátil, uma capa de chuva pra dias mais quentes (não vamos esquecer que aqui chove em 70% dos dias, de acordo comigo mesma) e várias toucas e cachecóis pra dar uma variada nos looks. Também comprei um macacão, dois pares de jeans e um Adidas Superstar por uma barganha (porque sou dessas que ama economizar). 

Um casaco para os dias frios e chuvoso: frio não passo não.
O que eu percebi com essa experiência de economia (não por opção, mas por necessidade) é que grande parte das vezes que a gente compra uma peça nova é por falta de inspiração. Geralmente, temos tudo o que precisamos dentro do nosso armário, mas quando surge algum evento ou algo diferente pra fazer, nosso primeiro pensamento acaba se resumindo a compras. Então, da próxima vez que entrar numa loja pra comprar algo, não se esqueça de se perguntar se realmente precisa daquilo.

Todas as fotos: Vinícius Novaes.

Sandy Quintans
@sandyquintans
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