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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Joana leu: Loving the band, Emily Baker

Joana leu: Loving the band, Emily Baker
"E se você entrasse na vida da boy band dos sonhos de toda garota? Quando Jess e sua melhor amiga, Tegan, conhecem pessoalmente o The Only Truyh, a boy band mais badalada do momento, não imaginam o tamanho da aventura em que vão se meter. Jess começa a se envolver não apenas com um, mas com dois dos meninos da banda. Um é amigável e conquistador, e o outro é sério e mais fechado. Como decidir, se ambos são gatíssimos e carinhosos? Por tudo isso, ao final das férias, Jess se vê obrigada a tomar a maior decisão de sua vida."



Comprei esse livro numa ótima promoção, só porque li a sinopse e vi que era uma daquelas estórias beeem teen, que eu adoro. Durante a leitura essa primeira impressão se confirmou, mas eu não imaginava que seria tão simples.

A jovem Jess está de férias na casa de seu pai em Londres, junto com sua melhor amiga, Tegan. Numa noite em que saem para jantar se deparam com um grupo de garotos lindos e simpáticos, de quem acabam se aproximando por causa de um incidente. A princípio, Jess não sabe que se trata de uma super boy band. Logo ela se interessa por Shaq, e parece que os dois vão ficar, até que outro menino da banda, Riley, se aproxima dela e acaba atrapalhando a investida do amigo.

Jess passa muito tempo com eles, e mesmo estando com Riley, seu coração tem uma quedinha por Shaq, que fica o tempo todo por perto, observando e esperando, enquanto o amigo fica com os beijos e os abraços. Praticamente todo o enredo gira em torno desse triângulo amoroso adolescente e da decisão que Jess tem que tomar. Será que ela vai escolher a doçura de Shaq ou a ousadia de Riley?

Para uma leitura de entretenimento, o livro cumpre sua função. A escrita bastante simples, o vocabulário utilizado é muito básico. O ritmo narrativo intercala momentos dinâmicos, onde tudo acontece rapidamente, e outros mais lentos, principalmente quando Jess reflete sobre as atitudes dos seus dois pretendentes.

Os personagens são tão profundos quanto se pode esperar de uma estória que era uma fancfic, escrita por uma pessoa com pouca experiência.  Pelo que eu soube depois de terminar a leitura, a autora é muito fã da banda One Direction, e uma de suas fanfics inspiradas neles fez tanto sucesso que virou esse livro. Nada contra escritores inciantes, afinal, todos têm que começar de algum lugar, mas a realidade é que a maioria dos primeiros trabalhos de alguém é mais fraco que o restante de suas criações, pois só se aprende a escrever escrevendo. Na verdade o enredo é bem simples e não há reviravoltas ou surpresas que possam mudar o destino dos personagens. Quase não temos descrição de cenários, pois a autora prefere focar no relacionamento entre as meninas e a banda, e suas dúvidas e desejos adolescentes.

Não é uma leitura perdida, pois como já disse, ela serve para entretenimento. É possível ler o livro em poucas horas, por seu tamanho e também por sua simplicidade. Mesmo não sendo uma leitura que vai ficar entre as mais marcantes da vida, é um livro gostoso de ler, e vale pela nostalgia da época de adolescente, afinal, que menina nunca foi caidinha por uma boy band de sucesso? (eu ainda sou!)


Loving the band
Emily Baker
editora iD
200 páginas
Joana Masen
@joana_masen

quinta-feira, 31 de março de 2016

Joana leu: Nunca jamais, Colleen Hoover

Joana leu: Nunca jamais, Colleen Hoover
"Charlie Wynwood e Silas Nash são melhores amigos desde pequenos. Mas, agora, são completos estranhos. O primeiro beijo, a primeira briga, o momento em que se apaixonaram... Toda recordação desapareceu. E nenhum dos dois tem ideia do que aconteceu e em quem podem confiar. Charlie e Silas precisam trabalhar juntos para descobrir a verdade sobre o que aconteceu com eles e o porquê. Mas, quanto mais eles aprendem sobre quem eram, mais questionam o motivo pelo qual se juntaram no passado."




Tem coisa mais emocionante do que um livro da Colleen? Acho que não! Mesmo escrevendo em parceria com outra autora, Tarryn Fischer, dá para reconhecer seu toque na narrativa, e seu estilo de escrita apaixonante/dramático.

Essa estória começa com um mistério: de repente, sem saber de onde veio ou quem é, Charlie 'acorda' no meio do colégio, com uma garota estranha à sua frente. Ela não se lembra de nada, nem mesmo de seu próprio nome, e vai tentando disfarçar sua desorientação em meio aos outros alunos e aulas onde o professor parece odiá-la, sem ela nem ao menos imaginar o motivo.

De outro lado encontramos Silas, que está vivendo a mesma situação, e que faz de seu encontro com Charlie uma razão para tentar descobrir o que está acontecendo com eles. O mais estranho é que eles conseguem lembrar de coisas aleatórias como quem canta alguma música ou informações sobre algum filme qualquer. Isso torna tudo ainda mais misterioso: como é possível duas pessoas, ao mesmo tempo, perderem a maior parte de sua memória?

Aos poucos eles vão juntando pequenas informações que vão lhes mostrando quem eles eram, e que tipo de vida levavam. Logo de cara eles descobrem que eram namorados há muito tempo, e que suas famílias eram amigas, mas agora, por algum motivo que eles ainda desconhecem, se tornaram inimigas mortais.

Silas é um fofo: o tempo todo tentando diminuir a tensão da situação em que se encontram, o que vai irritando Charlie cada vez mais, já que tudo o que ela quer é descobrir quem é aquela Charlie de ontem, uma pessoa que parece ser tão diferente dela. 

Como não poderia faltar num livro da Colleen, aqui também tem romance, mas ele se dá de forma muito delicada, aos poucos, como se pudesse se quebrar a qualquer momento. Também pudera, ao mesmo tempo em que Silas sente que pode se apaixonar facilmente por Charlie, ele percebe que ela luta contra esse sentimento, e aposta que vai conseguir conquistá-la novamente. Cada mínimo detalhe que eles descobrem sobre o relacionamento do qual eles não se lembram é delicado, e alguns deles podem arrancar suspiros da leitora mais emotiva.

A única razão que me fez não dar nota 5 de 5 para esse livro foi o final, e não foi por ser ruim, mas por ser tão repentino e surpreendente que me deixou revoltada. Eu já sabia que a estória não se fecharia nesse livro, já que é parte de uma trilogia, mas não estava preparada para as duas últimas páginas e, principalmente, para os últimos parágrafos desse primeiro volume. É cruel e ao mesmo tempo brilhante, deixando tudo em aberto, no momento mais crítico da amnésia dos personagens. Não posso falar mais para não dar spoiler, então, leiam e entendam o meu sofrimento. E juntem-se a mim na campanha pela publicação do segundo livro, pra ontem.


Nunca jamais
Colleen Hoover e Tarryn Fischer
editora Galera Record
192 páginas
Joana Masen
@joana_masen

quinta-feira, 3 de março de 2016

Joana leu: Ovelha, memórias de um pastor gay, Gustavo Magnani

Joana leu: Ovelha, memórias de um pastor gay, Gustavo Magnani
"Este livro, estreia impressionante de um jovem talentoso escritor, é o relato pecaminoso de um decadente. A história de um homem religioso e carismático, temente a Deus, mas amante insaciável de sua própria carne exótica, a carne de outros homens. Um pastor gay, casado com uma ex-prostituta, filho de uma fanática religiosa. Neurótico e depravado. E agora condenado. Internado no hospital, debilitado e com um segredo de uma tonelada nas costas, este personagem atormentado decide libertar-se de seus demônios e relatar seu drama. Num relato cru e sem censura, ele literalmente vomita seus trinta anos de calvário e charlatanice na cara da congregação (e de qualquer um que se interesse por um bom inferno). Sexo, paranoia, corrupção e destruição são os ingredientes tóxicos dessa obra provocante, polêmica e inovadora."




Esse livro pode ser chocante para algumas pessoas. Mas também pode ser visto por alguns leitores como uma narrativa ousada, mas que não assusta. Claro que o assunto é polêmico: um pastor evangélico que se descobre gay e que narra suas desventuras em busca da satisfação pessoal e a dúvida sobre se o que faz é certo ou errado. Só isso já daria uma boa discussão, mas o autor vai além, e conta em detalhes algumas das situações mais intensas vividas por seu personagem.

O protagonista escancara todos os seus sentimentos mais íntimos, enquanto questiona o posicionamento da igreja frente a natureza humana, ao ser diferente e tentar ser aceito sem transgredir suas regras. O próprio autor em algumas entrevistas revelou que passou um longo período de sua vida dentro da igreja, bastante atuante, até que começou a perceber que, em alguns casos, a única coisa que importava para a instituição igreja era que o fiel seguisse suas ordens, agisse sob seus termos, e anulasse sua verdadeira identidade para viver de acordo com o que a igreja prega. Foi que ele passou a questionar se isso era certo.

É possível identificar no personagem essa insatisfação com a igreja, e uma tentativa de alinhar aquilo que ele acredita, ou seja, sua fé em Deus, com aquilo que ele precisa fazer, que é assumir seus desejos mais primitivos, e só assim ser totalmente feliz. Esse medo de estar vivendo em pecado enquanto sente que está se satisfazendo plenamente martiriza o pastor o tempo todo, e faz com que ele questione suas próprias escolhas. Mas também não o impede de buscar o prazer a qualquer preço.

Mas certamente o que vai chocar o leitor são os detalhes mínimos da vida sexual do pastor: desde o descobrimento da sua homossexualidade até a primeira vez que ele tem uma relação com outro homem. Ele também fala sobre as dificuldades em manter um relacionamento com a esposa, sem que ela perceba que ele é gay. Com ela o pastor teve filhos e passou alguns anos tentando viver como manda a sociedade, mas como não conseguia fugir de sua natureza homossexual, ele mantinha casos extraconjugais.

O ponto forte do livro é sem dúvida o estilo narrativo adotado pelo autor: ele escreve no estilo diário, fazendo registros sem uma linha temporal definida, ou seja, hora ele usa o tempo presente, falando sobre como está o pastor naquele exato momento em que escreve suas memórias, sentindo que seus dias estão chegando ao fim, hora ele afla no passado, contando coisas que já aconteceram, desde a sua infância até agora. Intercalando os tempos, aparentemente sem critério algum, o autor conseguiu construir sua própria linha temporal, amarrando  um capítulo no outro, de forma que eles façam sentido entre si e que a estória vá se desenvolvendo até o que seria o fim da linha para o pastor.

Por ser um livro de estreia, ele merece respeito. A narrativa é inteligente e dá para perceber que o autor teve grande cuidado ao conceber essa obra. A polêmica maior fica por conta de quem segue uma religião e pode discordar das atitudes do pastor, o que não é o meu caso. Talvez por isso eu tenha conseguido enxergar a estória com o olhar de um leitor, e não de um membro atuante desse ou daquele seguimento religioso. Cada leitor vai perceber a estória de uma perspectiva própria, e por isso é recomendado que todos o leiam, independente da sua crença, e que tenham a mente aberta, sabendo que se trata de uma obra literária.





Ovelha, memórias de um pastor gay
Gustavo Magnani
editora Geração Editorial
232 páginas
Joana Masen
@joana_masen

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Joana leu: Inverso, Megan Alvares

Joana leu: Inverso, Megan Alvares
"E se do outro lado do espelho estivesse a vida que você sempre desejou? Lá no fundo, Megan não quer ser quem é e nem viver essa vida triste, exatamente o inverso daquela que sempre sonhou para si. Tudo começa com a morte de sua mãe. A sensação terrível de que algo nunca mais vai ser como antes. E não será mesmo. O seu único alento é o carinho da irmã, que a vê como o que gostaria de ser quando crescer. Mas há um novo mundo do outro lado dos espelhos. Um mundo igual ao seu, só que ao contrário. Um mundo perfeito onde as pessoas que morreram estão vivas e Megan é exatamente a garota que deveria ser. Entrando nessa realidade pelo avesso, Megan começa uma perigosa busca por si mesma, onde o reflexo de tudo que há de ruim tentará detê-la. Enquanto seguem em frente, ela deverá garantir a segurança das pessoas que mais ama. Em um labirinto de escolhas, sem poder sequer distinguir a própria imagem, Megan deverá lidar com a perda, enquanto descobre quem é a garota que a encara no espelho."


A jovem Megan vem sofrendo há meses com a morte da mãe, e tenta de todas as formas dar suporte para a irmã mais nova, e não causar nenhuma preocupação para o pai, que também está sentindo a perda precoce da esposa. Ela se comporta bem, a não ser por alguns desentendimentos com professores, mas isso é normal. Seu único amigo é Daniel, companheiro para todas as horas, que é um nerd assumido e não é nem um pouco popular na escola. Juntos, eles são a parte esquisita dos alunos.

Tudo na vida de Megan parece caminhar bem, apesar da falta que sente da mãe, até o dia em que ela e o pai resolvem mexer nas coisas que foram da progenitora para ver o que pode ser doado e reaproveitado por outras pessoas e o que realmente querem manter como lembrança. Dentre alguns objetos pessoais, Megan encontra um diário, muito bem fechado, com um aviso: não leia este diário. Claro que essa mensagem só aguça a curiosidade da menina, que decide manter o item em segredo, para ler depois e descobrir o que a mãe escondia.

Num momento em que ficou sozinha no quarto dos pais, ela se vê em frente a um espelho que, aparentemente, é normal, mas, que com um olhar mais demorado, se mostra um objeto estranho e curioso: Megan vê uma imagem muito parecida com a sua refletida nele, mas com alguns detalhes diferentes. Seu primeiro impulso e tocar no espelho para ver se tem algum problema, e é ai que tudo acontece: o espelho começa a se liquefazer e puxa Megan através dele. Ela cai numa casa idêntica à sua, porém, com tudo ao contrário. Ali ela descobre que a mãe está viva, o pai quase não fica em casa e a irmã não gosta dela. E pior, ela é tão popular no colégio que suas melhores amigas são aquelas que ela mais quer evitar na vida real, e Daniel, seu confidente, está muito distante e magoado com suas atitudes.

A confusão está armada. Megan percebe que está ocupando o corpo de outra adolescente, sua cópia, que se chama Megami, e que não se entende com a mãe. Isso é demais para Megan, já que tudo que ela queria era ter a mãe de volta. Na convivência com Megami, ela percebe que a garota é seu oposto, tem a personalidade forte e é muito briguenta. Ambas passam a dividir o corpo e a mente de Megami, e Megan vê e sente tudo o que a outra pensa ou faz, sem poder fazer nada para evitar que ela magoe as pessoas que ama.

Entre idas e vindas e muito desentendimento entre as meninas, Megami convence Megan a atravessar o espelho para que ela veja como a outra vive, e quando está no mundo de Megan, toma o controle do corpo dela e ameaça acabar com tudo o que ela tem.

Em alguns momentos o livro deixa o leitor apavorado, querendo interferir na relação Megan/Megami e resolver aquele impasse de vez, deixando cada qual em seu próprio mundo. O mais interessante é que o leitor consegue se colocar no lugar de Megan e sentir a alegria que ela sente ao ver a mãe viva, sabendo que, se ficasse naquele universo paralelo, ela poderia voltar a ter a mãe ao seu lado.

Da mesma forma que Megami é irritante e provoca o leitor a todo instante, pois sabemos o que Megan teve que passar sem a mãe, e torcemos para que ela tome a decisão certa no final. Megami é cruel e vingativa, e na primeira oportunidade que tem, magoa as pessoas que Megan mais gosta apenas para desafiá-la a trocar de lugar permanentemente.

Gostei demais desse livro, e adorei poder compartilhar os pensamentos das duas personagens, conseguindo facilmente sentir o que elas sentiam. A autora trabalhou muito bem as características marcantes de cada uma delas, facilitando a identificação das protagonistas durante a leitura, mesmo nos momentos em que elas ocupavam o lugar uma da outra sem aviso prévio. Com uma linguagem simples e coesa, Karen conseguiu criar dois universos distintos e bem construídos, que dão ao leitor a impressão verdadeira de que ele também está atravessando o espelho e passando de um mundo para o outro.

O final é corajoso, e me agradou bastante. Mas, apesar do desfecho inteligente, achei o último capítulo um pouco corrido, como se tudo tivesse que acontecer rapidamente. Essa foi a minha única ressalva, e só por isso o livro não ganhou nota cinco. Indico fortemente a leitura, para que todos possam ter a dimensão do que é poder escolher o seu próprio futuro, optar por ter aquilo que se deseja muito, ou manter aquilo que te faz feliz.




Inverso
Karen Alvares
editora Draco
136 páginas


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Joana leu: Joyland, Stephen King

Joana leu: Joyland, Stephen King
"O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Gray foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado - e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença grave. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer - e sobre aqueles que sequer tiveram a chande de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais."


Essa é uma estória bem simples, mas muito bem construída e cheia de sentimentos. Senti medo em diversos momentos, mas fiquei esperando pelo susto, que não veio. King fala bastante sobre um fantasma, mas o foco da narrativa, com certeza, está nos vivos.

O jovem Devin Jones aproveita as férias de verão para trabalhar no parque de diversões Joyland e juntar algum dinheiro, além de tentar ocupar sua cabeça para não pensar nem sofrer pela namorada que o abandonou. Logo de cara ele se dá muito bem no trabalho, e os funcionários mais antigos do parque gostam bastante dele.  Tudo parecia normal até Devin descobrir que, há alguns anos, uma garota foi assassinada dentro do trem fantasma, e que seu espírito está por lá até hoje. Então, ver esse fantasma e descobrir a verdade sobre a morte de Linda Gray passa a ser um dos objetivos de Devin, junto com seus amigos Tom e Erin.

Ao caminhar de casa para o trabalho, diariamente, Devin vê um garoto numa cadeira de rodas, ao lado de sua mãe e um cachorro. Aos poucos, eles vão construindo uma amizade, e a história de vida de Mike e sua mãe transforma Devin numa pessoa melhor. O que ele não imagina é que Mike o ajudará a decifrar o mistério da morte de Linda Gray.

Quando eu disse que o foco da estória é nos vivos, estava me referindo a essa relação entre Devin e Mike. O menino tem um tipo de clarividência, e é portador de uma doença degenerativa, por isso, sabe que vai morrer em breve, mas quer aproveitar a vida ao máximo, e estar perto de Devin, compartilhar com ele seus desejos, ajuda a estreitar os laços com a própria mãe e amenizar um pouquinho a dor que ela sente por ver o filho naquela situação. Parece triste, e na verdade é um pouco, mas se o leitor souber interpretar o sofrimento de Mike como um mal necessário para ensinar a algumas pessoas o valor da vida, tudo ficará mais ameno. Essa foi, provavelmente, a intenção do autor.

O mistério da menina do trem fantasma é solucionado com a ajuda de Erin, e acaba colocando Devin em risco. O assassino de Linda finalmente aparece, mas quer matar Dev, e esse é o momento mais tenso do livro. A cada capítulo eu esperava que o espírito de Linda Gray iria aparecer para Devin ou assustar alguém de uma forma tão sinistra que eu nem conseguiria dormir, mas acontece algo pior que isso: a expectativa de ver o fantasma dá mais medo do que a aparição em si.

Nem tudo são flores nesse final, mas achei muito bem construído e bastante satisfatório. O livro não é tão macabro quanto outros de King, mas o terror psicológico deixa a marca do autor na estória. A ansiedade e a apreensão dominam a leitura e a falta de sustos de tirar o fôlego podem ter decepcionado alguns fãs do autor, mas eu gostei bastante da sensação de medo que o livro me deu.

Com um enredo bem elaborado e personagens marcantes, Joyland pode agradar a quem ainda não conhece o estilo de Stephen King, e ser a porta de entrada para outros livros mais pesados. O suspense está presente durante toda a narrativa, e não dá para saber que rumo a estória vai tomar, nem tampouco imaginar quem foi o responsável pela morte da menina no trem fantasma. Prova de que King é capaz de criar uma estória leve e pesada ao mesmo tempo, carregada de mistério e repleta de humanidade.





Joyland
Stephen King
editora Suma de Letras
240 páginas

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Joana leu: O lado feio do amor, Colleen Hoover

Joana leu: O lado feio do amor, Colleen Hoover
"Quando Tate Collins se mudou para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo... apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor. O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo."


Tate e Miles, mais um casal memorável criado por Colleen Hoover. Vocês sabem que eu sou apaixonada pelos livros dela, e não tenho mais adjetivos para elogiá-la. Então, o que eu posso dizer é: leiam!

Nesse livro, Colleen caprichou no sofrimento, mas como sempre, temos um caso de amor forte e que desafia o psicológico do leitor. Tate é uma jovem decidida, bem esclarecida, que vai morar com o irmão para terminar seu mestrado em enfermagem. Corbin, o irmão, é piloto de avião, e fica muito tempo fora de casa. Apesar disso, eles são muito amigos e sempre se deram bem.

Assim que chega à porta do apartamento de Corbin, Tate encontra um cara bêbado, caído no chão e obstruindo sua passagem. Falando ao telefone com o irmão, ela descobre que o cara é seu amigo e mora no apartamento em frente. Tate sente pena do bêbado e o coloca para dentro do apartamento, deixando que ele fique na sala. Mas, antes de ir para seu quarto, ela o ouve dizer o nome Rachel. Tate vê naquele cara estranho uma beleza interessante, e fica curiosa para saber o que o deixou assim, tão acabado e chorando por uma mulher.

Conforme os dias vão passando, Tate vai prestando mais atenção em Miles, e ele é um enigma: quase não sorri, não tem namorada e está sempre trabalhando. Mas apesar do mal humor eterno, ela começa a se interessar. Tudo muda quando os três vão passar o dia de ação de graças na casa dos pais de Tate e Corbin. Lá Miles se machuca, e ela faz um curativo nele, o que acaba deixando os dois num momento intimo e inesperado, e tudo se confunde na cabeça dela.

Como um envolvimento é certo, Miles propõe a Tate um acordo: ele quer muito ficar com ela, mas precisa que ela aceite suas condições de nunca perguntar sobre seu passado e nunca esperar nada do futuro. Ansiando por poder finalmente ficar com Miles, Tate aceita. Mais tarde, ela acaba percebendo que isso não daria certo.

A cada encontro clandestino, a cada transa, ela vai ficando mais e mais ligada a ele, e sente que está se apaixonando por Miles. Por outro lado, durante o sexo ela percebe que ele também sente algo por ela, mas assim que tudo acaba, ele volta a ficar distante. Uma verdadeira confusão de sentimentos.

A certa altura dessa relação maluca, Tate tenta descobrir o que o deixou assim tão frio, e isso é um problema, já que ele havia deixado claro que nunca falaria sobre o passado. O mais legal é que o leitor vai descobrindo os traumas de Miles a cada capítulo, já que eles vão se intercalando entre o presente, enquanto Miles e Tate estão juntos, e o passado dele e tudo o que ele sofreu quando se apaixonou por Rachel. Foi mesmo um momento difícil na vida de Miles, e seus traumas são totalmente justificados.

Gostei demais dessa estória, e achei muito legal a Colleen focar a narrativa no personagem masculino. Miles é um caso perfeito para Freud, e em alguns momentos dá uma raiva enorme dele. Mas, quando descobrimos tudo por quê ele teve que passar, e como ele sofreu para superar tanta dor, acabamos nos afeiçoando e tentando encontrar uma maneira de ajudá-lo a ver as coisas por outra perspectiva. Acho que é exatamente assim que Tate se sentia em relação a ele.

E a autora tem aquele jeito incrível de escrever que conquista, todo delicado e amoroso. Para quem curte romance, os livros dela são perfeitos, e esse não é diferente: tem muitos momentos legais, que com certeza vão arrancar sorrisos e suspiros das leitoras mais sensíveis. Miles é um personagem cativante: se não bastasse ser lindo e enigmático, ele também é romântico, e enquanto ele conta a visão dele do passado, em alguns momentos, a autora utilizou uma forma mais poética para escrever, o que, na minha opinião deixa tudo mais interessante.

Sei que a resenha está imensa, mas eu gostei tanto desse livro que preciso espalhar pelo mundo o quanto ele é bom, e preciso convencer a todos que O lado feio do amor deve ser lido, imediatamente. Esse livro entrou para os meus preferidos da vida, e torço para que vocês possam sentir o mesmo.




O lado feio do amor
Colleen Hoover
editora Galera Record
336 páginas

Joana Masen
@joana_masen

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Joana leu: Só por hoje e para sempre, Renato Russo

Joana leu: Só por hoje e para sempre, Renato Russo
"Entre abril e maio de 1993, Renato Russo passou vinte e nove dias internado numa clínica de reabilitação para dependentes químicos no Rio de Janeiro. Durante esse período, o músico seguiu com total dedicação os Doze Passos, programa criado pelos fundadores dos Alcoólicos Anônimos, que incluía um diário e outros exercícios de escrita. É este material inédito que vem à tona depois de mais de vinte anos nesse livro, graças ao desejo de Renato de ter sua obra publicada postumamente. Entremeando as memórias do líder da Legião Urbana com passagens de autoanálise e um olhar esperançoso para o futuro, este relato oferece a seus fãs, além de valioso documento histórico, um contato íntimo com o artista e um exemplo decisivo de superação."


Quando soube da existência desse livro, fiquei muito curiosa para lê-lo, porém, com uma certa desconfiança de que seria apenas um relato triste e deprimente sobre os sofrimentos de Renato Russo, algo que quisesse apenas explorar o sucesso do cantor para vender livros. Graças ao céus, eu estava errada.

O livro é uma compilação dos escritos que Renato reuniu durante os vinte e nove dias que esteve internado na clínica de reabilitação Vila Serena, como parte de seu tratamento. Além das reflexões acerca de sua própria vida, ele também escrevia sobre a esperança que tinha em sua recuperação e os planos para seu futuro, como a vontade que tinha de se tornar cineasta no final da vida, quando estivesse mais velho. Todos os seus defeitos e qualidades estão expostos aqui, e, como sabemos, a convivência com ele deveria ser extremamente difícil: ele se considerava muito especial, acima de qualquer outra pessoa, como o gênio que ele realmente era. Pedante, egocêntrico e esnobe, porém, um dos maiores artistas de todos os tempos.

Os Doze Passos que deviam ser seguidos durante o tratamento, incluíam manter um diário - de onde saiu a maioria do material para o livro - e o preenchimento de algumas fichas de atividades, onde Renato registrava tanto suas opiniões sobre os encontros com outros internos quanto as descobertas que fazia sobre si mesmo. Essas descobertas seriam o alicerce para sua recuperação, e incluíam reconhecer seus pontos fracos e defeitos, trabalhá-los e tentar melhorá-los de forma que essa melhora o fortificasse e lhe desse confiança para enfrentar o dia a dia sem o subterfúgio das drogas e da bebida.

Aqui é possível conhecer um pouco do lado genial de Renato, e toda a dor que isso lhe causava. Sua dependência química também o fazia sofrer, e ele se arrastava cada vez mais para o fundo do poço, até que decidiu mudar. A reabilitação iria ajudá-lo a lidar com seus sentimentos mais perturbadores e o fazer encarar a realidade: ele não era melhor que ninguém e tinha que encarar isso. Durante a leitura de suas anotações nas fichas de atividades, dá para perceber que ele, apesar de ser visto como um deus pelos fãs, era apenas humano, como qualquer um de nós.

É uma leitura essencial para os fãs da Legião e de Renato: desperta sentimentos intensos no leitor, e traz de volta aquela saudade do cantor, que sentimos desde a sua morte em 1996. Saber que tudo aquilo foi escrito por ele, nos coloca um pouquinho mais perto da pessoa por trás do ídolo. Além disso, o livro nos obriga a repensar nossa própria vida, nossa relação com aqueles que amamos, e nossos planos para o futuro, lembrando que não devemos ter medo de viver.

Em cada página do diário, Renato Russo está de coração aberto, exposto, sensível. E é latente a evolução psicológica do paciente durante o tratamento: de início ele está arredio e desconfiado, sempre mal humorado e ainda considerando as outras pessoas como idiotas e irritantes, e mais para o final, em suas últimas anotações, é visível que ele aceita mais o outro, compreende sua existência num todo e sua importância no grupo. Como ninguém é perfeito, ele tem consciência de que não conseguirá alcançar êxito em todos os pontos exigidos, mas também sabe que tudo o que conquistou durante a internação é o início da mudança definitiva que ele buscava (e precisava) para sua vida.

Cada passo dado por Renato na reabilitação é emocionante, e se você é fã da banda, irá sentir ainda mais. Ainda que não seja fã, certamente você conhece alguém que busca recuperação de dependência química, e sabe o quanto essa situação é dolorosa, não só para o dependente, mas para todos em sua volta. Leia o livro como um incentivo para refletir sobre suas atitudes diárias, e até como uma dica para ajudar quem precisa.

O que eu mais gostei no livro foi conseguir entender melhor algumas letras das músicas do álbum O descobrimento do Brasil, lançado em 1993, como Vinte e nove e Só por hoje, que tiveram influência clara de sua passagem pela clínica. Perder Renato Russo há quase vinte foi um duro golpe, mas, como todo grande poeta, ele nos deixou uma obra imensa, que poderá ser reverenciada por um longo tempo. Leitura emocionante e edificante, super recomendada para todos.



Só por hoje e para sempre - diários do recomeço
Renato Russo
editora Companhia das Letras
168 páginas

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Joana leu: A playlist de Hayden, de Michele Falkoff

Joana leu: A playlist de Hayden, de Michele Falkoff
"Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola, o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente. Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava."



Imaginem chegar a casa de seu melhor amigo, depois de uma noite confusa em que vocês se desentederam, pronto para pedir desculpas, e encontrá-lo morto. Pois é assim que começa a estória de Sam: ele é a primeira pessoa a ver o corpo sem vida de Hayden, seu único amigo, e entra em pânico.

Sam não entende porque o amigo decidiu tirar a própria vida, e se sente totalmente culpado por isso, lembrando da discussão que tiveram na noite anterior à sua morte. Ele também não entende bem o motivo por terem brigado, já que Hayden demonstrou um comportamento estranho aquela noite, mas não deu nenhum sinal de que estava prestes a se suicidar.

Para piorar a situação de Sam, Hayden deixou para ele um pendrive com uma playlist e um bilhete que dizia "Ouça, você vai entender", mas que no fundo não explicava nada. Sam passa a ouvir incessantemente as músicas separadas pelo amigo, mas não consegue encontrar nenhuma resposta ali, e isso o deixa muito frustrado.

Com a confusão do funeral e a falta que sentia do amigo, Sam fica vários dias sem dormir, e começa a ver coisas, como um mago, que era o personagem de Hayden no game que eles jogavam online, que falou com ele pelo chat e depois se materializou em seu quarto. Sam acredita que está ficando louco pela falta de sono.

Do nada surge uma garota que diz ter sido amiga de Hayden, e que agora quer se aproximar de Sam. Ela é bonita e inteligente, divertida e diferente das outras meninas do colégio, e, mesmo sem querer, Sam acaba se interessando por ela. Além disso, ele acredita que ela poderá ajudá-lo a descobrir porque Hayden se matou.

Muitos motivos podem ter levado a essa decisão de Hayden, e um deles é o bullying que sofria pela turma do próprio irmão mais velho. E isso também é uma das razões que fazem Sam ficar ainda mais culpado pela perda do amigo, já que, reanalisando os fatos, ele percebe que nunca defendeu Hayden contra os ataques do irmão e seus amigos.

A trama do livro é bem interessante, com vários detalhes na personalidade dos personagens que fazem com que o leitor faça conexões, tentando ele mesmo descobrir o que realmente aconteceu na festa que levou Hayden a se suicidar. Além do relacionamento de Sam com sua família, também é possível acompanhar a interação dele com uma nova turma de amigos, direcionado por Astrid. É uma situação estranha para ela, que até então teve apenas um amigo, mas ele vai se adaptando aos poucos.

O que mais gostei no livro foi o crescimento e o desenvolvimento emocional de Sam perante às dificuldades. Ele vai juntando as peças e decifrando o que aconteceu na festa em que brigou com Hayden, e entendendo que nem tudo foi culpa sua, e que, na verdade, ele não conhecia realmente o amigo como achava que conhecia. E no fim das contas, será que ele também não guardava nenhum segredo de Hayden?

Apesar de o livro focar na playlist desde o título até a divisão dos capítulos em uma música temática para cada um, eu não consegui fazer relação entre as músicas da playlist e os acontecimentos que levaram ao suicídio de Hayden. Gostei muito da playlist, mas, infelizmente, o objetivo da autora não foi totalmente atingido aqui. Se alguém já tiver lido o livro e entendido qual é a relação, por favor, deixe nos comentários.

E se vocês ainda não leram A playlist de Hayden, comecem agora mesmo, vale a pena entender um pouco mais o bullying praticado pelos adolescentes, e discutir o assunto para que ele não se torne comum em nossas vidas.

A editora Novo Conceito disponibilizou um site com todas as músicas citadas no livro. Ouçam, e tentem entender clicando aqui.


A playlist de Hayden
Michelle Falkoff
editora Novo Conceito
288 páginas
Joana Masen
@joana_masen



quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Joana leu: Dois garotos se beijando, de David Levithan

Joana leu: Dois garotos se beijando, de David Levithan
Dois garotos se beijando
David Levithan
editora Galera Record
224 páginas
"Os dois meninos se beijando são Craig e Harry. E esse não é um beijo qualquer: eles estão tentando quebrar o recorde mundial do beijo mais longo. É preciso muita coragem, pois estão do lado de fora da escola, ao ar livre, rodeados por câmeras e por uma multidão, que em part apoia e em parte repudia o que estão fazendo. Craig e Harry não são um casal, mas já foram um dia. Além deles, outros meninos têm suas histórias narradas nesse livro de David Levithan, que tem como tema central, acima de qualquer coisa, o amor. E, através dele, a coragem para lutar por um mundo onde esse sentimento nunca seja sinônimo de tabu."

E David Levithan conseguiu mais uma vez: me fisgou com sua estória delicada e cheia de significados. A princípio achei a narrativa muito confusa, e muito séria, com algumas frases que pareciam fazer parte de um manifesto. Mas aos poucos foi ficando mais leve e próxima do estilo do autor nos outros livros.

A base da estória é o ex-casal Harry e Craig, que decidem se beijar por 32 horas, 12 minutos e 10 segundos, para quebrar o recorde anterior de dois garotos se beijando, a fim de mostrar ao mundo que não há nada demais em dois meninos se beijarem, ou duas meninas, um menino e uma menina. E esse beijo vai sendo contado aos poucos, com todas as implicações que ele exige, ao longo de todo o livro.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Joana leu: Por um toque de ouro, de Carolina Munhóz

Joana leu: Por um toque de ouro, de Carolina Munhóz
Por um toque de ouro
Carolina Munhóz
editora Fantástica Rocco
272 páginas
"Depois do bem-sucedido 'O reino das vozes que não se calam', a escritora Carolina Munhóz apresenta o primeiro livro da Trindade Leprechaun, sua prmeira trilogia, inspirada nas lendas irlandesas e ambientado na Dublin contemporânea. Uma jovem ligada ao mundo fashion descobre ser a herdeira de uma rara linhagem de seres mágicos cnsiderados guardiões de potes de ouro, e com essa descoberta também vem o desafio de tentar manter seu dom, se protegendo de pessoas mal intencionadas, que desejam apenas roubar o seu poder."

Emily O'Connell é uma menina que tem tudo o que quer: a família é muito rica, ela tem liberdade total para fazer o que quiser sem dar satisfações para ninguém, e seus pais são extremamente liberais e aceitam trabquilamente todas as suas atitudes. Ela vive em baladas, bebe, fica com quem quiser e aproveita tudo o que o dinheiro pode lhe dar. Emily também ajuda os pais desenhando algumas peças para a grife de sapatos e bolsas da família, que é sucesso mundial. Além de tudo isso, ela é muito boa no poquer, e ganha milhões na mesa de jogo facilmente. Sua sorte parece não ter fim.

O que ninguém imagina, nem mesmo a própria Emily, é que todas essas coisas têm origem num poder especial que ela possui, herdado de seu pai: o toque de ouro. Tudo em que eles se envolvem dá certo, eles quase nunca ficam doentes e a fortuna da família só aumenta a cada dia. E Emily curte a vida sem se preocupar com nada, até que numa noite algo dá errado.

De repente, ela se vê num lugar escuro, beijando um cara que ela não sabe quem é, e tenta sair dali, mas ele a segura e tenta estuprá-la. Sem saber como ou porquê, Emily afasta o agressor com um grito, e o lança contra a parede, de onde ele fica olhando para ela, apavorado. A partir dessa noite, a vida dela começa a ficar estranha.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Joana leu: A fada, de Carolina Munhóz

Joana leu: A fada, de Carolina Munhóz
A fada
Carolina Munhóz
256 páginas
editora Fantasy Casa da Palavra
"Alguns jovens ganham presentes caros, passagens aéreas ou festas surpresas em seus aniversários de 18 anos. Melanie Aine ganhou o falecimento do pai, uma estranha tatuagem e a descoberta de que não era um ser humano. Como se tudo isso não fosse suficiente, Melanie ainda descobriu por detrás da enevoada e mística cidade de Londres um mundo fantástico que até poderia ignorar, se não descobrisse ser parte importante dele. Um legado que traz com ele diversas tragédias e problemas pessoais que ela não espera se adaptar, mas não sabe se terá opção. A única parte recompensadora parece ser seu encontro com um homem misterioso, oriundo de uma família bruxa poderosa, cuja relação caminha em uma linha bamba e tênue que separa afeto e fúria. Um afeto que pode levá-la à transcendência e à vida eterna. Uma fúria que pode conduzí-la à morte e ao esquecimento. Dentre muitos feitiços, lutas, criaturas mágicas e eventos sobrenaturais, 'A fada' é uma história de descobertas e superações, sobre como o amor pode fazer várias pessoas redescobrirem a vida e a magia nela." 

Esse foi o primeiro livro escrito por Carolina Munhóz, e ela era bastante jovem quando o fez. Isso fica bastante evidente durante a leitura; apesar de a estória ser consistente e possuir uma boa trama, ela é meio infantil, e até a linguagem usada pela autora contribui para essa condição.

No dia em que completou 18 anos, a jovem Melanie Aine ganhou uma tatuagem misteriosa, e perdeu seu pai de repente, ficando sozinha no mundo, já que sua mãe tinha ido embora. Morando em Londres, isolada de quase todos, exceto de um casal amigo dono de um pub, Mel passa seus dias lamentando suas perdas e tentando entender porque é diferente. Ela sabe que tem uma missão, mas ainda não descobriu qual.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Joana leu: A menina submersa, de Caitlin R. Kierman

Joana leu: A menina submersa, de Caitlin R. Kierman
A menina submersa: memórias
Caitlín R. Kierman
editora Darkside Books
320 páginas
"Um conto de fadas, uma estória de fantasmas habitada por sereias e licantropos, mas, antes de tudo, uma grande estória de amor construída como um quebra-cabeças pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Considerado uma obra-prima do terror da nova geração, esse romance é repleto de elemntos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica. sendo o vencedor do Bram Stoker Awards 2013."

Pela sinopse não fica muito claro sobre o que fala esse livro. Bem, ele se vende como uma estória de fantasmas, um terror que deixará o leitor com os cabelos em pé, mas isso não aconteceu comigo.

A protagonista, India Morgan Phelps, ao apenas Imp, é herdeira de uma doença mental que matou sua mãe e avó, e ela tem que viver sob efeitos de remédios o tempo todo para conseguir viver normalmente. Ela trabalha e como hobby pinta alguns quadros. E também está escrevendo essa estória de fantasmas.

Imp a princípio é uma personagem fascinante; consciente de seus problemas mentais, porém, muito tranquila e inteligente. Ela tem uma forte ligação com um quadro chamado 'A menina submersa', que vira certa vez num museu, e é poro causa dessa obra que sua vida começa a mudar.

Certo dia Imp está andando pela rua e encontra mobília e alguns objetos empilhados na calçada, e começa a mexer nesles para tentar aproveitar alguma coisa. É nesse momento que a dona daquelas coisas aparece e fica brava com Imp. Essa mulher acaba revelando que não tem para onde ir e que está sendo despejada pela antiga namorada. Imp a convida para ficar em sua casa, e assim nasce o relacionamento dela com Abalyn.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Joana leu: Perdida, de Carina Rissi

Joana leu: Perdida, de Carina Rissi
Perdida
Carina Rissi
editora Verus
364 páginas
"Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam. Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de como voltar para casa - ou se isso sequer é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo presente, ela é acolhida pela família Clarke. Com a ajuda do prestativo - e lindo - Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba encontrando pístas que talvez possam ajudá-la a resolver esse mistério e voltar para sua tão amada vida moderna. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos..."

No mundo em que vivemos hoje, é praticamente impossível pensar em viver sem toda a tecnologia disponível, não é mesmo? Então imaginem se, de repente, tudo o que temos desaparecesse e nós voltássemos um século no tempo? Foi o que aconteceu com Sofia: ela, que é extremamente dependente eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, foi parar numa fazenda onde o banho era preparado por empregados e papel higiênico não existia.

Logo no início do livro já podemos perceber que Sofia é uma sonhadora: apesar de ser muito profissional e responsável com seus compromissos de trabalho, no fundo ela quer encontrar o príncipe encantando que ela conhece dos romances que lê. A Sofia é daquelas pessoas que guardam sua vida no celular, e toda essa confusão em que ela se envolve começa exatamente por um problema com o aparelho.

Depois de deixar o celular cair na água, ela vai até uma loja para comprar um novo, e é atendida pela vendedora mais estranha que já viu, com um ar misterioso que, a princípio, deixa Sofia intrigada, mas que no final a acaba convencendo a comprar um aparelho de celular um pouco estranho.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Joana leu: A mais pura verdade, de Dan Gemeinhart

Joana leu: A mais pura verdade, de Dan Gemeinhart
A mais pura verdade
Dan Gemeinhart
editora Novo Conceito
224 páginas
"Em todos os sentidos que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro chamado Beau e uma grande amiga, Jessie. Ele gosta de fotografar e de escrever haicais em seu caderno. Seu sonho é um dia escalar uma montanha. Mas, em certo sentido, um sentido muito importante, Mark não tem nada a ver com as outras crianças. Mark está doente. O tipo de doença que tem a ver com hospital. Tratamento. O tipo de doença da qual algumas pessoas nunca melhoram. Então, Mark foge. Ele sai de casa com sua máquina fotográfica, seu caderno, seu cachorro e um plano. Um plano para alcançar o topo do Monte Rainier. Nem que seja a última coisa que ele faça."

Quando a Novo Conceito me enviou a degustação desse livro, eu fiquei decepcionada por ter terminado aquelas poucas páginas sem saber o que ia acontecer com Mark, e de tanta ansiedade para descobrir o final da sua aventura, nem esperei eles me mandarem o livro completo, fui na loja e comprei. E valeu a pena.

Mark é um menino que tinha uma vida como a de qualquer criança, até que foi diagnosticado com câncer. A notícia abalou a família e sua melhor amiga Jessie, que ele conhece desde sempre, e com quem compartilha tudo. Então, entre os longos tratamentos no hospital, a perda dos cabelos e alguns períodos de melhora na doença, ele se interessa em conhecer o Monte Reinier, que seu avô vivia dizendo que um dia iria escalar.

Além da montanha, ele gosta de fotografia, também influenciado pelo avô, e de escrever haicais. Ele tem uma máquina fotográfica antiga, daquelas de filme, que pertenceu ao avô, e um caderno onde escreve seus haicais.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Joana leu: Sem esperança, de Colleen Hoover

Joana leu: Sem esperança, de Colleen Hoover
Sem esperança
Colleen Hoover
editora Galera Record
320 páginas
"Assombrado pela culpa e pelo remorso por não conseguir salvar Hope nem Less, Holder desenvolveu uma personalidade agressiva. Mas, quando finalmente se depara com Hope depois de tantos anos, não poderia imaginar que o sofrimento seria ainda maior após esse reencontro. Em 'Sem esperança', Holder revela como os acontecimentos da infância de Hope, que agora se chama Sky, afetaram sua vida e sua família, fazendo-o buscar a própria redenção na possibilidade de salvá-la. Mas é apenas amando Sky que ele finalmente será capaz de começar a se reconciliar com si mesmo."

*** esta resenha pode conter spoilers

Depois de conhecermos os dramas de Sky em "Um caso perdido" (resenha aqui), agora podemos saber  exatamente a visão de Holder para tudo: como ele se sentiu quando a amiga Hope desapareceu, e as consequências que essa perda teve em todos os momentos de sua vida.

Holder conta alguns detalhes do relacionamento com sua irmã gêmea, Less, além de falar bastante sobre o suicídio dela, e como ele e a mãe tentam continuar vivendo depois dessa tragédia. Como gêmeos, eles eram muito ligados, e Holder sente demais a ausência da irmã: ele teve a infelicidade de encontrá-la morta, e talvez por isso ele sofra ainda mais com a morte dela. Para tentar aplacar um pouco a saudade e até colocar pra fora todos os sentimentos que tomaram conta dele, Holder passa a escrever num diário algumas cartas para Less, narrando os acontecimentos do seu dia a dia, e até questionando as razões que levaram a garota a tirar a própria vida.

Em meio a todos esses problemas, Holder acaba perdendo a cabeça no colégio, e bate num garoto que falou mal de sua irmã. Ele exagera um pouco na surra e acaba sendo preso por agressão. Holder é solto rapidamente, e decide ir morar por um tempo com seu pai, longe de tudo aquilo que o tem feito sofrer. Quando ele retorna para tentar retomar sua vida com mais tranquilidade, acaba dando de cara com uma pessoa idêntica a Hope.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Joana leu: Invisível, de David Levithan e Andrea Cremer

Joana leu: Invisível, de David Levithan e Andrea Cremer
Invisível
David Levithan e Andrea Cremer
Galera Record
322 páginas
"Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova Iorque, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth: recém chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia, a possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à opção sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba um sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... ela o vê!"

Quando li a sinopse desse livro pensei: "oba, uma estória bem diferente!". Ela é realmente diferente, tanto que tomou rumos totalmente inesperados durante a leitura. Imaginem passar a vida inteira sendo invisível para todos, inclusive para sua própria mãe. Pois é assim o protagonista do livro, Stephen, que nunca foi visto por ninguém, nem por si mesmo, já que nem o espelho reflete sua imagem. Mas como a mãe dele sabe que ele existe? Ao nascer ele podia ser sentido quando tocado, mas depois que cresceu, nem isso. A única coisa que comprova sua existência é sua voz.

Então Stephen cresceu num apartamento convivendo apenas com a mãe, até que ela morreu e ele ficou totalmente sozinho para se adaptar ao mundo dada a sua condição. No começo ele pensou que não ia conseguir viver, mas aos poucos foi aprendendo a lidar com sua não-existência para o mundo. Ele criou uma rotina que envolvia passar muito tempo dentro do apartamento ou caminhar pelo parque e observar as pessoas. Para comer, ele pedia tudo pelo telefone, e o pai, que se separou da mãe quando ele era muito pequeno, pagava suas contas e nunca aparecia para saber como ele estava.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Joana leu: Ensaio sobre a cegueira, de Jose Saramago

Joana leu: Ensaio sobre a cegueira, de Jose Saramago
Ensaio sobre a cegueira
Jose Saramago
editora Cia. das Letras
312 páginas
"Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma treva branca, que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. Esse livro é a fantasia de um autor que nos faz lembrar ´a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam'. José Saramago nos dá aqui uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu."


Ler esse livro é uma tarefa tão árdua quanto satisfatória: uma narrativa intensa, que exige do leitor toda a sua atenção e capacidade de raciocínio. Saramago criou brilhantemente um universo que apavora, mas que deixa bem claro a todo momento que não somos tão importantes como acreditamos ser.

Repentinamente, e sem qualquer explicação, as pessoas começam a ficar cegas, e esse mal súbito vai se espalhando como uma grave epidemia, atingindo muitas pessoas num curto período de tempo. Quando as autoridades decidem tomar uma providência, não sabem ao certo como agir, nem para cuidar daqueles que já cegaram, nem para proteger os que ainda exergam para que não sejam contaminados também. Então, para tentar resolver a situação, eles decidem isolar todos os cegos - e aquelas pessoas que já tiveram contato direto com algum deles - num manicômio desativado, que, teoricamente, teria capacidade para acomodá-los com o mínimo de conforto.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Joana leu: The walking dead - a ascensão do governador, de Robert Kirkman e Jay Bonasinga

Joana leu: The walking dead - a ascensão do governador, de Robert Kirkman e Jay Bonasinga

The walking dead - a ascensão do governador
Robert Kirkman e Jay Bonasinga
editora Record
361 páginas
"No universo de The Walking Dead não há maior vilão do que o Governador. Ele é o déspota que governa a cidade isolada de Woodbury e tem doentias noções de justiça: seja forçar os prisioneiros a combater zumbis na arena para divertimento dos locais, seja destroçar violentamente aqueles que o confrontam. O Governador é um vilão que tão cedo não se esquece e a sua história é uma das mais controversas que Robert Kirkman, criador da estória, alguma vez concebeu. Agora, pela primeira vez, os fãs irão descobrir como é que o Governador se tornou esse homem implacável e aquilo que o levou a tais extremos."

Na primeira semana após o início do surgimento dos zumbis, Philip Blake, seu irmão Brian, seu amigo Nick e sua pequena filha Penny, tentam fugir das hordas de mortos-vivos e encontrar um local seguro para viverem, então, saem em busca de uma comunidade que parece estar se formando em Atlanta, com pessoas que conseguiram escapar dos ataques dos mordedores. O trajeto é cheio de surpresas e dificuldades que os desafiam o tempo todo e testam o limite da resistência física e psicológica deles.

Philip é claramente o chefe do grupo, aquele responsável por tomar as decisões mais difíceis e proteger os companheiros, zelando por sua segurança. Ele não tem medo de nada e só pensa em encontrar um lugar onde possa criar sua filha de maneira normal, longe dos zumbis que os ameaçam o tempo todo.

Em contrapartida, Brian, irmão mais velho, é um fraco: não consegue tomar a frente de nada, não é capaz de matar nenhum zumbi, mesmo que sua vida dependa disso, e fica junto com o grupo apenas por ter um laço de sangue com Philip e ajudar a cuidar de Penny. Se não bastasse tudo isso, ele ainda tem a saúde fragilizada e está a beira de contrair uma grave pneumonia, nesse cenário pós apocalíptico onde é quase impossível conseguir remédios, roupas e comida, além de um lugar quente para se proteger do frio.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Joana leu: A filosofia de Tyrion Lannister, de George R. R. Martin

Joana leu: A filosofia de Tyrion Lannister, de George R. R. Martin
A filosofia de Tyrion Lannister
George R. R. Martin
editora Leya
160 páginas
"'A filosofia de Tyrion Lannister' é o presente perfeito para os fãs da série da HBO, Game of Thrones. Uma coleção de frases espirituosas de um dos mais sagazes e carismáticos personagens de todos os tempos. Os invejosos dos Sete Reinos podem chamá-lo de 'meio homem', mas ninguém jamais acusou Tyrion Lannister de ter uma inteligência pela metade. Sua língua afiada salvou sua pele mais vezes do que o colocou em perigo. Esta edição especial e totalmente ilustrada guarda seus mais profundos ensinamentos para as gerações futuras, trazendo todo seu conhecimento sobre os mais variados temas, como: a arte da persuasão, as delícias da mesa, saúde, a política real e, claro, os atrativos do sexo oposto."

Como bem resumiu a sinopse acima, esse livro é inteiramente dedicado aos fãs de GoT e, principalmente, aos admiradores da sagacidade do personagem Tyrion Lannister, o anão renegado pelo próprio pai e famoso entre as mulheres. Ele não mede as palavras e é muito inteligente, e como ele mesmo gosta de dizer, ele tem que se destacar com a inteligência, já que não é respeitado por sua altura, nem tampouco por seguir as tradições de sua família.

O livro é uma compilação das melhores frases do Imp, separadas por tema - aqueles preferidos do pequeno Lannister: sabedoria, família, comida, bebida, mulheres, música e até como salvar sua pele.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Joana leu: Adormecida, de Anna Sheehan

Joana leu: Adormecida, de Anna Sheehan

"Adormecida"
Anna Sheehan
editora Lua de Papel
272 páginas
"Rose Fitzroy dormiu por décadas, imersa num sono induzido. Mais de 60 anos esquecida num porão deram a ela o status de desaparecida enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo. Despertada como por encanto por um belo jovem e descobrindo-se herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco tudo o que aconteceu em sua ausência. Ela descobre que seus pais estão mortos, e o que o rapaz por quem ela era apaixonada agora não passa de uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que, como todos imaginam, irá de assumir seu lugar à frente dos negócios. Dentre tantas mudanças, fica difícil para Rose reconhecer quem é amigo e quem é seu verdadeiro inimigo."

Desde o título até a capa, esse livro nos passa a imagem de uma estória meiga, leve e que remete bastante à fábula "Bela Adormecida", mas não se deixem levar pela primeira impressão: na verdade, ele passa bem longe disso, com um enredo tenso, e 99% diferente do clássico da Bela.

A protagonista Rose é acordada com um beijo dado por um lindo menino, que a tira de um sono de 60 anos induzido por um processo chamado estase, onde, basicamente, ela entra num tubo que a envolve em gases que a fazem adormecer. Meio atordoada pelo despertar repentino, ela percebe que está num mundo totalmente diferente daquele em que entrou em estase: seus pais morreram, seu namorado também, e todos que ela conhecia não estão mais ali. Os adolescentes têm novas gírias e a tecnologia evoluiu ainda mais. 

Rose é a única herdeira do império criado por seus pais, a UniCorp, uma empresa que atua praticamente em todos os ramos do mercado e, aparentemente, foi o pilar da salvação do mundo durante os tempos sombrios, onde milhares de pessoas morreram com tuberculose ou envenenados pelos próprios alimentos. Quem cuida da corporação é um homem muito arrogante chamado Guillory, e que logo de cara mostra que não quer perder seu cargo na UniCorp, deixando Rose com uma má impressão sua. Na verdade, Rose nunca quis ser empresária, nem tampouco responsável por tantas empresas e pessoas, ela só queria desenhar, pintar seus quadros e desenvolver sua arte.
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