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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Lady Bird é o filme que queria ver no Oscar

Lady Bird é o filme que queria ver no Oscar
Possivelmente a primeira coisa que passa pela nossa cabeça quando falamos em cinema são histórias fantásticas, talvez de super-heróis e coisas extraordinárias. Se o assunto for indicados ao Oscar, nossa imaginação fica ainda mais pronta pra falar de grandes produções, roteiros fortes e projetos cheios de ambição. É claro que isso tudo faz parte desse universo, mas pode ser que a gente acabe esquecendo que o cinema também o espaço pra contar histórias comuns, de gente como eu e você. Esse foi o encantamento que senti quando assisti Lady Bird. De que aquela era uma história que misturava algo que gostaria de ter sido com algo que eu também era na minha adolescência.


Esse é um filmes indicado a Melhor Filme no Oscar desse ano, que nos conta a história de Lady Bird, uma adolescente que vive em Sacramento, Califórnia - e que têm uma vontade enorme de conquistar o mundo. Estamos falando daquela fase de descobertas, que a gente não sabe muito bem o que quer da vida e que estamos prontos pra colocar todos os nossos planos em prática, já que dentro da nossa cabeça o mundo está ali só esperando pra ser conquistado, mesmo que isso nos dê um medo danado. O mais lindo da coisa toda, é que esse é filme criado por mulheres, retratando a vida de uma garota. Quantas vezes vimos isso acontecer no cinema? Um longa falando de uma vida comum, sem intrigas, dramas femininos e garotas brigando por causa de garotos, conversando com meninas como nós.


Em muitos momentos eu senti uma identificação enorme com ela, pensando nos meus anos de adolescente. Eu entendia as motivações dela em querer mudar de vida, de querer conhecer o mundo. Das dificuldades financeiras, de não entender o seu lugar e o seu papel na sociedade. De questionar nossas crenças, do desajuste nas relações familiares dessa fase. Das amizades entre meninas e da incógnita entre meninos. Do peso das escolhas por não entender exatamente o que elas significam.

A verdade é que não há um grande plot por trás de Lady Bird e essa é a maior conquista o filme tem a nos oferecer. Eu acho que de alguma forma a gente pensou que não fosse permitido contar as nossas histórias, a menos que houvesse um contexto de dor, sofrimento ou superação. Afinal, é assim que é ser mulher nesse mundo: difícil. Porque até então nós nunca pudemos falar sobre o ordinário, como se a vida por si só já não fosse obstáculo suficiente e complicada pra caramba partindo apenas do básico, mesmo. Quando a gente aprendeu que histórias de mulheres deveriam ser contadas, tudo o que queríamos transmitir era a ideia de que olha, apesar de tudo isso que essa mulher viveu, ela venceu, com o intuito de inspirarmos umas as outras. E sabe, isso é muito importante, de verdade, mas a gente esqueceu todas as histórias merecem ser contadas.

Greta Gerwing e Saiorse Ronan (de quem tenho orgulho em saber pronunciar o nome) trabalhando juntas no set

Greta Gerwing, a diretora e roteirista do filme, passou anos trabalhando nessa história enquanto trabalhava em outras produções tão importantes quanto, seja atuando ou colaborando com roteiro e outros projetos por trás das câmeras. Por causa disso, ela consegue nos transmitir algo tão genuíno, tão verdadeiro, tão a gente em alguma fase da nossa vida, que não consigo apontar um momento em que pensei não estar vendo algo real. De certa forma, estamos vendo uma mulher falar sobre a vida dela também, de um ponto de vista que talvez só a gente entenda como é.

Exatamente por isso que é tão incrível ver a produção em categorias importantes no Oscar desse ano - com indicações para Melhor Filme, Roteiro Original, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção - em que Greta é a quinta mulher a ser indicada na categoria desde a primeira edição. Não que seja esperado que o longa vença, mas o reconhecimento da premiação mais importante do cinema é a grande conquista, que abre portas e traz a oportunidade de que histórias como essa continuem a ser contadas. E por tudo isso, Lady Bird era o filme que queria ver no Oscar.


Sandy Quintans
@sandyquintans

sexta-feira, 10 de março de 2017

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico
Fazia um tempo que eu não encontrava um filme que me fizesse um carinho no coração. Sabe quando você termina de assistir e dá uma suspirada de alegria? Foi exatamente essa sensação que eu tive quando vi Capitão Fantástico no fim do ano passado. Confesso que ele entrou na minha lista interminável de filmes repetidos, pois já assisti algumas vezes desde então e é sempre uma experiência nova.


O tal Capitão Fantástico se refere ao personagem de Viggo Mortensen (indicado ao Oscar pelo papel, inclusive), que é pai de seis filhos e dedica a vida para torná-los pessoas extraordinárias. Basicamente, eles vivem no meio da selva e passam por uma série de treinamentos físicos (eles até aprendem a caçar pra sobreviver!) e mentais (estudam absolutamente tudo que já foi escrito pelo homem). É uma ideia louca, mas muito interessante. São crianças extremamente inteligentes, mas ao mesmo tempo super inocentes por viverem em uma floresta, o que acaba gerando um monte de situações super engraçadas.


Algumas pessoas definem o filme como a mistura de Pequena Miss Sunshine e Na Natureza Selvagem e é realmente esse clima que o filme tem. As crianças são todas incríveis e o entrosamento delas é tão legal que já vale as duas horas de história. Sem contar que também levanta questionamentos interessantes sobre educação e as relações familiares. 


Eu não quero ficar falando da trama porque acho que saber demais acaba estragando um pouco a experiência. Acho que até por isso que gostei tanto. É um filme que tem de tudo um pouco e com roteiro e personagens muito bem desenvolvidos, cheios de críticas interessantes, mas que também tem espaço pra emoção. Assistam, sério ♥



Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 4 de março de 2017

Porque a premiação de Moonlight é tão importante

Porque a premiação de Moonlight é tão importante
Eu sei que alguns dias se passaram desde a premiação do Oscar de Melhor Filme para Moonlight e que provavelmente você já leu textos maravilhosos sobre esse êxito. Normalmente, eu iria aceitar que tudo o que foi falado pela internet a fora é o suficiente, mas quando se trata de um filme como esse, nunca é. Precisamos falar e debater sobre a importância de Moonlight, pra que histórias assim nunca deixem de serem contadas. Eu nunca vou achar que é suficiente.


Nas semanas pré-Oscar surgiu uma rixa na internet, igual discussão de partido político, entre pessoas a favor de La La Land e de pessoas maravilhadas com Moonlight. Eu achava uma discussão meio chata porque eu fazia parte das pessoas que amaram os dois filmes. Isso é justificado porque eu conheci histórias como a do Shiron e La La Land era um filme que eu sempre quis assistir e não sabia. O filme de Damien Chazelle é uma homenagem maravilhosa ao universo do cinema, que encheu o coração de alegria daqueles que como eu amam o cinema. Fala sobre possibilidades, sonhos e ainda é musical. Além de reunir dois dos melhores atores da nossa geração, se entregando de corpo e alma pra uma história linda. 

Em um vídeo do youtube eu achei um comentário que resumia muito bem toda a questão entre o público dos dois filmes, que dizia que La La Land era a história sobre quem tinha oportunidades enquanto que Moonlight era sobre quem era privado delas. Sim, é verdade. Apesar de ser em sentidos completamente diferentes, acho que as duas histórias podem trazer contextos quase universais. Afinal, todos nós temos sonhos e também a grande maioria sabe o que é uma história que trata sobre a falta de oportunidades – ainda mais se tratando de um país de desigualdades como o Brasil.  


Mas também somos o lugar que mais mata LGBTs no mundo e passamos a ficar conhecidos por isso. A Ellen Page dedicou um episódio inteiro do Gaycation pra tratar dos problemas no Brasil. Não há o que ser discutido nisso. Eu te pergunto: quantos filmes LGBTs vocês já viram ganhar o Oscar? E quantos com elenco exclusivamente negro? Pois é.

Quando eu perguntei pra uma das pessoas mais incríveis da minha vida como ele havia se sentido em relação a premiação do Oscar pra Moonlight, sendo ele negro e gay, me respondeu: "Ser e ver a representação da minoria da minoria na premiação é vencer e ter a sensação de que apesar de  exclusos, também somos gente". Eu lembro de ter assistido Moonlight pensando o tempo todo nesse meu grande amigo, porque era isso que eu queria que ele visse. Eu que sempre escuto as histórias dele, de luta e das dificuldades em relação a representatividade e identidade. Talvez seja muito complicado pra uma parte da população entender o que é não se sentir representado e como é ser afetado por achar que não existe, pelo fato de não se ver em nenhum lugar.


O mais rico de tudo, é que Moonlight não é apenas pioneiro com a temática, mas em diversos outros aspectos que fogem um pouco dos ganhadores que vimos nesses últimos anos. É um filme de orçamento relativamente baixo perto do que Hollywood costuma produzir (se quiser realmente saber o que é um filme de baixo orçamento e sem recursos, sugiro que pergunte pra Helen). Também é uma história com o roteiro mais aberto que permite interpretação. Basicamente, Hollywood premiou um filme que te possibilita pensar e isso é extremamente importante. Como a Lully bem colocou nesse vídeo maravilhoso, filmes do Oscar normalmente são filmes completamente mastigados e que não te permite reflexão. Com roteiro bem amarradinho, sabe? 

Se você me perguntasse quem iria ganhar o Oscar de Melhor Filme em 2017, eu não saberia te responder. Iria te dizer que ficaria feliz se Moonlight ganhasse, mas que achava improvável por ser independente demais pra uma premiação como essa, poético e totalmente atípico do perfil de filmes ganhadores. E também iria te dizer que provavelmente La La Land seria o ganhador da noite, mas que acharia injusto. Por mais que eu o ame imensamente, ele não precisa desse prêmio. Afinal, Hollywood não precisa de mais um prêmio pra exaltar e enaltecer sua própria grandeza. 


Links maravilhosos pra gente espalhar Moonlight pela internet afora


Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

6 filmes que realmente valem a pena no Oscar 2016

6 filmes que realmente valem a pena no Oscar 2016
Domingo teremos a tão aguardada cerimônia no Oscar. Afinal, este ano o Leonardo ganha ou não ganha, né? Mas este ano resolvi mudar. Eu não larguei o meu fanatismo, mas ao contrário de outros anos não quero falar de todos os filmes que assisti para a premiação, e sim, quais são os longas que realmente fiquei apaixonada. É claro que da lista de indicados eu gostei de muitos outros, mas sabe quando um filme realmente te toca? Então, estes foram os meus:

O Quarto de Jack


Quando eu saí do cinema, meu namorado perguntou se era baseado em fatos reais. Realmente, O Quarto de Jack parece uma história muito verídica, mas pra mim é uma compilação de dezenas de histórias aterrorizantes de sequestros que já vimos nos noticiários. Já imaginou ter um filho dentro do cativeiro e no ambiente que esta criança irá viver? É tudo isso que o filme questiona, mas de uma forma muito legal: pela perspectiva de Jack e o mundo que a mãe criou pra que ele se tornasse o mais saudável possível no quarto. É emocionante do início ao fim.

Creed 


Apesar de não estar na categoria principal e ter apenas uma indicação, eu saí encantada da sessão. Eu sou fissurada em filmes de boxe e Creed tem a vantagem de ser emocionante e resgatar um dos personagens mais legais da luta: Rocky Balboa. É também um daqueles filmes de ir em busca dos sonhos e atingir objetivos. Fala sério, essas coisas são sempre inspiradoras e é exatamente aquele tipo de história que te dá um sorriso no final.

Spotlight


Eu sei, sou suspeita por ser jornalista, mas este é um filme essencial. Ele é baseado em história real e eleva o jornalismo investigativo ao seu mais nobre espaço: o de questionar. Neste caso específico, a posição da igreja católica em relação aos abusos sexuais, principalmente de menores, em um período que nem se quer tocava no assunto.

Mad Max


No meu texto sobre os figurinos do Oscar, citei sobre o quanto fiquei apaixonada pela história que trazia a Imperatriz Furiosa. Por que ele entrou em minha lista pessoal de melhores filmes de 2015? Por ser um filme de ação que é verdadeiramente representativo, que traz os clichês do gênero, mas que também quebra paradigmas.

Brooklin


Este filme é tão bonito, em cada partezinha minuscula dele. A história é inspiradora, os atores estão ótimo, o figurino e a fotografia enche nos olhos de um jeito encatador e o melhor: é um romance, em uma forma deliciosa e não melosa. É uma pena que não tenha muita chance na premiação, mas vale muito a pena.

O Regresso


Até aqui eu, praticamente, só falei dos esquecidos do Oscar, mas o meu verdadeiro amor desta premiação está no longa de Alejandro G. Iñárritu. Este não é apenas um dos melhores da lista deste ano, mas é um dos trabalhos mais incríveis na vida. O roteiro é muito bom, a fotografia espetacular e a atuação de Leonardo DiCaprio é de tirar o fôlego. Sabe o que é o mais louco? É que é uma história baseada em fatos reais.

Está acompanhando acompanhando os filmes do Oscar? Qual o seu preferido?

Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 23 de janeiro de 2016

Os indicados ao Oscar 2016 de Melhor Figurino

Os indicados ao Oscar 2016 de Melhor Figurino
Este ano, quase que resolvo não comentar os indicados a Melhor Figurino do Oscar deste ano. Mas como não trazer uma das nossas categorias preferidas, não é mesmo? E agora que comecei a corrida pra assistir a lista dos indicados, estou encantada com os figurinos da lista. Um mais lindo que o outro. E como sempre, os figurinos de época estão dominando. Isto é inevitável, pois o cuidado necessário para este tipo de trabalho é muito maior, pois contextualiza um período e nos faz acreditar que realmente fomos transportados pra uma outra década.


Carol


Praticamente em todos os anos nós vemos o nome da Sandy Powell por aqui, não é mesmo? Esta mulher domina. E este ano, ela não só foi indicada novamente, como também está concorrendo por dois filmes, É impressionante. Sobre Carol, este foi um dos filmes que já assisti e realmente o figurino desta história faz toda a diferença. É tudo tão lindo e os detalhes são imprescindíveis pra gente entender a personalidade de cada peça desta história de amor.

 

Cinderela


Este é o outro filme pelo qual Sandy Powell foi indicado. Não teria como um conto de fadas da Disney ficar de fora desta categoria, né? São vestidos incríveis, que ajuda a história da Gata Borralheira ficar ainda mais encantadora. É de encher os olhos.

A Garota Dinamarquesa


Eu ainda não tive a oportunidade de assistir a este, mas uma coisa eu sei: apenas pelo trailer já estou encantada. O trabalho é de Paco Delgado, que já foi indicado pelo trabalho em Os Miseráveis. Além deste, foi responsável pelo figurino de diversos filmes espanhóis, como A Pele que Habito e Biutiful.

Mad Max: Estrada da Fúria


Este é um filme de outra época, mas do futuro. Mad Max é um dos meus preferidos do ano passado - com grandes chances de ser o preferido. A história e todo o visual é tão inspirador que dezenas de cosplayers já adotaram o visual meio steampunk do filme. E neste caso, o figurino é uma parte importantíssima na composição da obra, pois ele também é funcional. Afinal, estamos falando em sobreviver num cenário pós apocalíptico, né? A responsável por esta maravilha é Jenny Beaven, que é ganhadora de um Oscar e fez figurino de filmes como O Discurso do Rei, Sherlock Holmes e Dália Negra.



O Regresso


O filme que pode dar a estatueta pra Leonardo DiCaprio, também está na categoria figurino - além de ser uma obra de época. Jacqueline West é a responsável por esta obra, que também já trabalhou em filmes como O Curioso Caso de Benjamin Button, Argo e A Rede Social, além de já ter sido indicada outras três vezes para a categoria.



Sandy Quintans
@sandyquintans

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Documentários do Oscar - Amy Winehouse e Nina Simone

Documentários do Oscar - Amy Winehouse e Nina Simone
Quando um filme mexe com a gente, ficamos pensando naquilo por muito tempo. Foi exatamente assim que me senti quando vi o documentário da Amy Winehouse, no ano passado. Aquilo não me saia da cabeça por semanas. Pensar em tudo que ela passou me fazia sofrer. Insatisfeita com essa história, também aproveitei pra assistir o documentário sobre a Nina Simone, no Netflix. Sabe, fiquei ainda mais pensativa, e mais uma vez, não conseguia deixar de ficar martelando a vida dessas mulheres. Não entendo. Daí essa semana, aconteceu que os dois documentários foram indicados ao Oscar. Parece que não foi só comigo que essas histórias mexeram, não é?


Eu resolvi que iria escrever um texto só para os dois filmes, mesmo que tivesse material pra escrever muitos individualmente. A questão é que a história dessas duas mulheres, geniais, se assemelham em muitas partes. As duas viviam diversos problemas, mesmo que diferentes. Eram artistas ovacionadas pelo grande público, mas por dentro elas eram sofrimento sem fim. Sempre admirei essas duas cantoras e quando parava pra escutar sempre me vinha um "uau!", mas eu não fui o que pode se chama de fã.


A Amy era uma menina que sempre teve problemas psicológicos, claramente ela sofria de depressão desde o início da adolescência. No documentário, os pais e os amigos comentam que ela já tomava antidepressivos com 12 e 13 anos. Inclusive, os pais dela contam que Amy contou ter desenvolvido uma dieta, em que ela podia comer o que quisesse e depois vomitava. Era a fórmula mágica que nós conhecemos como bulimia, mas parece que eles não ligaram muito pra história.


Nina Simone sonhava em ser uma pianista clássica, desde criança. E ela era muito boa naquilo. A música era a vida dela. Por isso, depois de estudar muito, ela conseguiu tocar em um botequim qualquer na hora do almoço. Até que alguém pediu pra ela que cantasse também, e não pode recusar, precisava ganhar a vida. Suas composições foram ganhando espaço e sua qualidade musical começou a ser reconhecida, mesmo que aquilo que estava fora do grande sonho dela de ser pianista.


Amy nunca sonhou com a fama, pelo contrário, ela tinha muito medo de ser famosa. Mas como cantora de Jazz, ela não achava que isso poderia acontecer. Ela acompanhava e se inspirava em todos os grandes cantores de jazz, a forma como compunham, como cantavam. Não achava que podia ganhar a vida assim, ela era muito insegura, mesmo tendo um talento impressionante. Quando aconteceu, ela não teve estrutura psicológica pra estourar no mundo, pra enfrentar a implacável imprensa britânica e pra ter as suas músicas tocadas em cada canto do planeta.


Quando a fama veio pra Nina Simone, ela conheceu o amor da vida dela, que mais tarde tornou-se seu empresário - o mesmo de quem apanhou em todos os anos que esteve casada. Foi assim que descobriu a depressão, que colocou nas suas composições, nos seus shows, nas suas cartas. Ela não se aguentava. E ninguém estava disposto a compreendê-la. Era muito mais fácil dizer o que ela deveria fazer.


Amy procurava nos homens a lacuna que seu pai tinha deixado na vida. Ela não se sentia amada. Se entregava de cabeça em cada relacionamento que vivia. Até que encontrou Blake, alguém que não estava disposto a vê-la bem. Ela se afundou por ele e foi por causa de disso que conseguiu compor o álbum Back to Black. Cada música ali traz um pouquinho de cada sofrimento dela por ele. Só depois que a fama encontrou Amy, que se pai voltou pra vida dela -, mas não da forma que ela sempre quis.


Quando Nina Simone se envolveu com a luta de Martin Luther King, ela acabou perdendo muito espaço. As pessoas diziam que ela era radical demais, que devia voltar para as canções que a consagraram. Mas nada, depois da música, fazia tanto sentido pra ela quanto a luta pelos seus direitos e de seus irmãos. Ela viveu o racismo nos Estados Unidos por anos, sem entender porque era tratada de forma diferente dos seus amigos brancos, até descobrir a causa.

Essas duas almas encontraram a fama em meio aos seus sofrimentos. Cantar era tudo que mais amavam, mas era algo que vinha junto com uma rotina cansativa, cheia de cobranças, com os holofotes. Também foram duas mulheres que tiveram grande parte de suas dores causadas por causa de seus parceiros - se é que se pode chamar assim. Você entende o reportório delas quando conhece a história e tudo fica dolorido. Eu ainda não digeri como o mundo pode ser tão cruel com quem é tão talentoso.


What Happened, Miss Simone? e Amy são obras primas, que merecem suas indicações, mas principalmente, que precisam ser vistos. Os dois trazem um material muito rico sobre as vidas delsa e aos poucos trazem cada pedacinho do sofrimento destas mulheres, incompreendidas.

Sandy Quintans
@sandyquintans

Update: O documentário da Amy estará disponível no Netflix a partir de 1º de fevereiro. Até então, só havia sido lançado nos cinemas. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Oscar 2015: O que achamos dos filmes

Oscar 2015: O que achamos dos filmes
E a doida do Oscar ataca de novo. Hoje eu vim comentar um pouquinho sobre o que achei dos filmes indicados a Melhor Filme depois da jornada pra me atualizar para a cerimônia, que acontece no próximo domingo (22). Eu adoro a expectativa de apostas e as discussões com os amigos sobre nossas opiniões, quase sempre divergentes.Mais até que da própria cerimônia, confesso. E só pra lembrar: é tudo a minha mera opinião, vocês sabem que não sou especialista em nada :)

Sniper Americano


Clint Eastwood tem uma vasta lista de filmes maravilhosos. Sabe, sou fã desse cara. Mas Sniper americano é um daqueles americanos além da conta. É a história daquele herói que quer servir a guerra pra honrar seu país e fica atormentado pelas maldades das batalhas, etc. Não parece um filme que você já viu diversas vezes? É isso, clichê. Em diversos ângulos é muito bem feito, produzido e tudo mais. Inclusive, há quem ache que o filme é uma crítica ao país. Pode até ser, mas não é muito a cara do Clint.

Minha nota: ♥♥♥ (3/5)

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)


Esse é um filme que tem muitos pontos fortes. O enredo é interessante, ainda mais se levarmos em conta a ironia, em que Michael Keaton interpreta um ator que já foi super herói no cinema, assim como ele já foi o Batman (dizem que o melhor). O plano contínuo também é muito legal, as atuações valem a pena. Mas o saldo final é de um filme que não gostei muito e acabei achando um pouco maçante. 

Minha nota: ♥♥♥♥ (4/5)

Boyhood


Terminei esse filme tentando entender se eu havia gostado ou não. A verdade é que me apaixonei por ele, mesmo que tenha demorado um tempo para entender. Este é um filme pra gente se identificar com a vida Mason, é um filme sobre nós mesmos. As atuações da Patricia Arquette e do Ethan Hawke estão sensacionais, sem contar que o filme foi rodado em doze anos. Doze.

Minha nota: ♥♥♥♥ (4,5/5)

O Grande Hotel Budapeste


Talvez essa seja a terceira vez que eu digo que este foi um dos melhores filmes que vimos ano passado, mas é a verdade. Wes Anderson cria um mundo onde tudo é muito interessante, além da conta. A produção é impecável, o figurino é lindo, o roteiro é maravilhoso, as atuações de tirar o chapéu. Tudo aqui é feito para encantar.

Minha nota: ♥♥♥♥ (4,5/5)

O Jogo da Imitação


Fui ao cinema sem saber o que iria de fato assistir e fui surpreendida de um jeito bom. E além de nos trazer a ótima atuação de  Benedict Cumberbatch, também é uma aula de história maravilhosa. O filme nos traz os bastidores da Segunda Guerra Mundial, que a teria encurtado em dois anos. Imagine quantas vidas este jogo não salvou. 

Minha nota: ♥♥♥♥ (4/5)


Selma



Depois que ouvi a canção do filme, que está concorrendo também, fiquei encantada antes mesmo de assistir. Tive altas expectativas sobre o filme, que se concretizaram a cada minuto. É uma história muito bonita, do jeito que eu gosto, com peso histórico e uma luta nada justa pela igualdade de direitos. É também interessante ver cada passo do gênio Martin Luther King.

Minha nota: ♥♥♥♥ (4/5)



A Teoria de Tudo


A história de A Teoria de Tudo é infinitamente bonita, como a vida de Stephen Hawking deve ser. Mas ao mesmo tempo que é um filme lindo, senti que é romântico além da conta e não nos conta tanto sobre a vida do astrofísico como eu gostaria. Por outro lado, não é o que o longa se propõe, já que o foco é a vida de Stephen e Jane juntos e por todos os desafios que passaram durante a vida. Eddie Redmayne está de aplaudir em pé e realmente merece levar pra casa a estatueta de Melhor Ator. 

Minha nota: ♥♥♥ (3,5/5)


Whiplash


Esse é um dos filmes que concorrem em meu coração como o melhor da lista. É realmente muito bom, de roteiro, de ritmo, de direção e, principalmente, de atuação. Merece uma palma extra por se tratar de um filme independente e J.K.Simmons merece a estatueta, por carregar boa parte do triunfo do filme.

Minha nota: ♥♥♥♥ (4,5/5)



Confesso que ainda não consegui eleger meu favorito, gostei muito de vários (dá pra ver pelas minhas notas). Mas pelo que andei lendo por aí, Birdman e Boyhood são os filmes que devem liderar a premiação. E você, já tem seu favorito? 

Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Playlist do P! - As Canções do Oscar

Playlist do P! - As Canções do Oscar
Ainda ontem a Sandy estava comentando sobre como o cinema influencia os gostos dela. Por coincidência, quando estávamos montando uma playlist pro blog nesta semana, nós duas tivemos a mesma ideia sobre o tema. Escolhemos trazer as nossas canções preferidas que já foram premiadas pelo Oscar. Foi muito difícil escolher apenas dez músicas, quando há tantas tão legais e divertidas. No final, acabou ficando bem parecida com aquela nossa playlist de temas inesquecíveis. Confere só (e em ordem cronológica) :


  1. Over the Rainbow - O Mágico de Oz
  2. Moon River - Bonequinha de Luxo
  3. Flashdance... What a Feeling - Flashdance
  4. I Just Call To Say I Love You - A Dama de Vermelho
  5. (I've Had) The Tome of My Life - Dirty Dancing
  6. Beauty and The Beast - A Bela e a Fera
  7. My Heart Will Go On - Titanic 
  8. When You Belive - O Príncipe do Egito
  9. Lose Yourself - 8 Mile
  10. Jai Ho - Quem Quer Ser um Milionário? 
E pra não perder o costume, aqui vai um bônus track (aliás duas), que hoje será as nossas duas canções preferidas dentre os indicados deste ano. A primeira é Losts Stars, de Adam Levine, que está concorrendo pelo filme "Mesmo Se Nada Der Certo". E a segunda é de John Legend com Common, a brilhante Glory, que está concorrendo por "Selma".




Pronto, usei!
@prontousei

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Os indicados ao Oscar 2015 de Melhor Figurino

Os indicados ao Oscar 2015 de Melhor Figurino
Finalmente chegamos aquela época do ano de expectativa com os filmes do Oscar. Vocês sabem, sou uma aficionada com a premiação e adoro opinar sobre os indicados. Como todos os anos, não poderia deixar de trazer os indicados para Melhor Figurino. Esta é uma categoria que eu e Helen adoramos (ainda mais que ela também é figurinista, né?), e que nos traz muitas ideias. 

Para nossa surpresa temos muitos filmes de época e até temos um favorito. Como dissemos no final do ano passado, o Grande Hotel Budapeste é maravilhoso e estética que Wes Anderson traz em seus filmes é impecável e perfeitamente pensado. Por outro lado temos duas histórias Disney, com grandes figurinistas que também merecem esse Oscar. Vamos ver quem está no páreo este ano?




O Grande Hotel Budapeste


Sou muito fã dos trabalhos de Wes Anderson e é claro que este é o nosso preferido pra ganhar a estatueta. É muito interessante entender a estética que ele adota aos filmes, o que inclui o figurino, que sempre traz ideias interessantes. A responsável por este é Milena Canonero, que é uma veterana de Hollywood e trabalhou em figurinos incríveis, como Maria Antonieta e Laranja Mecânica, além de ser dona de três estatuetas.


Vício Inerente


Eu estava muito curiosa pra assistir ao filme, porque tinha visto algumas entrevistas de Joaquin Phoenix, mas não achava que iria me interessar por ele por causa de seu figurino. O longa conta a história de um detetive particular, que começa uma investigação sobre a morte de um bilionário. Já o figurino ficou por conta de mais um veterano: Mark Bridges, que foi responsável por filmes como O Lado Bom da Vida e  Capitão Phillips.


Caminhos da Floresta


Todos os anos eu tenho de escrever que Colleen Atwood é uma espécie de Meryl Streep dos figurinos (que aliás , é uma das estrelas deste filme), o que só prova que ela realmente é. Desta vez, ela vem indicada por um filme que traz diversos contos famosos e que está prometendo ser um trabalho impecável. Estou muito curiosa pra assistir esse, principalmente pelo elenco e por esta atmosfera mágica do filme.


Malévola


Eu demorei um tempão pra assistir Malévola e tive aquela pontada de arrependimento por não ter conseguido ir ao cinema. Não é que eu tenha amado ao filme, mas é tudo tão lindo, que este figurino não poderia ficar de fora. Os responsáveis por este é uma dupla: Anna B. Sheppard, figurinista experiente, que cuidou de filmes como Bastardos Inglórios, A Lista de Schindler e a Menina que Roubava Livros; junto com Jane Clive, que foi responsável pelos figurinos de Branca de Neve e o Caçador (que foi indicado ao Oscar também), Capitão América e Planeta dos Macacos. 




Mr. Turner


Li ótimos comentários sobre o filme, principalmente por sua direção. O longa conta a história de um pintor do século 19, que é conhecido por sua paixão pela iluminação. E é aí que entra a indicação de figurino, que foi criado por Jacqueline Durran, responsável por figurinos espetaculares, como Anna Karenina, Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação.

Sandy Quintans
@sandyquintans
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