quinta-feira, 7 de abril de 2016

Cinematura - O Quarto de Jack

Cinematura - O Quarto de Jack
Sabe por quê eu adoro a temporada de Oscar? Não é pela cerimônia, ou pelos vestidos ou pra descobrir apenas quem vai levar o quê. É pra descobrir histórias. Filmes maravilhosos indicados e também aqueles que ficaram na listinha de rejeitados. A graça está aí. É uma temporada de coisas boas pra ver. Mas, a grande verdade é que quando chego na metade do ano, quase já não lembro de grande parte dos filmes da temporada de premiações. Porque eles simplesmente não têm alma, sabe? Em muitas  vezes, é apenas um aglomerado de coisas bonitas. E, felizmente, não foi nada disso que eu senti quando vi “O Quarto de Jack”, tanto é que coloquei ele na minha lista de coisas que valiam a pena serem vistas. 


Esse sentimento só aumentou quando eu resolvi ler o livro da Emma Donoghue, que deu origem ao filme. Aquela história me tocava de tantas formas, que achava que meu cérebro poderia explodir. Era um relato que, com inocência, falava sobre coisas que só nós mulheres entendíamos. É aquele velho medo do abuso, unida com aquela velha história de superação. Todos os dias.


O quarto é o único lugar que nosso pequeno narrador conhece –  Jack –  de apenas cinco anos. Pra ele, aquele universo é incrível. Tem todas as coisas de que precisa e a presença de sua mãe. O que ele não imagina é que lá fora existe um mundo imenso, cheio de tudo aquilo que ele acha que tem apenas na TV – com exceção da Dora, claro. O problema é que a mãe de Jack, a Joy, foi sequestrada quando tinha 19 anos. E Jack nasceu no cativeiro, fruto dos abusos de seu sequestrador. Você termina essa história achando que aconteceu, mas é uma obra de ficção. Um relato que reúne dezenas de casos reais que vimos passar na TV.  


Apesar de ser uma história pesada, a narração de Jack deixa tudo mais leve, porque vimos tudo pela visão dele. Tanto no livro quanto no filme, é uma delícia sem fim acompanhar as descobertas dele no mundo. E, principalmente na versão escrita, morri de rir com as suas trapalhadas.  Eu achava que seria uma leitura chata, porque além de um tema pesado, não conseguia enxergar como a história poderia avançar aos olhos de uma criança tão nova. Mas me enganei completamente.


Tanto a versão para o cinema, quanto a versão original são incríveis. Porém, são duas histórias distintas. Apesar da primeira parte do filme ser bem fiel ao livro, as continuidade são bem diferentes. Talvez, a forma como a segunda metade da história foi escrita não fizesse tanto sentido no cinema. Por isso, achei muito sábia as mudanças que fizeram.


Outro trunfo do filme são os atores. Não é a toa que a Brie Larson ganhou o Oscar de melhor atriz. Além disso, o entrosamento entre ela e o pequeno e incrível  Jacob Tremblay é a melhor coisa da história. Nós terminamos de assistir o filme suspirando com a graça dessa criança, sem contar que é um ator maravilhoso, que carrega o filme praticamente sozinho. Afinal, ele é o nosso pequeno protagonista.


Sandy Quintans
@sandyquintans

Cinematura é a coluna que falo sobre livros que viraram filmes. Há vezes que amo mais a história escrita e outras que acho que a versão pro cinema ficou melhor. Mas uma coisa sempre é certa: eu adoro conhecer duas versões de uma mesma história. Para ver outras edições, só clicar aqui

terça-feira, 5 de abril de 2016

Que tal customizar?

Que tal customizar?
Vocês devem se lembrar de que na época em que éramos adolescentes nós amávamos deixar nossas roupas com a nossa cara o máximo possível. Afinal de contas, a regra número da adolescência é ser diferente de todo o resto do mundo. Eu não sei o motivo, mas quando crescemos acabamos deixando esse hábito de lado ou simplesmente achamos que isso não vale pra nossa fase adulta. 

Quando em "Grande Menina, Pequena Mulher", a Molly faz um tutu pra Ray ♥
Aqui no P!, nós tivemos a fase de customização e fazíamos diversos pequenos projetos. Aliás, foi assim que nasceu nossos posts de DIY. A ideia era dar uma cara nova pra uma peça que estava meio caída, meio sem graça, meio sem vida e transformar em algo novo. Ainda mais se não fosse pra ter cara de abadá, né? Customização não precisa ser uma camiseta recortada, pode ser um detalhe que deixe a peça com a sua cara. 

Vocês lembram quando a Helen salvou uma camiseta que ela ganhou de brinde, apenas colocando alguns ilhoses e alguns detalhes na manga? Ou quando ela transformou uma camiseta em um vestido? Essas foram apenas algumas ideias simples que transformaram essas peças ♥ 

Nesses tempos, em que estamos questionando nossa forma de se vestir, às vezes uma mudança sútil em uma peça pode trazer ela de volta pro seu guarda-roupa. Passar por uma transformação de estilo não é tão viável economicamente. Por mais que você coloque todas as suas peças à venda e consiga levantar certa quantidade de dinheiro, nunca vamos conseguir se desfazer de tudo. 

Nós não podemos nos esquecer de que nossas roupas são uma forma de nos definir e de representação. Até mesmo as pessoas que preferem sempre o básico e se dizem “sem estilo”, faz parte de quem elas são. Então, que tal customizar e dar um up nas suas roupas ao invés de se simplesmente se desfazer? 

Sandy Quintans
@sandyquintans

segunda-feira, 4 de abril de 2016

DIY - Do brinde ao luxo: Customizando conjunto de xícaras

DIY -  Do brinde ao luxo: Customizando conjunto de xícaras

Final de ano é sempre aquela coisa, muita gente desejando felicidades, preparações para os feriados prolongados, momentos com a família e: brindes sendo distribuídos em todo canto. Foi assim que a Sandy ganhou um conjunto de xícaras - lindas -, mas que vinham com uma baita logomarca em cada lado das peças. Vocês sabem, não abrimos mão de uma pequena transformação, só pra não jogar fora algo que pode ser útil ou bonito. Depois de uma pesquisa rápida no Pinterest, achamos algumas referências e optamos em transformar aquelas xícaras que vieram de brindes em algo lindo.


Os materiais são muito simples para o que decidimos fazer: tinta spray dourada (pra que tudo fique rico!), fita crepe e tesoura ou estilete. Basicamente, escolhemos uma forma geométrica pra tamparmos a logomarca, que poderia ser diversas opções. Com a fita crepe delimitamos o espaço que ia ser pintado e cobrimos todo o redor. 




Como a tinta é spray, é muito importante que cubra todos os espaços, pois ela acaba espirrando por todo lugar. Aproveitamos e também fizemos um detalhe nos pires, pra poder combinar com o desenho que fizemos na xícara. Depois de pintarmos todas elas - de preferência com uma camada fina pra que o acabamento fique mais bonito -, deixamos secar por pelo menos três horas.


Prontinho! Agora é só preparar um bom café e chamar as visitas. No nosso caso, deixamos os convidados de lado pra poder estrear mais rápido as xícaras mais luxosas da nossa coleção ♥. E não é que ideias simples são sempre as melhores?



Sandy e Helen Quintans
@prontousei

sábado, 2 de abril de 2016

O mundo sem ninguém.

O mundo sem ninguém.
Eu sou a última sobrevivente. Além de mim, só existe o vazio. Eu sou o vazio.


Eu poderia ser livre, mas não existe nenhuma prisão. Não existe ninguém para que eu possa odiar, ninguém para que eu possa amar.


Eu sou apenas uma lembrança. A poeira daquilo que um dia existiu.  Meu único inimigo é o meu coração e nenhuma arma vai me proteger. A natureza devorou a saudade. 



Não existe mais tempo, eu sou passado, presente e futuro. Nada se move.



Não existe pecado ou perdão. O sofrimento se tornou inútil e a alegria, irreal.



Não existe poesia quando a métrica é a repetição infinita.



Eu sou apenas uma fração de segundo, mas a minha respiração parece eterna.



A eternidade é luz e sombra.



A beleza é inútil.



Eu sou a última sobrevivente. Além de mim, só existe o vazio. Eu sou o vazio. 



Fotos: Helen Quintans
Texto: Flávio Carnielli
Modelo: Renata Cirigliano
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