domingo, 4 de fevereiro de 2018

Uma história de amor que envolve a trilha sonora de Quase Famosos

Uma história de amor que envolve a trilha sonora de Quase Famosos
Esses dias estava lembrando de uma coluna que eu tinha no blog Backbeat, da minha amiga Izadora Pimenta, em que falava de trilhas sonoras maravilhosas (segundo o meu próprio conceito de maravilha, né). Naquela época tava no comecinho da faculdade de jornalismo e procurava formas de praticar a escrita, quando soube que a Iza queria colaboradores pra falar de música. Fiquei quase uma semana pensando no que poderia fazer - que misturasse algo que eu tivesse afinidade, mas que também fosse diferente do que eu já escrevia aqui - quando surgiu a ideia de falar sobre trilhas sonoras. Uma das coisas mais legais desse projeto é que eu pude criar alguns dos textos que são os meu preferidos e dos quais eu me orgulho de ter produzido. Foi relembrando dessas coisas que me dei conta de nunca escrevi nada sobre umas das minhas trilhas favoritas, que é Quase Famosos. Então, sim, esse texto vem cheio de nostalgia, pode apostar.


Eu demorei alguns anos pra assisti-lo e lembro que foi bem numa fase minha de ficar explorando a locadora de cabo a rabo tentando ver de tudo e querendo recuperar o tempo que passei não existindo. Quando terminei de ver minha cabeça estava fervendo, de um jeito bom, e senti que eu nunca mais seria a mesma. (É claro que isso é um completo exagero, mas sim, foi transformador). A parte mais curiosa é que apesar de ser um filme muito conhecido e ter um bando de  fãs mundo afora, é também pouco reconhecido pelo grande público e sempre que converso com alguém sobre, boa parte olha pra mim com cara de desculpa, mas não sei do que você está falando. E tudo bem.


Então pra você que também não sabe do que estou falando, vamos trazer um rápido resumo deste clássico saído do início deste século: o filme conta a história de William Miller, um adolescente de 15 anos, que tem a ambição de ser um jornalista especializado em música e ganha uma estranha oportunidade de acompanhar a turnê de uma banda em ascensão. Tudo isso em plena década de 1970, naquela construção do rock n' roll que a gente escuta até hoje. Agora um fato curioso sobre a história, é que o roteiro é um híbrido de realidade com ficção, porque foi baseado na vida do diretor do filme, Cameron Crowe - que também é responsável por Say Anything, Elizabethtown e Jerry Maguire. Ele também começou a escrever com 15 anos sobre música, acompanhou turnês de bandas incríveis, como o Led Zeppelin e é colaborador da Rolling Stone até hoje.


É por isso também que a trilha sonora é um personagem indissociável da história. Se eu pudesse resumir a beleza dos dois universos nesse filme, da música e do cinema, eu diria que é em uma das primeiras cenas, em que a irmã do William está tendo uma discussão com a mãe deles - uma mulher conservadora e que luta pra criar os filhos sozinha -, quando resolve que vai sair de casa pra viver com o namorado. E sabendo que a mãe deles nunca iria entendê-la, ela coloca pra tocar America, de Simon & Garfunkel, para explicar sua decisão. Eu já ouvia Simon & Garfunkel nessa fase da minha vida, mas depois disso eu fiquei obcecada, principalmente por America que é uma músicas mais bonitas do universo pra mim.


Descontente em ter apenas um momento icônico no filme, Cameron Crowe ainda cria a famosa cena do ônibus, que eternizou Tiny Dancer, de Elton John. Depois de um momento de desentendimento da banda, naquela turnê louca que estamos acompanhando, eles retomam a estrada no meio daquele clima pesado. Até que Tiny Dancer começa a tocar e pra eles aquela é uma música que não dá pra ignorar. Quando chega no refrão, todo mundo já foi contagiado e cantam juntos, deixando os problemas de lado por algo que todos têm em comum naquele momento. Eu aposto que você conhece a mágica que é cantar junto com alguém ao mesmo tempo. 


Mas não é só de Elton John e Simon & Garfunkel que a trilha sonora é composta (embora pudesse com tranquilidade, já que Cameron Crowe é mestre em tirar um Elton John da cartola sempre que necessário em seus filmes). Como dá pra imaginar tem muita coisa boa e que é cara da década de 1970 e da nossa concepção romântica do que é o rock. Como Led Zeppelin - principalmente o lado mais countryzinho que eu adoro -, The Who, Lynyrd Skynyrd, The Velvet Underground, Black Sabbath, Deep Purple, Jimi Hendrix, Iggy Pop. Também tem espaço pra rainha Joni Mitchel, Rod Stewart, Neil Young e outras milhares de coisas que poderia ficar descrevendo aqui até amanhã. Tudo isso, sem contar a banda fictícia que a gente acompanha no filme, Stillwater, que tem músicas muito boas e já até ouvi tocando por aí. Por isso, vou deixar o play aqui pra você acompanhar:



No final, eu acho que a beleza de Quase Famosos não está apenas na temática, no roteiro interessante ou no rock n' roll (ou a oportunidade perfeita pra exaltar toda a beleza de Kate Hudson), mas também por ser um filme sobre viagem, descobertas e desilusões. É também uma daquelas histórias cheias de camadas, que a cada vez que você assiste novamente descobre uma coisa diferente, um lado novo. E eu acho que conforme os anos passam, o roteiro conversa com uma parte nova da gente e a cada vez acontece uma identificação com um personagem. Deve ser por isso que ele é sempre citado entre as minhas listas de filmes favoritos e a trilha sonora é frequente alternativa pra quando estou em busca de inspiração e quentinho no coração.



Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

The end of the f***ing world e o resgate do universo indie

The end of the f***ing  world e o resgate do universo indie
Mesmo que eu seja uma defensora dos filmes, nem mesmo eu consigo negar que estamos vivendo tempos brilhantes no quesito séries. Deve ser exatamente por isso que tenho assistido tantas ultimamente. Acho que nunca antes tivemos tantas produções interessantes e temas importantes abordando coisas que, ás vezes, os longas metragens não conseguem alcançar. Em meio a tudo isso, sempre surgem produções que são mais despretensiosas que acabam aparecendo ali pra acompanhar num dia que você esteja procurando algo diferente, sabe? 


The end of the f***ing world, da Netflix, é uma dessas séries curtinhas, bem produzidas pra você assistir de uma só vez. Ela não é feita pra ser a melhor coisa que você já viu na vida e não tem a menor pretensão de ser. Acredito que, justamente, por isso é que ela se dá liberdade de tentar coisas mais incomuns, combinando um mix de indie-rock com country americano, com uma temática super estadunidense e um humor bem britânico. 

James é um garoto que tem certeza que é psicopata e ele sente que está pronto pra encarar o próximo passo, que é matar uma pessoa. Já Alyssa é uma menina que se sente incompreendida e acha o mundo o saco, o que a acaba atraindo a fazer amizade com James, a única pessoa que parece ser um pouco fora da caixinha que ela conhece. Dessa aproximação, acaba surgindo o plano de fugir juntos e viver um pouco, enquanto que pra James essa parece ser chance ideal pra matar Alyssa. 


O que eu gosto muito dessa sinopse é que é uma produção em que a gente espera que seja americana, mas como a série é britânica, dá um toque esquisito pra como ela é contada. Inclusive, essa é uma brincadeira do roteiro, tanto com a trilha sonora, com a estética da fotografia e também dos próprios diálogos. A própria Alyssa comenta que “isso não é um filme, porque se fosse, estaríamos nos Estados Unidos”. Outro ponto positivo da série fica por conta da edição que torna tudo muito dinâmico e traz um humor bem sutil para as coisas. 

Tenho uma queda por histórias que usam dos roteiros surreais pra falar de coisas muito humanas. O comportamento bizarro desses adolescentes, na verdade, é mais uma oportunidade pra falar sobre traumas e depressão. Afinal, eles não chegam até essa fase de desesperança sem algo que os levasse até esse momento, situações que vamos descobrindo ao longo dos episódios e só por fim nos faz sentir empatia por esses personagens, que nada mais são que anti-heróis. 


The end of the f***ing world é uma série pra quem gosta de humor mais dark, mas também é uma boa pedida pra aquela tarde que você tá meio entediado e afim de ver uma coisa diferente, porque no mínimo será interessante. Ah! e a série já está confirmada para a segunda temporada.



Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 20 de janeiro de 2018

Como é manter um blog em 2018?

Como é manter um blog em 2018?
Houve um tempo em que a internet era cercada de blogs e cada internauta seguia pelo menos uns quatro, cinco assiduamente. E depois a gente foi tendo que se despedir desses cantinhos pouco a pouco. Eu acho que blogar sempre foi uma das minhas coisas preferidas no universo, porque acabou sendo a melhor maneira de expressar meus sentimentos e compartilhar com alguém uma coisa interessante ou até mesmo uma reflexão. 

Ilustração da Betany Baker

Vocês se lembram como o mundo era há dez anos? Sabe, eu lembro, mesmo. Nós estávamos naquele frenesi de criar a profissão que hoje a gente credita como criador de conteúdo ou influenciador, com os blogs bem famosos e vários de look do dia. Hoje, nós encaramos a noticia de que o Petiscos está se aposentando, um blog, meio portal que ajudou a gente a moldar como é trabalhar na internet. 

A verdade, verdade mesmo, é que estamos em um tempo em que manter um blog é quase que um ato de resistência enorme, porque vai indo contra a corrente de tudo que está sendo criado pra internet, afinal, nós amamos uma rede social, não é mesmo? (eu amo mesmo, apesar de ter virado o jogo total pra pequenos criadores de conteúdo). Mas ainda bem que tá cheio de gente resistindo e escrevendo e sendo relevante, a gente só precisa de uma forcinha pra chegar até eles. 

Assim como a gente também precisa fazer uma força danada pra produzir conteúdo. Assim como se concentrar em uma leitura ficou cada vez mais difícil com toda a distração que o mundo moderno nos fornece, parar pra se dedicar a criar um texto, um ensaio ou qualquer coisa que merece ser compartilhada nunca foi tão difícil – mesmo que tenhamos acesso a tecnologia nunca antes vista pra auxiliar todos os processos. 

GIF incrível da Maori Sakai
Apesar disso, nunca amei tanto o conteúdo que passamos a produzir e acho, sim, que até aqui os últimos tempos foram os melhores em qualidade pro nosso canto. O futuro do P! eu realmente não sei qual é, mas esse é de longe o projeto do qual eu me orgulho mais, não só por ser algo que concretiza a irmandade de Sandy+Helen, mas por cada aventura que tudo isso nos proporcionou e por tudo que descobrimos sermos capazes de criar. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Três dias em Edimburgo

Três dias em Edimburgo
No fim de outubro eu e o Vini fizemos nossa primeira viagem desde que chegamos aqui, dá pra acreditar que demorou tanto? Na verdade, eu nunca senti que havia sido algo que tinha demorado a acontecer, porque nós estávamos aproveitando muito em Dublin e na fase de turistas por aqui. Até que chegou o dia em que sentimos a necessidade de conhecer novos lugares, afinal, esse é um dos motivos pelo qual um intercâmbio na Irlanda é ideal para aqueles que gostam de viajar, né?

Eu devo confessar que essa viagem veio em perfeito timing, não só pela vontade de novas aventuras, mas também porque eu andava numa fase não tão boa. Estava bem cansada da rotina de estudos e trabalho (ainda que bem mais leve do que a que tinha no Brasil), resolvendo problemas de dinheiro e documentação pra renovar o nosso visto aqui, o acabou me deixando com uma gripe que persistiu duas semanas. E detalhe, tudo isso aconteceu junto com a chegada do nosso outono, que mudou bastante o clima, apesar de deixar a paisagem mais bonita. Não se preocupem, as coisas estão resolvidas agora e minha saúde melhorou muito depois da nossa viagem. Já que no fundo, tudo que eu precisava era de um descanso pra minha cabeça e pro meu corpo. 

Pra nossa primeira saída da Irlanda, optamos por um lugar que fosse próximo e que não exigisse tantos dias pra gente conhecer, pois não queríamos perder aula e trabalho. Também estávamos pensando em um lugar que não fosse completamente diferente de Dublin, pra servir como treinamento para as nossas próximas viagens. Já que somos completamente amadores nessa história de viagem.

Edinburgh Castle Watching over Its town

Edimburgo, na Escócia, foi o destino ideal porque além de termos encontrados passagens em promoções (apenas € 9,90 pela Ryanair), ainda era um lugar que eu sempre quis conhecer e que ainda era muito a nossa cara – até cheguei a cogitar um intercâmbio por lá, não vou negar. Honestamente, não poderia ter escolhido destino melhor. Depois de duas semanas que voltei pra Dublin, sigo completamente apaixonada pela cidade e gostaria muito de visitar novamente e aproveitar ainda mais. Eu me imaginei vivendo na Escócia, sinceramente (aonde é que eu assino pra isso acontecer, por favor?).

Nós viajamos um dia depois do furacão Ophelia ter passado por aqui, então estávamos vivendo um momento meio estranho, de não saber muito o que fazer. Pra nossa sorte, o dia amanheceu lindo, com um sol raro de encontrar por essas bandas. Por isso mesmo, quando aterrissamos na Escócia e descemos na Princess Street, uma das ruas principais de Edimburgo, o contraste da arquitetura gótica (nada suave), com as cores das construções e o sol de final de tarde, trouxe um clima pra cidade que me fez pensar que nunca tinha visto nada tão bonito. Parecia que a vida real estava sob efeito de algum filtro bem bonito de instagram. Resumindo, fui impactada já na primeira impressão.

History
 everywhere Embraced by history

A verdade é que Edimburgo tem um clima de nostalgia no ar, que me fez sentir como se estivesse sido transportada pra algo ali pelos anos 1980/1990 – ou o que essas décadas representam no meu imaginário – e isso não é apenas pelas construções e arquitetura marcantes. As pessoas eram muito mais descoladas e autênticas, com muita referência do movimento punk e grunge, e os estabelecimentos muito mais convidativos do que eu passei a estar acostumada aqui em Dublin. Ou pode ser que não tenha sido nada disso e foi só o jeito como eu enxerguei a cidade.

Talvez eu tenha sentido muito isso por causa de Trainspotting, que criou aquela ideia dos jovens escoceses e que traz a atmosfera do que é a Edimburgo muito forte. Inclusive, esse é um filme excelente (e a sequência que saiu esse ano também), não apenas por todas as referências do cinema cult e pela mudança nas narrativas ligadas a drogas, mas também por criar sensações que do que é estar lá. Também traz uma noção muito boa de como é o sotaque escocês e de como eu sofri com ele nesses dias de viagem, quase que voltando imediatamente pra estudar mais.  

Old Town and its beauty The Royal Mile Balmoral Hotel

Mas nem só de referências a Trainspotting vive Edimburgo. Lá também é a grandiosa terra que serviu de inspiração pra J.K Rowling escrever o universo Harry Potter. E sabe o que é mais incrível? Isso também está no ar. Tudo parece cenário do filme e diversas coisas nos faz lembrar Hogwarts e de cenas de magia dessa saga que vive em nossos corações. Inclusive, é possível visitar o café em que a J.K ia pra escrever o primeiro livro e um tour pela cidade com os cenários reais que serviram de inspiração pra saga. Infelizmente não tivemos a oportunidade de fazer, mas quem sabe essa não é a desculpa ideal pra voltar, né? 

Além de explorar um pouco da capital, também tivemos o prazer de realizar um tour gratuito até o interior da Escócia (você não entendeu errado, eu disse gratuito). O passeio dura um dia é uma experiência incrível, em que não tenho palavras pra expressar o quanto vale a pena. No começo, estávamos em dúvida entre conhecer o famoso Lago Ness ou embarcar nesse gratuito, mas optamos em economizar um dinheiro e fazer uma doação para a empresa que realiza o tour. Tenho certeza que qualquer um desses passeios que opte em fazer serão incríveis e espero que não tenha que escolher como eu. Foi nessa viagem que conhecemos as vacas escocesas, que são bem peludinhas e ruivas. Também passamos por monumentos, castelo e vilarejos, tudo isso com um guia bem humorado e que não se cansava de contar histórias sobre cada lugar e também sobre Sean Connery (um famoso escocês).
A rota do tour gratuito pela Escócia (clica no mapa pra saber por onde passamos)

Esse foi o único passeio que havíamos decidido fazer antes de chegarmos, porque tínhamos que agendar com certa antecedência. As outras coisas fomos descobrindo nos nossos dias por lá, o que trouxe muitas surpresas e experiências positivas. Por isso, preparei essa listinha pra recomendar os pontos altos dessa viagem que tá morando no meu coração (tudo devidamente linkado para quem quiser saber um pouco mais): 

A atmosfera completamente medieval da St Giles’ Cathedral que me deixou de queixo caído 
A imponência da Saint Mary Cathedral que me fez cair pra trás 
A visita ao Castelo de Edimburgo que dura quase um dia inteiro de tão completa 
O hambúrguer do BRGR, que tem o preço fixo de £4 pra qualquer lanche na semana e que dá um quentinho no coração 
A vista magnífica da cidade quando você sobe até o Dugald Stewart Monument
O tour gratuito que me possibilitou conhecer um monte de lugares maravilhosos e históricos 
O sorvete delicioso e barato do Ciao Roma 
O Scottish National Gallery com pinturas impressionantes e a entrada grátis
Comer fish and chips no Sir Walter's Cafe in the Gardens aproveitando a paisagem que Edinburgh nos oferece 

É claro que além dessas poucas experiências existem diversas possibilidades nessa cidade. Há dezenas de parques, Jardim Botânico, Zoológico, Galerias e museus variados espalhados por todo o lugar. Além das coisas que fazem parte da cidade e que são interessantes, como os becos e cemitérios, paisagens. O que me fez pensar que apenas três dias foi bem pouco pra tudo que Edimburgo tem a oferecer. Agora só resta torcer pra outra oportunidade de explorar a cidade um pouco mais.

Aye!
A famosa vaquinha escocesa e toda a simpatia.

Todas as fotos deste post foram tiradas por Vinícius Novaes, meu namorado e registrador oficial das nossas aventuras. 

Sandy Quintans
@sandyquintans
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