domingo, 31 de agosto de 2014

Passeios - A Bienal do Livro

Passeios - A Bienal do Livro
No último sábado fomos conferir de perto a Bienal de Livro de São Paulo deste ano e tivemos um dia ótimo e repleto de coisas interessantes. Com pouca grana no bolso, fomos com a intenção de aproveitar promoções, os debates, palestras, autógrafos e apresentações que estavam na programação e mal vimos o dia passar. Até parece que com todo o nosso amor pelos livros nós perderíamos essa, né?



Pra começar fizemos um passeio geral pra ver o que estava rolando.  E de cara já caímos numa promoção de livros de arte, todos por R$ 5. Nem conseguíamos escolher qual queríamos mais (a Helen então, nem se fale!). Depois seguimos em frente no nosso garimpo de promoções e caímos no stand do SESC. Foi aí que  a coisa que ficou feia, porque encontramos tantos livros baratos que não conseguimos nem carregar. Aliás, fica a dica, leve carrinhos de feira ou uma mala com rodinhas pra poder carregar tudo, pois nós tivemos que pagar o guarda-volumes (que custa R$15) pra dar conta do recado. Na próxima edição, prometemos solenemente não cometer o mesmo erro. 


Uma de nossas prioridades pro evento, era pegar um autógrafo do Ziraldo, que estaria no stand da Melhoramentos a partir  das 15h30. Pra isso, decidimos pegar nossas edições que líamos quando éramos criança. A Helen levou a primeira edição de "Flicts" e a Sandy levou "Uma Professora Muito Maluquinha". Depois de 2h30 de fila, enfim a recompensa, ganhamos nossos autógrafos nas nossas edições do coração e fotos pra guardar de recordação <3.

Nossa reação ao ver o autógrafo de ~zoeira~ do Ziraldo no livro da Sandy.
E o Flicts da Helen recebendo a marca registrada do autor <3

Depois da maratona atrás de Ziraldo, saímos bem em tempo de pegar o debate que estava rolando em um dos espaços do evento, com os autores Maria Adelaide Amaral ("Anjo Mau" e a "A Casa das Sete Mulheres"), Marçal Aquino ("O Cheiro do Ralo" e " Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios") e George Moura ("Amores Roubados" e "O Canto da Sereia"). Eles falaram de um tema que nós interessamos muito,  sobre adaptação literária para roteiros de cinema e TV. O encontro foi muito produtivo, em que cada um contou sobre suas dificuldades e um pouco de seus trabalhos fantásticos.


Pra fechar com chave de ouro, tivemos um pequeno impasse de horários, em que teríamos de decidir entre ver a palestra com o fantástico fotógrafo Sebastião Salgado e o show de Lirinha. Optamos pela segunda opção e não nos arrependemos. Conhecemos o trabalho de Lirinha há um tempão e depois do fim de Cordel do Fogo Encantado, ainda não tínhamos tido a oportunidade de conhecer o trabalho solo. Ficamos encantadas e muito felizes com o show (apesar de a iluminação do show quase ter nos cegado, hahaha).


Sem dúvidas vivemos o dia intensamente. Mal podemos esperar pela próxima edição para ter mais experiências fantásticas como essa <3.

Sandy e Helen Quintans
@prontousei

Obs.: Com exceção das fotos do Ziraldo, todas as imagens são do site oficial da 23ª Bienal do Livro de São Paulo.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Desimpedida: O P! está Fechado com o Aranha

Desimpedida: O P! está Fechado com o Aranha
Não dá para acreditar que em pleno 2014, onde acabamos de sediar uma linda Copa do Mundo, ainda aconteça episódios deste tipo. Preconceito é mais do que crime, é feio, é ignorante, não faz sentido algum e só mancha a história do futebol.

Durante um mês de Copa do Mundo foi lindo ver todas as torcidas unidas, os país, gente de todas as crenças, idades e raças juntos, vibrando, gritando, torcendo e mais do que isso, se divertindo muito no estádio de futebol. Mas agora diante de campeonatos nacionais, vemos cenas assim: um time perdendo em casa e com uma parte da torcida completamente descontrolada. 

O mais triste disso tudo é saber que não foi a primeira vez que parte da torcida do Grêmio se mostrou ignorante. Não tenho nada contra aos amigos "Imortais", mas no último GreNal, com um péssimo gosto, a mesma parte da torcida resolveu fazer piada da morte do Fernandão - ídolo da torcida Colorada que morreu há alguns meses em um acidente aéreo. Triste. 

Ontem, o jogador Aranha fez mais do que certo e foi muito mais inteligente do que meia duzia de torcedores: não se rebaixou, pediu para que aquilo fosse gravado, para não passar impune mais uma vez. Porque afinal, todos os dias - infelizmente - acontecem insultos desse tipo no campo de futebol. O câmera para quem ele pediu, me parece não ter atendido o goleiro, mas as câmeras da ESPN flagraram o momento em que uma gremista gritava em alto e bom som: MACACO. 

Já vi e revi essa imagem inúmeras vezes e não me conformo. Não me conformo porque a "torcedora fanática" naquele instante acabou com o brilho e encanto de uma partida de futebol. Com toda a alegria e com certeza não machucou apenas o coração do Aranha, machucou a nação de muitos outros negros, outras famílias e amantes deste espetáculo. 

Esse é o assunto do dia no Brasil, país do futebol, lembra ? Já me deparei com várias opinião, respeito todas, mas com certeza discordo de várias. Como por exemplo, outros torcedores gremistas apoiando a atitude da garota. Na minha opinião: errado. 

Também me deparei com muita gente dizendo que foi uma "brincadeira". Mais uma vez: errado: Não dá para aceitar que seja levado na brincadeira. Se a pessoa não gostou, aliás, se é considerado crime, a tal brincadeira não deveria nem existir.

As pessoas também me disseram que talvez fosse "coisa do momento", errado mais uma vez. Já está circulando pela internet várias imagens que mostram que realmente ouve maldade na "brincadeira". Imagens com a própria torcedora que ao que pude ver, até agora não apareceu nem para pedir desculpas. 

Muita gente também disse que esse tipo de coisa deve ser ignorado. Errado. Talvez por ser tão ignorado, chegou onde chegou. E sim, eu acho que algo tem que ser feito. Não me venha com aquela ladainha de que "nada funciona por aqui", eu acredito no Brasil. E se a mudança não vem de cima, tem que partir de nós.

E ainda tem o lado dos clubes. O caso com o Aranha, a gente sabe que infelizmente não é o primeiro e como disse Robinho, não será o último, mas os clubes precisam se mexer. Enquanto não houver intervenção, as coisas não vão mudar. Os torcedores vão continuar achando que mandam nos clubes e que podem tudo. Me desculpem os amantes do futebol, assim como eu, mas é a própria torcida que está destruindo tudo. 

Não dá para generalizar, porque realmente não é todo mundo que faz o que alguns fazem. Não é todo mundo que sai de casa pra brigar, quebrar tudo. Não é todo mundo que sai de casa apenas para xingar o time adversário. E às vezes, a ignorância é tanta, que tem que gente que sai de casa para xingar o próprio time, quebrar a própria casa - como gostamos de chamar. 

Me lembro bem que disse que iria trazer assuntos legais e divertidos, mas precisei falar sobre isso esta semana. Eu vou à estádio, vou em Arena ver basquete e vôlei e, se me convidar, vou até na pelada no bairro e por isso não dá pra aceitar. As punições cabem aos clubes, à Justiça e principalmente ao Ministério Público, a nós que estamos aqui indignados, cabe a mudança.

Nós temos grandes nomes negros envolvidos no esporte, não vale a pena destruir por tudo isso. Temos: Pelé, Robinho, Daiane dos Santos, Serena Willians, Usain Bolt, Michael Jordan, Aranha, Tinga, Gil entre tantos outros... E todos esses saem ou saíram de casa algum dia para fazer aquilo que gostam, que ganharam o dom, pra trazer alegria. Não vale de jeito nenhum deixar com que eles voltem para casa tristes, chateados e com um coração completamente machucado. 

O P! adere a campanha #FechadoComOAranha e vale lembrar: não precisa ser do esporte, qualquer pessoa independente de classe social, religião, opção sexual, tamanho, peso e zás, merecem nosso respeito e o P! abraça a causa nacional contra o preconceito e fecha com todos eles! Tamo junto? 






Virgínia Alves
@VirginiaB_Alves 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Joana leu: Como (quase) namorei Robert Pattinson, de Carol Sabar

Joana leu: Como (quase) namorei Robert Pattinson, de Carol Sabar
"Como (quase) namorei Robert Pattinson"
Carol Sabar
editora Jangada
464 páginas

"Aos 19 anos, Duda é literalmente viciada na saga Crepúsculo. Já perdeu a conta de quantas vezes leu os livros da série e assistiu aos filmes. Através de um perfil secreto na internet, ela se comunica com outras fãs que, assim como ela, estão totalmente convencidas de que não há garoto no mundo que valha um dente canino do vampiro Edward Cullen. Sua obsessão ganha fôlego com uma temporada de estudos em Nova York, onde ela faz planos mirabolantes para conhecer pessoalmente Robert Pattinson, o ator que interpreta o vampiro nos cinemas."
Esse livro é muito divertido! Mas não um divertido bobo, sem conteúdo, forçado: a autora Carol Sabar conseguiu usar um tema que estava super na moda - vampiros de Crepúsculo - para escrever uma estória cheia de momentos cômicos, mas com personagens quase reais, que em alguns momentos nos fazem até esquecer que a base para tudo foi a criação de Stephenie Meyer.
Como não poderia deixar de ser, a protagonista é uma adolescente, que está deslumbrada pelas criaturas de "Crepúsculo", em especial pelo ator que vive Edward nos filmes, Robert Pattinson, que ela considera o homem mais lindo do universo. Para alegria de Duda, ela vai passar alguns meses estudando em Nova York, e quer dar um jeito de conhecer seu ídolo nesse período.

Ela vai morar em Manhattan com a irmã e algumas meninas mais velhas que ela, que não entendem sua fixação pela saga. Então ela leva seus livros de estimação (sim, de estimação, já que ela os trata como se fossem a coisa mais importante do mundo) escondidos na bagagem, para continuar lendo e relendo sua estória preferida.

Eis que ela acaba trancando os livros no armário do apartamento, e não sabe a senha para abri-lo. Duda fica muito nervosa e quer pegar seus livros de volta, mas não pode contar para ninguém que eles estão ali. A partir desse acidente algumas situações a levam a conhecer seu vizinho, um menino lindo e maravilhoso que é a cara do Pattinson. Imaginem a cabeça da pobre Duda quando se vê frente a frente com seu suposto ídolo!

Miguel é lindo, rico, misterioso e, para ajudar, tem um Volvo prata igualzinho ao do Edward, mas parece não saber dessa coincidência incrível. Duda vai se envolvendo com o menino e ele se torna uma obsessão para ela, uma pessoa mais inalcançável que o próprio Pattinson, já que Miguel se mostra um tanto quanto complicado e confuso, ora querendo ficar o mais longe possível de Duda, ora lhe dando uma pontinha de esperança de também sente alguma coisa por ela.

Tudo isso rende momentos muito divertidos e as risadas são garantidas. Duda tem um ótimo humor e usa muito sarcasmo em suas frases, e as meninas que dividem o apartamento com ela também se mostram muito espirituosas. Com muitas referências a cinema, música e a cultura em geral, Carol Sabar cria bons diálogos, cheios de humor, choques de realidade e sonhos de uma jovem que, no fundo, só quer ver seu amor correspondido.

Pouco antes do final do livro acontece uma reviravolta surpreendente e Duda protagoniza cenas hilárias, numa aventura que me pegou de surpresa, já que eu acreditava que àquela altura do livro nada mais aconteceria de relevante, e era só esperar o final feliz dos personagens principais. A menina se mete numa pequena confusão, mas que acaba valendo a pena pois deixa mais perto de a realizar seu grande sonho.

O livro é consideravelmente grande, mas a leitura é tão leve e divertida que dá pra terminar rapidinho e ainda se divertir muito com as peripécias de Duda. A estória tem vários momentos que merecem destaque, mas nada é mais impagável que a Crepuscólica em ação: Duda mantém um perfil secreto numa rede social onde compartilha com outras meninas seu amor por "Crepúsculo", tão exageradamente quanto qualquer menina que viveu essa fase de verdade. Eu ri muito e até me identifiquei um pouco com Duda, e sei que se eu tivesse 15 anos na época do lançamento dos livros, com certeza também seria como ela.

O livro é bom demais, e eu super recomendo: esqueça o preconceito contra a saga, já que aqui o foco é a Duda, e não os vampiros. "Como quase namorei Robert Pattinson" é interessante desde a capa, e a narrativa divertidíssima também pode te pegar de surpresa. A escrita de Carol Sabar é impecável e ela usa de um humor tão inteligente que diverte o leitor, fazendo o livro cumprir seu papel, que é entreter. Apesar de ser voltado para um público juvenil, qualquer pessoa pode ler e se divertir com cada trapalhada de Duda em busca de seu grande ídolo.

Joana Masen
@joana_masen

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Cinematura – Extremamente alto & Incrivelmente perto

Cinematura – Extremamente alto & Incrivelmente perto
Lembro que há alguns anos atrás estava assistindo ao Oscar e me deparei com alguns comentários sobre Tão Forte e Tão Perto, de que o filme com Sandra Bullock e Tom Hanks não era grande coisa. Esse é o tipo de comentário que me faz querer assistir a um filme. Confesso que não tinha achado grande coisa também, até achar o livro que deu origem ao filme, o Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, no saldão por R$ 3,90. Adoro comprar livros baratos, mas confesso ter um pé meio atrás quando a esmola é demais.

Li com certa relutância e esse se tornou um dos meus livros preferidos. Parte dessa adoração se deve ao autor, o Jonathan Safran Foer (que também escreveu Tudo Está Iluminado). Ele criou uma narrativa interessante, com duas histórias paralelas, que no final se encontram e dá todo o sentido.

O filme conta a história de Oskar, um garotinho de 9 anos que perde seu pai no acidente de World Trade Center. Acostumado a desvendar mistérios com a ajuda do pai, Oskar um dia encontra uma chave nos pertences dele e decide descobrir o que ela abre. Para ele, o pai armou tudo só para que ele encontrasse.

Oskar é uma criança extremamente cativante, em que se descreve como desenhista de joias, astrofísico, estudante de francês, tocador de pandeiro, ator shakespeareano, inventor e pacifista. Isso é porque ele é uma espécie de gênio, que sofre com distúrbios de ansiedade e possui dificuldade pra se relacionar com desconhecidos. Por isso, a perda do pai é tão difícil de enfrentar, já que são melhores amigos.

Por se tratar de uma obra tão complexa, é que talvez o filme não tenha conseguido captar as angústias de Oskar e a história que é contada paralelamente. Mas não deixa de ser uma boa pedida, principalmente pelo ator que o interpreta, o lindinho Thomas Horn. De fato, Tom Hanks e Sandra Bullock acaba ficando de lado com o carisma do jovem ator. Também não é um daqueles roteiros fiéis a obra original, mas que nesse caso é um ponto positivo. Dezenas de coisas não funcionariam na grande tela.

Esta é uma história sobre perdas, separações e perspectivas. É uma aventura bem contada e emocionante, que eu recomendo de coração aberto.

Sandy Quintans
@sandyquintans
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