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domingo, 20 de maio de 2018

O último dos Arctic Monkeys, meus 27 anos e a zona de conforto

O último dos Arctic Monkeys, meus 27 anos e a zona de conforto
Estava muito ansiosa pra ouvir o álbum novo do Arctic Monkeys, que foi lançado na última semana. Eu já sabia que ia ser algo diferente de tudo aquilo que eles haviam feito e saber que uma de suas bandas preferidas está vivendo uma fase de mudanças sempre dá um frio na barriga. Mudar dá um frio na barriga, ponto. Tem horas que a gente não quer, mas a vida sempre se encarrega de entregar uma novidade, porque o universo nunca para por mais que a gente peça. 

Alex Turner por EB Leung, um dos maiores compositores da minha geração
Todas as vezes que algo novo está pra acontecer, eu lembro que se os Beatles nunca tivessem tido o anseio de se reinventar, não teriam sido a maior banda de todos os tempos, até agora. E foi com esse coração aberto que ouvi Tranquility Base Hotel + Casino, dos Monkeys, que fez com que eu percebesse que não era a única a ter me tornado adulta na última década, mas também tudo aquilo que eu carregava – incluindo as minhas bandas preferidas. 

Chega a ser curioso escrever um texto sobre mudanças, eu que sou a maior fã da zona de conforto que esse universo já conheceu. Todas as coisas que fazem parte de quem eu sou foram criadas no conforto e na vontade de não mudar. Tem horas que me surpreendo comigo mesma por ter encarado um intercâmbio e passado tanto tempo fora de casa, um lugar que nem sei mais onde é. O que eu vou dizer não é fácil pra mim também, mas zona de conforto não nos leva a lugar algum a não ser onde já estamos. O que pra mim é sempre um pensamento de ótimo, só que não é bem isso que o nosso eu do futuro está esperando da gente. 



Completar 27 anos mudou algo em mim. Na verdade, entrei numa crise de idade que não havia tido na vida até então. Pela primeira vez comecei a achar meio ridículo não ter vivido algumas experiências a esta altura do campeonato e ter passado tantos anos gostando e fazendo as mesmas coisas. Bom, antes que você comece a concordar com essa frase minha, já vou dizer que ela é absurda. Eu sei que a sociedade nos coloca certas ansiedades e cobranças sobre como nossa vida deve ser vivida, mas as coisas não são bem assim. As nossas decisões em certos períodos podem não fazer muito sentido agora, mas era isso que você tinha naquele momento e é importante saber entender e respeitar as nossas fases.

Você já imaginou ter parado sua transformação na adolescência? Então por quê esperamos sempre ser os mesmos só porque a zona de conforto é maravilhosa? Ainda que eu esteja com dificuldades de me reconhecer nas coisas de que sempre gostei, eu sei que esses momentos de reflexão sobre a nossa identidade existem pra encontrarmos uma nova versão de nós mesmos. Pra que a gente seja um álbum novo de uma banda antiga e pra descobrir qual é o próximo sonho que vai nos mover.



Pode ser que de início não tenhamos gostado das músicas novas por buscar aquela zona de conforto que aquece o coração, só que no final é um disco pra quem a gente é agora. Nós vamos sempre carregar Fluorescent adolescent, que vai estar pronto pra quando precisarmos revisitar o passado, mas nós somos um novo alguém e com uma nova trilha sonora.



Sandy Quintans

@sandyquintans

quarta-feira, 7 de março de 2018

Quando neva em Dublin

Quando neva em Dublin
Por incrível que pareça, há uma semana estava curtindo um dia de sol muito raro por aqui e por mais que estivesse bem frio, tava uma delícia. Estava começando a ficar muito animada com o fim do inverno, depois de uma semana de tempo bom, sem muita chuva e vários dias ensolarados. A verdade é que o inverno desse ano me pegou, além de parecer que tá durando três décadas, também tá muito mais frio do quando cheguei aqui há um ano. E olha, falo isso como uma pessoa que se dá melhor com o frio do que com o calor. Por todas essas razões, eu vou ter que confessar que fiquei bem chateada com a previsão de que teríamos MUITA neve por aqui. Eu sei, esse é um sonho e uma vontade de muitos brasileiros, já que é algo muito raro pra gente e se pensarmos na quantidade de pessoas no nosso país, uma porcentagem muito pequena tem a real possibilidade de ver e brincar na neve (sim, pode começar a cantar essas musiquinha que tá aí na sua cabeça). 

Yeah, very cold

A verdade é que a Irlanda é um país frio, mas neve é uma coisa incomum por aqui. A última vez que rolou uma de verdade foi em 2010. O que é uma coisa meio curiosa, porque a gente acha que todo lugar que é frio sempre neva. Mas não necessariamente, já que aqui é um país de clima temperado, o que significa que não há drásticas mudanças de temperaturas, deixando tudo sempre estável naquele friozinho. O que consequentemente faz com que o verão não tenha aquele calorão insuportável, apesar de ficar quentinho por uns meses. Então basicamente, a média de temperatura é de uns 10 graus, sendo que no verão fica mais próximo dos 20 e no inverno tipo uns 4. É claro que o que conta mesmo é a sensação térmica, já que aqui venta bastante, além de chover (mas isso é tema pra um outro texto). 

 Então o que aconteceu pra juntar toda essa neve aí? Eu não sou especialista em nada, então vou fazer uma explicação bem básica mesmo. Tivemos uma mistura de dois fenômenos, um vindo da Sibéria que chamamos carinhosamente de Beast from the East, com uma onda de frio bem intenso que pegou vários lugares da Europa, junto com uma tempestade que se formou lá em Portugal e que apelidamos de Storm Emma. Resumo da ópera, as duas coisas se juntaram e acabou virando uma tempestade de neve. Apesar de todos os alertas, muita gente nem estava acreditando nessa história toda – já que falar que vai cair neve sempre falam, inclusive até acontece, mas é uma coisa tão pouca e que acaba tão rápido que não dá pra comparar.

Snowy bridge
Today he's not going to melt anything down
Together

Quando a gente acordou na quarta feira e abri a cortina da janela do meu quarto meu queixo quase caiu. Parecia que tinha acordado numa paisagem de cartão de Natal e o mundo inteiro estava em um branco imaculado, na coisa mais linda. Claro que eu, que tava toda ranzinza com a previsão da onda de frio, fui contagiada pelo espírito da neve e pela experiência de poder viver uma coisa tão mágica e rara (pelo menos na minha vida, né). O mais surpreendente da coisa toda é que não vivemos só esse episódio, mas foram três dias de tempestades e rajadas, que foi tornando aquela paisagem cada vez mais branca e invernal. Logo quando eu estava animada pra melhora do tempo. 

Por causa disso tudo, o país parou completamente e o governo emitiu alertas vermelhos garantindo que toda a população ficasse em casa diante das condições climáticas. Os mercados ficaram com as prateleiras vazias, porque o pessoal ficou enlouquecido estocando comida em casa. Ficou meio impossível achar pão e leite nesse país, rs. O transporte eventualmente acabou parando também e carros ficaram quase que impossibilitados de transitar. Existem dezenas de lugares muito mais frios e com condições climáticas piores que conseguem manter o país funcionando em um episódio como esse, por serem preparados pra esse tipo de clima todo ano, mas aqui é algo difícil de acontecer, deixando um lado meio caótico nisso tudo. Algumas pessoas ficaram sem energia, sem água, sem internet e por aí vai.

Snowy streets
Snowy front yard

Por sorte, aqui em casa deu tudo certo e conseguimos aproveitar um monte esses dias mágicos. Então sempre que o clima dava uma melhorada, a gente já se encapotava pra sair caminhando pela neve e reconhecer paisagens que estávamos tão acostumados de um jeito completamente diferente (e que renderam as fotos que ilustram esse post). Depois voltávamos pra casa pra tomar um banho quentinho e tomar um chocolate quente e se recuperar da friaca. 

Um episódio como esses pode até ter um lado ruim, que era no que eu pensava sempre antes dele acontecer, mas a neve tem uma mágica que acabou me contagiando e me permitiu aproveitar bastante. Até em momentos de um super vento e neve na cara como na foto abaixo, rs. Afinal, foram apenas três dias, que rendeu um descanso e novas perspectivas e experiências pro meu intercâmbio. Mas agora, que a neve começou a derreter e a perder a sua magia, pode entrar Primavera, estou te esperando.


Fotos: Vinícius Novaes

Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Lady Bird é o filme que queria ver no Oscar

Lady Bird é o filme que queria ver no Oscar
Possivelmente a primeira coisa que passa pela nossa cabeça quando falamos em cinema são histórias fantásticas, talvez de super-heróis e coisas extraordinárias. Se o assunto for indicados ao Oscar, nossa imaginação fica ainda mais pronta pra falar de grandes produções, roteiros fortes e projetos cheios de ambição. É claro que isso tudo faz parte desse universo, mas pode ser que a gente acabe esquecendo que o cinema também o espaço pra contar histórias comuns, de gente como eu e você. Esse foi o encantamento que senti quando assisti Lady Bird. De que aquela era uma história que misturava algo que gostaria de ter sido com algo que eu também era na minha adolescência.


Esse é um filmes indicado a Melhor Filme no Oscar desse ano, que nos conta a história de Lady Bird, uma adolescente que vive em Sacramento, Califórnia - e que têm uma vontade enorme de conquistar o mundo. Estamos falando daquela fase de descobertas, que a gente não sabe muito bem o que quer da vida e que estamos prontos pra colocar todos os nossos planos em prática, já que dentro da nossa cabeça o mundo está ali só esperando pra ser conquistado, mesmo que isso nos dê um medo danado. O mais lindo da coisa toda, é que esse é filme criado por mulheres, retratando a vida de uma garota. Quantas vezes vimos isso acontecer no cinema? Um longa falando de uma vida comum, sem intrigas, dramas femininos e garotas brigando por causa de garotos, conversando com meninas como nós.


Em muitos momentos eu senti uma identificação enorme com ela, pensando nos meus anos de adolescente. Eu entendia as motivações dela em querer mudar de vida, de querer conhecer o mundo. Das dificuldades financeiras, de não entender o seu lugar e o seu papel na sociedade. De questionar nossas crenças, do desajuste nas relações familiares dessa fase. Das amizades entre meninas e da incógnita entre meninos. Do peso das escolhas por não entender exatamente o que elas significam.

A verdade é que não há um grande plot por trás de Lady Bird e essa é a maior conquista o filme tem a nos oferecer. Eu acho que de alguma forma a gente pensou que não fosse permitido contar as nossas histórias, a menos que houvesse um contexto de dor, sofrimento ou superação. Afinal, é assim que é ser mulher nesse mundo: difícil. Porque até então nós nunca pudemos falar sobre o ordinário, como se a vida por si só já não fosse obstáculo suficiente e complicada pra caramba partindo apenas do básico, mesmo. Quando a gente aprendeu que histórias de mulheres deveriam ser contadas, tudo o que queríamos transmitir era a ideia de que olha, apesar de tudo isso que essa mulher viveu, ela venceu, com o intuito de inspirarmos umas as outras. E sabe, isso é muito importante, de verdade, mas a gente esqueceu todas as histórias merecem ser contadas.

Greta Gerwing e Saiorse Ronan (de quem tenho orgulho em saber pronunciar o nome) trabalhando juntas no set

Greta Gerwing, a diretora e roteirista do filme, passou anos trabalhando nessa história enquanto trabalhava em outras produções tão importantes quanto, seja atuando ou colaborando com roteiro e outros projetos por trás das câmeras. Por causa disso, ela consegue nos transmitir algo tão genuíno, tão verdadeiro, tão a gente em alguma fase da nossa vida, que não consigo apontar um momento em que pensei não estar vendo algo real. De certa forma, estamos vendo uma mulher falar sobre a vida dela também, de um ponto de vista que talvez só a gente entenda como é.

Exatamente por isso que é tão incrível ver a produção em categorias importantes no Oscar desse ano - com indicações para Melhor Filme, Roteiro Original, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção - em que Greta é a quinta mulher a ser indicada na categoria desde a primeira edição. Não que seja esperado que o longa vença, mas o reconhecimento da premiação mais importante do cinema é a grande conquista, que abre portas e traz a oportunidade de que histórias como essa continuem a ser contadas. E por tudo isso, Lady Bird era o filme que queria ver no Oscar.


Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

The end of the f***ing world e o resgate do universo indie

The end of the f***ing  world e o resgate do universo indie
Mesmo que eu seja uma defensora dos filmes, nem mesmo eu consigo negar que estamos vivendo tempos brilhantes no quesito séries. Deve ser exatamente por isso que tenho assistido tantas ultimamente. Acho que nunca antes tivemos tantas produções interessantes e temas importantes abordando coisas que, ás vezes, os longas metragens não conseguem alcançar. Em meio a tudo isso, sempre surgem produções que são mais despretensiosas que acabam aparecendo ali pra acompanhar num dia que você esteja procurando algo diferente, sabe? 


The end of the f***ing world, da Netflix, é uma dessas séries curtinhas, bem produzidas pra você assistir de uma só vez. Ela não é feita pra ser a melhor coisa que você já viu na vida e não tem a menor pretensão de ser. Acredito que, justamente, por isso é que ela se dá liberdade de tentar coisas mais incomuns, combinando um mix de indie-rock com country americano, com uma temática super estadunidense e um humor bem britânico. 

James é um garoto que tem certeza que é psicopata e ele sente que está pronto pra encarar o próximo passo, que é matar uma pessoa. Já Alyssa é uma menina que se sente incompreendida e acha o mundo o saco, o que a acaba atraindo a fazer amizade com James, a única pessoa que parece ser um pouco fora da caixinha que ela conhece. Dessa aproximação, acaba surgindo o plano de fugir juntos e viver um pouco, enquanto que pra James essa parece ser chance ideal pra matar Alyssa. 


O que eu gosto muito dessa sinopse é que é uma produção em que a gente espera que seja americana, mas como a série é britânica, dá um toque esquisito pra como ela é contada. Inclusive, essa é uma brincadeira do roteiro, tanto com a trilha sonora, com a estética da fotografia e também dos próprios diálogos. A própria Alyssa comenta que “isso não é um filme, porque se fosse, estaríamos nos Estados Unidos”. Outro ponto positivo da série fica por conta da edição que torna tudo muito dinâmico e traz um humor bem sutil para as coisas. 

Tenho uma queda por histórias que usam dos roteiros surreais pra falar de coisas muito humanas. O comportamento bizarro desses adolescentes, na verdade, é mais uma oportunidade pra falar sobre traumas e depressão. Afinal, eles não chegam até essa fase de desesperança sem algo que os levasse até esse momento, situações que vamos descobrindo ao longo dos episódios e só por fim nos faz sentir empatia por esses personagens, que nada mais são que anti-heróis. 


The end of the f***ing world é uma série pra quem gosta de humor mais dark, mas também é uma boa pedida pra aquela tarde que você tá meio entediado e afim de ver uma coisa diferente, porque no mínimo será interessante. Ah! e a série já está confirmada para a segunda temporada.



Sandy Quintans
@sandyquintans

sábado, 20 de janeiro de 2018

Como é manter um blog em 2018?

Como é manter um blog em 2018?
Houve um tempo em que a internet era cercada de blogs e cada internauta seguia pelo menos uns quatro, cinco assiduamente. E depois a gente foi tendo que se despedir desses cantinhos pouco a pouco. Eu acho que blogar sempre foi uma das minhas coisas preferidas no universo, porque acabou sendo a melhor maneira de expressar meus sentimentos e compartilhar com alguém uma coisa interessante ou até mesmo uma reflexão. 

Ilustração da Betany Baker

Vocês se lembram como o mundo era há dez anos? Sabe, eu lembro, mesmo. Nós estávamos naquele frenesi de criar a profissão que hoje a gente credita como criador de conteúdo ou influenciador, com os blogs bem famosos e vários de look do dia. Hoje, nós encaramos a noticia de que o Petiscos está se aposentando, um blog, meio portal que ajudou a gente a moldar como é trabalhar na internet. 

A verdade, verdade mesmo, é que estamos em um tempo em que manter um blog é quase que um ato de resistência enorme, porque vai indo contra a corrente de tudo que está sendo criado pra internet, afinal, nós amamos uma rede social, não é mesmo? (eu amo mesmo, apesar de ter virado o jogo total pra pequenos criadores de conteúdo). Mas ainda bem que tá cheio de gente resistindo e escrevendo e sendo relevante, a gente só precisa de uma forcinha pra chegar até eles. 

Assim como a gente também precisa fazer uma força danada pra produzir conteúdo. Assim como se concentrar em uma leitura ficou cada vez mais difícil com toda a distração que o mundo moderno nos fornece, parar pra se dedicar a criar um texto, um ensaio ou qualquer coisa que merece ser compartilhada nunca foi tão difícil – mesmo que tenhamos acesso a tecnologia nunca antes vista pra auxiliar todos os processos. 

GIF incrível da Maori Sakai
Apesar disso, nunca amei tanto o conteúdo que passamos a produzir e acho, sim, que até aqui os últimos tempos foram os melhores em qualidade pro nosso canto. O futuro do P! eu realmente não sei qual é, mas esse é de longe o projeto do qual eu me orgulho mais, não só por ser algo que concretiza a irmandade de Sandy+Helen, mas por cada aventura que tudo isso nos proporcionou e por tudo que descobrimos sermos capazes de criar. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

terça-feira, 24 de outubro de 2017

É hora de dar adeus ao certo e errado na moda

É hora de dar adeus ao certo e errado na moda
Eu tenho um ritual de todos os domingos quando chego do trabalho de assistir aos programas de TV que eu mais gosto do Brasil  (aliás, vamos deixar um agradecimento especial ao SBT e Band por manter tudo atualizado no canal deles, rs). Entre eles, sempre assisto o Esquadrão da Moda. Tenho assistido programas de transformação desde que me entendo por gente, mesmo que a ideia de alguém zombar do estilo de outra pessoas não me deixe confortável.  Mas uma coisa a gente tem que admitir, de uns tempos pra cá houve uma certa mudança de perfil no programa de algo que era meio baixaria pra algo muito mais próximo do que é a consultoria de estilo da vida real: uma ajudinha pra que você se sinta mais feliz com você mesmo, sem perder algo que faz parte da sua essência.

"Seja você, não eles" por ban.do
Tem horas que tenho a impressão de que apesar de existir essa mudança na produção do programa, quem assiste ainda está meio preso no mundo do certo e errado na moda. Por acompanhar tudo pelo Youtube, sempre passo um tempinho lendo os comentários - uma das minhas coisas preferidas na internet, tenho que admitir. Outro dia vi um pessoal criticando o cabelo da Vanessa Rozan, uma das minhas maquiadoras preferidas e referência de estilo, dizendo que tava parecendo um índio e que ela precisava dar um up no visual. É curioso que a acompanho há anos e ela se aventura muito em penteados e cortes variados, e sempre vi como algo que combina muito com ela e que é totalmente uma representação do que ela é. E a gente não pode nos esquecer que a moda está para nos servir e não o oposto. 

Outra coisa que faz parte dos meus passatempos favoritos é assistir tutoriais de maquiagem. Eu adoro! Pra mim, é prazeroso ver as pessoas se transformando, fazendo coisas legais e conversando com a câmera. Mas você sabe quantos tutoriais de maquiagem eu já fiz na minha vida? Eu te digo, zero. Eu nunca fiz um contorno, experimentei um iluminador, nem fiz algo na sobrancelha. Eu acho um saco essas tendências que colocam todo mundo numa caixa pra ter um rosto igual e padrão, quando maquiagem não só é algo pra nos fazer sentir bem, mas também pra ser divertido sabe? E nem é que eu acho feio, só que até então eu nunca vi como algo que seja eu, sabe?

Ulises, the Unicorn por Mocho Massé
Nesses tutoriais eu também me deparo muito com as meninas se justificando que preferem fazer algo de uma forma ao invés de outra, porque pessoas ficam comentando que elas se maquiam de forma errada. Ou se vestem de um jeito que elas consideram inapropriado. Ou tem um cabelo que não condiz com o padrão desejado de quem assiste. Foi no meio de tantas justificativas pra pessoas assumirem quem elas são esse texto nasceu. 

Sabe qual é o jeito certo de se vestir e de se maquiar? É o seu jeito. A forma que te representa, que te faz sentir que você é uma mulherona, que transmite quem você é e a imagem que  quer que as pessoas te vejam. Referências, consultorias de estilos, dicas de como se vestir melhor é apenas uma forma de lapidar o que há dentro de cada um de nós. A gente precisa parar de criticar as pessoas pela maneira que elas se vestem, como elas preferem deixar o cabelo ou a maquiagem. Porque não existe jeito errado. 

Selfie time por Mocho Massé

É engraçado que mesmo sem a gente perceber essa sempre foi o tema por trás do nosso blog, desde o  nome, até muitos textos que compartilhamos nos últimos anos (dá uma olhada nesse aqui, aqui e aqui também). A ideia de usar algo que faça com que você se sinta maravilhosa, sem se importar com o que as pessoas fossem dizer. Eu sei, é muito fácil falar isso, quando a realidade é bem diferente. Estamos falando de uma indústria que excluí uma porcentagem absurda de pessoas, por ser completamente direcionada pra quem tem dinheiro, pra quem é magro e dentro dos padrões aceitáveis. Ainda sim, é muito possível usar algo que nos oprime pra nos deixar mais poderosas, mais a gente mesmo e bem menos aquilo que estão dizendo ser o certo. Transmitir quem somos é termos um lugar pra ser nosso no mundo.

Por causa de tudo isso, gostaria de ver menos gente comentando nos vídeos do programa criticando que o cabelo da participante tal não ficou legal, a maquiagem não combinou com certa coisa e algo do tipo. Porque somos únicos e geralmente as transformações são meio que pensadas pra realidade de quem está ali. Adianta colocar em alguém um cabelo que exige manutenção em salão de beleza quando não for algo que a pessoa goste ou tenha condições de bancar? Ou uma maquiagem super elaborada, com direito a todos os passos das youtubers, pra quem mal tem tempo de se olhar no espelho de manhã? O mesmo serve pra influenciadores, para suas amizades, para as pessoas que trabalham com você. Vamos parar de nos aprisionar e colocar outras pessoas na mesma posição com  regras que não fazem sentido pra maioria de nós. Eu acredito muito que ser quem nós somos é um ato de resistência, e por isso, não deveríamos ter medo de resistir. 

Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Tudo que sempre quis saber sobre piercing no septo e tinha vergonha de perguntar

Tudo que sempre quis saber sobre piercing no septo e tinha vergonha de perguntar
Lá no comecinho do ano eu e a Helen resolvemos furar o septo antes da minha viagem. No meu último mês em casa, eu resolvi que iria realizar várias coisas que tinha vontade, como forma de despedida da Sandy que existia antes do intercâmbio. Claro, que nem tudo dava pra fazer por causa de dinheiro, mas foi uma época muito deliciosa. Comi tudo que tive vontade, fui em lugares que amava, restaurantes novos e furei o septo. Quando propus isso pra Helen, sabia que ela iria topar – o que foi mara, pois agora nessa fase separadas pelo oceano, ganhamos um símbolo da nossa irmandade.

Um piercing tão discreto que é até difícil de aparecer na foto
Sempre que passo por algo novo na minha vida, gosto de ter algum tipo de mudança, mesmo que pequena. Por isso, tomar a decisão foi super natural. Eu nunca fui uma pessoa que gostava de piercing, tanto é que não havia tido nenhum até agora, mas o do septo sempre foi um que paquerei. Eu tinha receio de furar por causa de trabalho, por causa da minha rinite e que fosse algo over. Sem contar que sou bem bunda mole em relação a dor, vamos ser sincero. No meio dessa minha vontade, eu tive uma inspiração enorme pela Cupcake Jemma, uma youtuber confeiteira maravilhosa que eu acompanho, porque ela tem um super discreto. Fiquei imensamente encantada com aquela joia, que me fez querer aquilo imediatamente. Ela tinha me mostrado que dava sim pra ter um furo no septo, sendo delicado e estiloso ao mesmo tempo. 

Como escolheram as joias?

Arrazani com os piercing da irmandade.

Tendo decidido isso, eu e Helen partimos para o ato em si, com a ideia de ter a menor joia que fosse possível, porque estávamos encantadas com a ideia de um piercing minimalista e que combinasse mais com o nosso momento da vida. Já de cara, soubemos que não era recomendado colocar a que a gente queria, pois a joia inteira (uma que parece um anelzinho) poderia causar um inchaço e ficar preso. Logo, partimos para a peça mais comum mesmo, a que parece um ganchinho. Ainda na ideia de descrição, decidimos por um de 8 mm, o que é bem pequeno mesmo.  Essa decisão foi muito boa, pois se tivéssemos seguido a ideia original, provavelmente teria que ter tirado o piercing do septo, já que no meu emprego aqui eu não posso usar, enquanto que o que estou agora eu posso esconder.


Hora da verdade: dói? 


A Helen foi super corajosa e resolveu encarar primeiro, o que fez com que eu quase desistisse e voltasse pra casa frustrada, rs. Quando ela saiu da salinha com os olhos cheios de lágrimas dizendo que não doía fiquei desconfiada, mas segui em frente. Basicamente, o body piercing fez toda a limpeza da região, pediu pra que eu deitasse na maca e ficasse o mais imobilizada que eu conseguisse. Ele me avisou que seria um processo um pouco mais lento que os outros piercings, porque o furo precisava ficar o mais reto possível. Quem quer um piercing no septo torto, né amigos? Não vou falar que não dói, mas é algo suportável e que você só vai realmente sentir no exato momento de fazer o furo e colocar a jóia. Eu acho que dá pra comparar com a dor de espremer espinha dentro do nariz. 

Quais são os primeiros cuidados?


Depois que eu furei, fiquei chorando involuntariamente por muito tempo, mas não senti dor nenhuma. Apenas no segundo dia foi que a região ficou um pouco sensibilizada, o que só dá pra sentir nos processos de limpeza e tudo mais, depois quase não se sente mais nada. Os primeiros cuidados consiste apenas em limpar a região com cotonete e soro fisiológico e só, é super tranquilo mesmo. É interessante ficar atento e realmente não fica mexendo, pois é uma região que tem uma cicatrização completa mais lenta que as outras partes do corpo, podendo ser de quatro meses a um ano.

Tem algum contra?


Agora, uma coisa meio inconveniente que tivemos nos primeiros meses é que tem dias que o piercing fede! Isso mesmo. É péssimo, porque é um cheiro ruim dentro do nariz, basicamente. Porém, quando acontecia isso, a gente lavava com sabonete antibacteriano que resolve o problema. É algo super comum de acontecer e já faz muitos meses que não passo mais por isso, o que acabei associando que fosse algo do período de cicatrização mesmo.  

Dá pra esconder mesmo?


Como eu disse ali em cima, sempre que vou trabalhar aqui, tenho que esconder o meu querido piercing no septo. Tinha o maior medo de não dar certo, mas agora peguei a técnica e funciona super bem, só é preciso ter alguns cuidados. A verdade é que não são todos que dá pra guardar, vamos dizer assim. Se tivéssemos colocado a joia que é inteira, não teria dado certo. Como essa é uma região mais sensível, não dá pra ficar tirando e colocando toda hora, tipo um brinco, porque a tendência pra inflamar é meio grande. Por isso que sempre que vou mexer, lavo bem as mãos e o nariz, pra não ter nenhum problema depois.

A verdade é que agora o piercing faz tão parte de mim, que tem horas que esqueço completamente dele. Até mesmo nas crises de rinites! O que já me faz pensar em novas joias e visuais. Depois que cheguei aqui na Irlanda, ele se encaixou perfeitamente na paisagem, já que muita gente tem e de tamanhos completamente variados. Alguns chegam a ser tão grandes que fico pensando na dor, será que doeu mais? Enfim, espero ter conseguido matar a curiosidade de quem pensa em fazer também. Se eu consegui, você também vai ♥.

Arte incrível que saiu daqui

Sandy Quintans
@sandyquintans

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O verão irlandês (ou como a vida pode ser ideal em Dublin)

O verão irlandês (ou como a vida pode ser ideal em Dublin)
Existe uma piadinha entre os irlandeses que diz que sabemos quando é verão na Irlanda quando a chuva começa a ficar quente. De certa forma, essa brincadeira deles tem um fundo de verdade, já que em aspectos de temperatura, dá pra comparar o inverno do sudeste brasileiro com os meses mais quentes de Dublin. E isso não é um exagero. Mas assim como na época do Saint Patrick's Day, há uma exaltação no ar que acaba nos contagiando por completo, e quando você vê, tá ali aproveitando aqueles dias mais quentinhos como se estivéssemos num sol de 40 graus.

Ganhei uma marquinha de sol desse vestido, depois que passei o dia sem esse cardigã: orgulho ♥

Quando cheguei em Dublin, lá no final de janeiro, peguei uma amostra do inverno, com vento, com frio, com chuva e com dias curtos. Acho que demorou uns quatro meses pra eu começar a viver sem as camadas de roupas e poder usar uma camiseta com uma certa tranquilidade. Assim que os dias começaram a ficar minimamente mais longos, nossa rotina mudou completamente e de alguma forma éramos inspirados pela luz do sol a aproveitar o dia. Eu havia imaginado por muito tempo como seria ter sol das 5h às 23 horas, mas quando aconteceu foi tão gradual e natural que só conseguia amar aquele pequeno milagre.

Se você perguntar aos irlandeses, eles te dirão com toda a certeza que não têm verão. Mas a verdade é que esses meses é a vida mais ideal que podemos ter por aqui. Pessoas indo e vindo o tempo todo, compartilhando experiências, usando pouca roupa, horas nos parques, nas praias, e tendo refeições do lado de fora dos restaurantes. Faz calor, mas não muito, chove, mas nem tanto. E sempre tem dezenas de eventos e coisas acontecendo ao mesmo tempo, como se a cidade estivesse pulsando vida e energia para as pessoas. Mas sabemos que é contrário. É o espírito e exaltação de cada um contagiando tudo ao redor.

Sol,calor e flores nas terras irlandesas.

E de alguma forma, quando a gente menos percebe, está lá no fundo do guarda-roupa procurando aquele shorts que você lembrou de colocar na mala, os poucos vestidos que pendurou no cabide - cética de que algum dia fosse usar. Procurando pela cidade os melhores sorvetes, quando você achou que só viveria de sopa e chocolate quente.

Agora que chegamos até a metade de agosto, dá pra dizer que o verão aqui na Irlanda começou a dar um adeus definitivo. O que começa a já dar uma saudade dos últimos três meses, mesmo naqueles momentos que não sentíamos tanta certeza de que estação do ano estávamos vivendo. Já começamos a nos sentir saudosos das caminhadas e passeios durante a noite ensolarada e das amizades de verão, de gente que passou por aqui só pra essa época especial. E apesar de iniciar uma despedida, não me sinto triste. Me sinto ansiosa pra saber o que as próximas estações nos reservam. Tomar um delicioso chocolate quente, poder ler e ver um bom filme, e começar a preparar as camadas de roupas para os dias frios.

Passeios noturnos de pernas de fora: temos por aqui.
Sandy Quintans
@sandyquintans

domingo, 23 de julho de 2017

6 canais do youtube que vão te ajudar a consumir menos

6 canais do youtube que vão te ajudar a consumir menos
Esses dias estava pensando que estamos vivendo um período que muita gente está disposta a falar sobre consumo consciente e mudanças de comportamento. Ainda bem! No Youtube, isso não é diferente. Por isso, resolvi montar um lista com alguns influenciadores que costumam compartilhar informações importantes sobre, pra você que assim como eu está tentando mudar os hábitos de compras.


É claro que cada um acaba descobrindo no processo de consumir menos, suas próprias formas de adaptação e acaba entendendo o que funciona pra você e o que não funciona pra você. Por isso, é legal procurar fontes variadas de informações, seja em canais ou em documentários (que aliás, tem uma listinha ótima pra você aqui) e textos na internet.

Marieli Mallmann


Descobri o canal da Marieli há uns dois meses e desde então tenho acompanhado sempre, porque dá um quentinho no coração. Ela fala muito sobre minimalismo e dá várias dicas de consumo no canal dela, além de sempre trazer vídeos inspiradores sobre mudança de comportamento e buscar aquilo que nós faz feliz. 



Afros e Afins


O canal da Nataly Nery é uma das principais fontes pra quem quer saber mais sobre racismo e ativismo negro. E só por isso, o canal dela já seria maravilhoso. Mas o que pouca gente nota, é que os vídeos dela também são sobre consumo, brechós e consumo consciente. Toda maravilhosa.


Stephanie Noelle


A Stephanie tem um canal cheio de assunto maravilhosos e está sempre comentando sobre novas formas de consumo. Os que eu mais gosto são aqueles que ela traz marcas nacionais e sustentáveis, mas que não perdem o lado fashion e que a gente adora. Ela tá sempre cheia de dicas boas de compras.


Thais Farage


A Thais é uma das minhas maiores inspirações de looks, cabelo e maquiagem (e acho que isso dá pra notar, né?). Mas a melhor sobre o canal dela, é que ela é consultora de moda, por isso traz muitas dicas de compras e composições de looks. Só coisa útil mesmo.


Caio Braz


Eu tinha falado sobre o canal do Caio lá na minha lista de youtubers preferidos. O que não tinha comentado lá, é que ele traz muito vídeo sobre moda e consumo que são incríveis. Ele, além de estilista, é muito ligado em tendências e comportamento, por isso sempre tem muita dica interessante. Imperdível.


Chata de Galocha


A Lu tem vídeos maravilhosos sobre tudo, mas os que mais vão te ajudar na hora de consumir melhor são os Chatômetros que ela faz. Se trata de uma série de vídeos em que ela testa produtos de maquiagens e analisa se vale a pena ou não comprar aquele produto. O que ajuda muita gente a não cair  na armadilha das tendências. Toda semana tem um review novo.

Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Consumo – Parece que não, mas dá pra economizar com o Pinterest

Consumo – Parece que não, mas dá pra economizar com o Pinterest
Eu e Helen estamos no Pinterest desde os primórdios desta linda ferramenta de inspiração (aliás, segue a gente lá, aqui e aqui). Pra quem já passava muito tempo no Tumblr e no WeHeartIt, logo se tornou algo muito útil pras nossas vidas e tem tudo a ver com os nossos interesses. Por ser um universo cheio de coisas lindas, muitas vezes acabamos construindo boards que nunca vão se concretizar, vamos ser sinceros.


Justamente por o Pinterest ser esse mundo infinito de possibilidades, muitas e muitas vezes essas ferramentas de inspiração acabam se tornando uma cilada muito grande nas nossas vidas. Em que a gente fica procurando a vida perfeita se realizar pra poder colocar os nossos planos em prática. Mesmo que a maioria desses desejos não estejam nem perto de existir. Isso vale também pro Tumblr e pro Instagram, ou seja lá onde você procura inspiração, não é mesmo?
Macacão, uma coisa que eu adoro e uso e tô sempre procurando inspirações pra looks.
Mas a verdade é, que se soubermos usar o Pinterest a nosso favor, ela pode se tornar muito útil na hora de consumir. Uma coisa que me ajudou nos decorrer dos anos, principalmente nos meus boards relacionados a moda e a DIY, é pinar coisas que são parecidas ou iguais as coisas que eu já tenho. Se a ideia aqui é buscar inspiração, por que não buscar naquilo que existe ao invés de sempre pensarmos em compras?

Sabe quando você olha pra um peça que tá parada  no seu guarda-roupa e não sabe muito bem o que fazer com ela? Ou quando você já a usou tantas vezes que acabou perdendo o brilho? Então, nessas horas o Pinterest pode ser um aliado incrível, pra gente testar novas ideias e dar uma cara nova pra aquela roupa que já não é mais a mesma faz tempo.
Apaixonada pela minha bomber jacket, saí procurando jeitos diferentes de usa-la ainda mais sem enjoar.

Outra coisa super maravilhosa que o Pinterest lançou há um tempo, e que ajuda muito, é o botãozinho "Experimentar" nos pins. Isso pode servir de metas pra sua vida, ver quantas coisas que você salvou como inspiração e realmente usou. Também é uma forma de entender o que funciona e o que não está funcionando pra tornar os seus boards cada vez mais realistas com o que você é e tem.

Isso também vale pra inspirações pra decoração e cabelo. Por que pinar coisas pra sua casa que são incrivelmente irrealistas? Ou manter no seu board de cabelos, tipos completamente diferentes do seu ou das suas habilidades pra fazer penteados? Pensa no seu dia-a-dia, na sua rotina, nos seus planos e veja se aquela é realmente a melhor ideia pra deixar salvo ali ou se vai ser só volume nas suas pastas.
Tô usando muita meia alta MESMO e esses pins me mostraram várias possibilidades de usar com meu Adidas Supersar.

Pro Pinterest se tornar uma ferramenta de inspiração de verdade nesses anos, essa foi a maior lição que aprendi. Colocar as coisas que acho incríveis em caixinhas de possibilidades, com peças que não só me representam, mas também cabem dentro da minha realidade financeira. É possível sim fazer bonito com pouco dinheiro ou com um pouquinho de paciência.

Sandy Quintans
@sandyquintans

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Consumo – As compras do meu intercâmbio

Consumo – As compras do meu intercâmbio
É claro que a necessidade e a mudança de vida impactaram muito na minha forma de comprar, mas a verdade é que antes de embarcar pra Irlanda já estava pensando em consumo de forma diferente. Grande parte dos meus gastos financeiros desde os primeiros salários da minha vida sempre foi em roupas e em comida e já fazia um bom tempo que meus olhos pararam de brilhar em várias lojas que costumava gostar. A maioria das coleções já não me representava mais. 
Eu e minha capinha de chuva sendo muito plenas em Dublin.
Quando cheguei aqui só com uma mala, inevitavelmente eu tive que comprar algumas coisas, como um casaco que fosse mais apropriado pra pegar chuva, vento e me manter aquecida. Mas tudo que comprei até hoje, nesses meus cinco meses de intercâmbio, sempre foram peças que realmente gostei e que fossem fazer sentido dentro do meu, agora, pequeno guarda-roupa. 

O maior objetivo de vida – mesmo com as coisas sendo mais baratas aqui – se tornou: barganhar.  Então, basicamente quando eu vejo uma plaquinha de “Sale”, já entro e realmente penso se aquelas peças estão com um super desconto e nas possibilidades daquilo com as roupas que eu já tenho. Consigo montar pelo menos cinco looks com isso? É útil? E assim vai. 

Aquele cardigã velho de guerra pra qualquer ocasião e temperatura: basta construir camadas
Considero que comprei uma boa quantia de roupas por bem pouco dinheiro. Não vou negar que o fato das coisas serem mais baratas aqui me ajuda muito na hora de economizar e infelizmente, ainda continuo consumindo mais em lojas de departamento, que sabemos que trabalham com preços irrisórios. Mas, a questão é que ainda é algo muito elitizado consumir de produções justas e de marcas menores, mesmo que hoje seja possível ter acesso a muitos bazares e brechós online (o que já ajuda muito a mudar esse cenário de compras). 

Basicamente, desde que cheguei aqui comprei um casaco marrom (pra chuva, vento e dias mais frios), uma bomber jacket rosa maravilhosa, um cardigã marrom super quentinho e versátil, uma capa de chuva pra dias mais quentes (não vamos esquecer que aqui chove em 70% dos dias, de acordo comigo mesma) e várias toucas e cachecóis pra dar uma variada nos looks. Também comprei um macacão, dois pares de jeans e um Adidas Superstar por uma barganha (porque sou dessas que ama economizar). 

Um casaco para os dias frios e chuvoso: frio não passo não.
O que eu percebi com essa experiência de economia (não por opção, mas por necessidade) é que grande parte das vezes que a gente compra uma peça nova é por falta de inspiração. Geralmente, temos tudo o que precisamos dentro do nosso armário, mas quando surge algum evento ou algo diferente pra fazer, nosso primeiro pensamento acaba se resumindo a compras. Então, da próxima vez que entrar numa loja pra comprar algo, não se esqueça de se perguntar se realmente precisa daquilo.

Todas as fotos: Vinícius Novaes.

Sandy Quintans
@sandyquintans

terça-feira, 18 de abril de 2017

O final de Girls e uma história sobre amadurecimento

O final de Girls e uma história sobre amadurecimento
Eu lembro perfeitamente quando estava escrevendo um texto recomendando Girls, da HBO, aqui no blog, lá em 2013, quando vivíamos a segunda temporada. No último domingo (16) chegou o dia de dizer adeus pra série, depois de seis temporadas de muita loucura. Mas não estávamos prontos pra isso. O curioso foi que várias vezes ao longo dessa jornada eu pude imaginar que ali poderia ser um final, mas quando ele aconteceu eu não me senti pronta.


Essa é a coisa mais legal que Girls nos deu nesses últimos anos: aquilo que você não quer. Não é uma série que vai entregar o caminho mais fácil e por muitas vezes a vida de Hannah, Marnie, Jessa e Shoshana beira o surrealismo. Mas no final nós entendemos que a história dessas mulheres era uma sobre amadurecimento, o que não é fácil e nem simples. Nunca foi a pretensão de Lena Dunham entregar algo que fosse óbvio, mas sim o de contar a louca jornada é que pertencer a essa geração e esse sentimento de que estamos todos perdidos, por saber que podemos fazer muito mais do que os nossos pais puderam. E isso também foi o que plantou o sentimento da dúvida: que legal que temos a oportunidade de fazer tudo isso, mas o que eu faço agora?


Eu também escrevi que Girls não é uma série pra todo e acho que não é nada que ninguém tenha a obrigação de assistir ou gostar (não vai mudar a sua vida). E acho que todas as críticas que recebeu ao longo desses anos é completamente válida, como por exemplo, por ser uma história de feminismo branco. Além disso, as personagens são difíceis de digerir e vira e mexe você aprende a lidar com o ódio em relação a uma pessoa diferente na história. Não é uma jornada tranquila. Eu mesma confesso: quis abandonar por diversas vezes e sempre me perguntava qual a razão pra encarar a bizarrice que ela pode ter algumas vezes. Porém, Girls abriu portas pra diversas discussões e pra produções que tinham o propósito de sair do lugar comum. Além de ser mais uma oportunidade pra falar sobre as nossas histórias, as das mulheres.

O curioso foi que quando a série estava em seus primeiros passos, comparávamos com uma versão moderna de Sex And The City e hoje essa afirmação nunca esteve tão longe da verdade. No início, o que era uma coisa meio comédia da vida pós-faculdade, tem uma mudança incrível de perfil da história na terceira temporada e um auge na quarta – seguida por questões importantes na quinta e sexta – foi quando eu comecei a realmente entender a razão da importância da série.


Girls veio nessas últimas seis temporadas propor a liberdade e quebrar ideias pré-concebidas de amor e amizade que queríamos carregar quando aquilo já não fazia mais sentido. É sobre aceitação e a ideia de que as coisas não são do que jeito que nós queremos, vamos aprender a lidar com esse fato. E a melhor mensagem de todos: estamos todos meio que sem saber o que fazer com as nossas vidas, porque a vida adulta é o maior conto de fadas que nos contam na infância, mas não há nenhum problema em tentar descobrir a resposta pra essa pergunta. Mesmo que algumas vezes a gente tenha que desistir de algumas coisas. 

E agora que entendemos tudo isso, pode ser que tenha sido um bom momento pra dizer adeus pra Hannah Horvath. 


Sandy Quintans
@sandyquintans

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Precisamos falar sobre 13 Reasons Why

Precisamos falar sobre 13 Reasons Why
Não, a Netflix não me pagou pra escrever esse texto. Mas esse final de semana eu peguei uma gripe daquelas bem tensas e por isso fiquei em casa aproveitando minha assinatura e cai em "13 Reasons Why". Eu não sei como comecei a assistir a série, mas o que parecia uma história adolescente ia ganhando uma importância maior a cada episódio e percebi que algo relevante estava acontecendo ali, porque não se tratava de algo que era “apenas legal”, como Stranger Things (que amo), mas algo significante e necessário. Depois de conversar com a Helen sobre essa loucura de dois dias nas nossas vidas, resolvemos que queríamos falar sobre isso aqui no P!.


A série é sobre a Hannah Baker, uma adolescente comum dos Estados Unidos que decide cometer suicídio. Mas antes, ela resolve gravar treze fitas citando motivos e envolvendo pessoas que a levaram se sentir na obrigação de tirar a própria vida.  Em cada episódio, nós conhecemos um novo personagem e qual é a história por trás daquilo. A princípio cada pessoa que entra na soma acaba sendo um estereótipo daqueles de escolas americanas, que envolvem atletas, líderes de torcida e populares em geral, mas no desenrolar da coisa cada personagem ganha profundidade e acabam representando comportamentos que todos nós cometemos na sociedade, quase sempre sem perceber. Principalmente, se estivermos falando de distúrbios emocionais. 

Ainda existem pessoas que acreditam e que colocam esses problemas como frescura ou fraqueza, quando é algo grave que precisa de tratamento e acompanhamento – e isso é algo bastante discutindo na série. Há diversos comportamentos que continuamos reproduzindo, mesmo quando algo não faz o menor sentido, e como a Helen bem lembrou, acabamos minimizamos os sentimentos alheios. Não é por que você não sente determinada coisa que deve presumir que outra pessoa se sinta da mesma forma. É pra isso que sentimos empatia, pra nos colocar no lugar do outro e tentar entender.


Outra questão importantíssima colocada na série é a do machismo. Em diversos momentos do desenvolvimento da história são colocadas situações que mostram como as coisas são piores para as mulheres e como ainda continuamos culpando vítimas, apesar de todas as discussões. Acho que todos os episódios é um retrato tão verdadeiro de coisas que acontecem o tempo todo, que chega a ser um tapa na cara em nós como sociedade. 

Também é um reflexo interessante, por não colocar as pessoas como boas ou más, mas apenas como pessoas, que erram, que sofrem, que cometem coisas ruins, que causam coisas boas, com intenção ou sem. A questão toda levantada pela série (juro que não estou te dando spoilers) é que independente de quem somos, o que nos diferencia uns dos outros são as decisões que tomamos e como isso pode fazer diferença na vida de alguém. Inclusive, não fazer nada também pode tornar as coisas pior, simplesmente por recursarmos escutar algo importante ou algo sutil. 


Depois que a série foi lançada, as pessoas criaram uma campanha espontânea no twitter na hashtag #nãosejaumporquê pra falar sobre prevenção de suicídio e coisas que todos nós podemos fazer pra ajudar alguém. Depressão não é frescura. Bullying não é drama. Julgar alguém é inaceitável. Não vou dizer que vai ser fácil, mas assistam "13 Reasons Why"(e se quiserem também há o livro que inspirou a série, escrito por Jay Asher). É aquele tipo de história que vai te fazer remoer o que aconteceu, porque no fim a gente percebe que a Hannah é alguém que a gente conhece, alguém próximo, e que pode estar precisando de você.




Sandy Quintans
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sexta-feira, 31 de março de 2017

Os casais mais tristes do cinema, por Alejandro Giraldo

Os casais mais tristes do cinema, por Alejandro Giraldo
Quando encontrei essas ilustrações maravilhosas do Alejandro Giraldo no Pinterest percebi que sou aficionada por casais tristes no cinema, porque a grande maioria deles faziam parte da lista dos meus filmes preferidos. Foi por meio desse projeto pessoal do artista que descobri outros trabalhos incríveis que ele montou e estou cada vez mais apaixonada por todos. Fiquei mais animada ainda quando descobri que ele era de Medellín, Colombia, porque é maravilhoso encontrar artistas aqui da nossa área (ainda mais um que nos entende tão bem, né?)


Pra quem quiser conhecer mais sobre ele, ou comprar alguma das maravilhosas ilustrações do Alejandro, é só acessar o site dele aqui. 


Sandy Quintans
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