quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Joana leu: Cidades de Papel, de John Green

Joana leu: Cidades de Papel, de John Green
Cidades de Papel
John Green
editora Intrínseca
361 páginas
"Quentin nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spielgelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola enquanto ele é só mais um dos nerds de sua turma. Certa noite, Margo invade a casa de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o  a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude e Margo decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte. Quando descobre que o paradeiro dela é um mistério, Quentin encontra pistas deixadas pela garota e começa a segui-las, numa busca que lhe proporciona tanto se descobrir quanto conhecer a verdadeira Margo, bem diferente daquele que ele idealizou a vida toda."

Quentin é um nerd típico, que tem um grupo de amigos diminuto e que prefere passar seus dias jogando video game a participar da cerimônia de formatura do colégio. Seus pais são psicólogos e, como diz o ditado, em casa de ferreiro o espeto é de pau, ou seja, eles acreditam que sabem exatamente o que se passa na cabeça do filho, mas ele não pensa assim. Enquanto os outros jovens da sua idade já têm seus carros, Quentin compartilha com sua mãe o uso de uma minivan. E ele é apaixonado, desde pequeno, por sua vizinha Margo Roth Spielgelman. Eles eram muito amigos quando crianças, mas depois de encontrarem um homem morto no meio do parque que costumavam frequentar, ela nunca mais falou com ele, apesar de ainda estudarem na mesma escola.

Numa noite como outra qualquer, Q está em seu quarto e Margo aparece na janela, toda vestida de preto, com o rosto pintado na mesma cor, dizendo que precisa da ajuda dele para executar um plano. Ela quer que ele pegue o carro da mãe e saia com ela noite afora para se vingar de algumas pessoas que se diziam suas amigas, pregando algumas peças neles.

Durante essa noite, Quentin vê sua paixão por ela aumentar, mas não consegue se declarar nem tentar nada, com medo de ser repelido. Ele sente que estão voltando a ser próximos como antes, e se enche de esperanças para o dia seguinte, acreditando que, depois de passarem a noite toda rodando de um lado para outro de carro e se divertindo com as armações de Margo, a menina vai tratá-lo como amigo quando se encontrarem na escola e que voltarão a ser como na infância. Então, para surpresa de Quentin, ela não aparece no colégio.

Ele continua esperando pelo encontro com Margo, mas ela some durante vários dias, deixando seus pais muito nervosos. Como não era a primeira vez que a menina sumia de casa repentinamente, os amigos achavam que era apenas mais uma de suas viagens malucas e que logo ela voltaria cheia de histórias para contar, como sempre fazia. Os dias vão se passando e Margo não aparece nem dá notícias. Quentin começa a ficar preocupado e, numa conversa com os pais da amiga, ele descobre que ela costuma deixar algumas pistas estranhas quando desaparece, com dicas enigmáticas do lugar onde ela está.

A partir daí Quentin começa a procurar por possíveis pistas deixadas por Margo para tentar localizar seu paradeiro e trazê-la de volta para casa, para que a vida deles seja como antes. Ele vai juntando pequenas peças e desvendando enigmas que parecem ter sido pensados especialmente para ele, como se Margo esperasse que ele a encontrasse.

Quanto mais perto a formatura vai ficando, mais seus amigos direcionam sua atenção para a festa e vão deixando Q sozinho com o desaparecimento de Margo e suas pistas misteriosas, mas ele não desiste até que um dia ele consegue entender o que Margo quis dizer quando falou, na noite em que saíram juntos, sobre as pessoas serem apenas pessoas de papel, vivendo numa cidade de papel, e assim ele consegue direcionar seus esforços para buscar o esconderijo da amiga.

A expectativa por um livro de John Green é sempre boa, e até agora ele tem correspondido. Aqui em "Cidades de Papel" ele usa o desaparecimento da personagem Margo Roth Spielgelman  (o nome dela é quase sempre dito assim por Quentin, inteiro) para expor sua verdadeira personalidade, aquela que a garota em geral não mostra para as pessoas a seu redor, talvez por medo de não ser aceita, e vai fazendo isso aos poucos, conforme Q encontra as pistas deixadas por ela, que também vão servindo para o próprio Quentin se descobrir.

O foco principal desse livro é o autoconhecimento, o entendimento que o personagem Quentin vai formando ao longo da narrativa, e as descobertas que ele faz de si mesmo. Ao mesmo tempo em que vai encontrando forças que ele nem sabia possuir, ele vence seus próprios medos apenas para tentar ver mais uma vez a garota que gosta. Ele sabe que vai precisar de muita coragem para encontrar Margo, que a certa altura ele já acredita estar morta, e isso o faz sofrer muito. Mas esse sofrimento dá combustível para que ele se esforce ainda mais na resolução dos mistérios deixados por ela.

Como nos outros livros de John, aqui os personagens são bem construídos e têm uma psique forte: Quentin e Margo mostram defeitos e qualidades típicos de pessoas da sua idade e com pensamentos próprios de adolescentes que passam por tantas mudanças. Os personagens secundários também têm participação importante na construção da narrativa, e esse é outro traço marcante nas obra do autor, que sempre cria pelo menos um amigo para o protagonista, lhe dando base para desenvolver bons diálogos e situações que refletem o cotidiano dos leitores. Não faltam momentos engraçados e situações cômicas entre os amigos enquanto tentam localizar Margo.

Eu sou fã de John Green e posso ser suspeita para falar, ainda assim, recomendo muito o livro, que, apesar de ter como pano de fundo um pequeno drama adolescente, mais uma vez ele consegue nos fazer refletir sobre como conduzimos nossa vida, sobre autoconhecimento e determinação para conquistar o que queremos. Com uma escrita bem simples, John consegue deixar quase poética a mensagem que quer passar: viva, siga seus instintos, realize seus sonhos e não perca tempo com aparências ou se preocupando com o que outras pessoas podem pensar de você. Assim como Quentin e Margo, podemos encontrar vários obstáculos na vida, mas mesmo cheia de dificuldades, ela é mais simples do que imaginamos.

Joana Masen
@joana_masen

sábado, 26 de outubro de 2013

As Melissas da Helen

As Melissas da Helen
Coleciono Melisssas há alguns anos e sempre preferi os modelos e as cores mais extravagantes. Já há algum tempo que eu e a Sandy planejamos mostrar minha coleção no blog. Primeiro pensamos em fazer vários looks, depois descartamos essa ideia porque não somos do tipo que gosta de ficar se montando pra mostrar aqui. Já tentamos, mas nunca conseguimos dar continuidade ( Temos tempo pra isso não, fia! ). Então veio a ideia do video, seguindo o estilo do  footbook da Melissa.  Nos divertimos gravando e espero que vocês gostem. Algumas Melissas ficaram de fora porque era muito sapato pra pouca música... ( sou metida haha! ).

Helen Quintans
@helenquintans

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Joana leu: Os Insones, de Tony Bellotto

Joana leu: Os Insones, de Tony Bellotto
"Os Insones"
Tony Bellotto
editora Cia das Letras
237 páginas
"Numa cidade onde a violência, além de dominar os morros e ditar as regras de comportamento, conquista os corações e mentes dos jovens, os insones se multiplicam. Neste livro, todos estão sujeitos a uma brutal ansiedade, a começar pelo pai apavorado com o sumiço da filha e torturado por dores na coluna, até o aparentemente sereno jovem decidido a mudar o mundo na marra, passando por traficantes encurralados, agentes infiltrados e policias vivendo sobre tensão constante."

Em mais um romance emocionante, Tony Bellotto confirma sua facilidade em escrever estórias sobre as coisas mais cotidianas e com elas prender o leitor até o ponto final. Aqui conhecemos um grupo de jovens, determinados a mudar o mundo, cada um à sua maneira, e alguns adultos consternados e entregues à mesmice de suas vidas. Samora é um garoto negro, mora no Leblon e quer fazer uma grande revolução, como se fosse um Robin Hood moderno, redistribuindo renda e cuidando daqueles que mais precisam; Sofia é branca, mora em Ipanema, saiu de casa e nunca mais foi vista, para desespero de seu pai, Renato, um publicitário frustrado, já no segundo casamento e com dores terríveis nas costas. Seu outro filho, Felipe, é um adolescente tentando encontrar sua própria identidade e que coleciona asmas escondido dos pais. Mara Maluca, meio mulata, meio índia, é a atual chefe do morro e não tem nenhum sangue-frio, sendo capaz de cometer as maiores atrocidades contra quem cruzar seu caminho.

Todos os personagens têm em comum uma certa urgência, querem viver agora, querem realizar seus sonhos e seus ideais hoje. Desde o pai, Renato, que se descobre um homem vazio e sem ambições enquanto tenta encontrar a filha desaparecida, até a moradora do morro Chayenne, aspirante a atriz e que tem como característica marcante suas unhas pintadas de vermelho e preto. Todo mundo está tentando dar algum sentido real a sua vida.

O mais legal nesse livro é o ritmo que Tony imprimiu à história, usando sempre parágrafos breves, cheios de significados, e que vão carregando o leitor para uma trama alucinante. Ao terminar um desses fragmentos, o leitor é praticamente compelido a passar para o seguinte, sem pausas para respirar ou tomar uma água, totalmente envolvido pela inteligência dos personagens e suas atitudes extremas, como quando Samora invade a casa de câmbio do pai de um ex-colega de colégio, rouba uma fortuna e sai jogando parte do dinheiro na rua, sob o pretexto de distribuir renda para quem realmente precisa.

Diante do ideal revolucionário de Samora, a patricinha Sofia não se contém e segue junto a fim de concretizar seus planos revolucionários: ela foge de casa e vai viver com ele, no morro. Enquanto isso, sua família e a polícia do Rio de Janeiro estão loucos atrás dela, tentando resgatar o casal com vida. Mas eles estão sob a proteção da traficante Mara Maluca, que, para aceitar Samora em seu grupo, o fez passar por um terrível ritual de inicialização, atirando na cabeça de um homem acusado de estupro. É assim que as coisas são resolvidas ali, a ferro e fogo.

Não há como parar de ler esse livro antes do final. Como ele é contado em partes, cada parágrafo fala um pouco da história de um personagem, e eles vão sendo intercalados, o leitor não consegue sair de dentro da estória, e quer passar para o próximo e depois o próximo e depois o próximo, tentando dar um desfecho para a saga de seu personagem favorito (ou não).

Trechos como o que Renato recebe a massagista no quarto do hotel e estende a mão para cumprimentá-la   e ela não retribui o gesto dão um toque de humor leve e que quebra um pouco toda a tensão do enredo, deixando o clima mais agradável.

Sou fã do autor, e portanto, suspeita para fazer elogios muito intensos, mas posso dizer que esse foi o melhor livro dele que já li. É bem diferente da série "Bellini", e só me fez gostar ainda mais do seu estilo, misturando romance com a trama policial e trazendo tudo isso para a nossa realidade. As entrelinhas desse livro são cheias de significado, e fazem algumas críticas à nossa sociedade tão violenta.

Para finalizar, ouvi alguém dizer uma vez em alguma entrevista que toda obra traz pelo menos um traço do seu autor, e passei a pensar sempre nisso quando escrevia alguma coisa, tentando ver algum indicio de pessoalidade nos meus escritos. Nesse romance, Tony presenteou o personagem Renato com uma hérnia de disco que lhe causa dores insuportáveis, e não seria totalmente errado afirmar que ele o fez inspirado por suas próprias dores que, como ele mesmo definiu uma vez, são efeitos colaterais de todos esses anos carregando uma guitarra nas costas. 

Leitura indispensável para quem quer prestigiar os autores brasileiros, para os fãs de Tony e para quem curte um bom romance/policial.

Joana Masen
@joana_masen

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Toda alma é uma música que toca.

Toda alma é uma música que toca.
Minha cabeça anda cheia de ideias e a cada dia tenho sentido mais prazer em fotografar. O Pedro tem 9 anos e adora música. Faz aula de canto e estudamos acordeon na mesma escola. Ele é super inteligente e foi um excelente modelo. Ficou quietinho enquanto eu o arrumava, segurava a pose na hora da foto e nem reclamou da gravata borboleta...rs...rs... Nos divertimos muito andando pelas ruas do bairro com minha câmera e seus instrumentos a tira colo. O resultado foi essa overdose de fofura. Espero que gostem.

E pra elevar o nível de fofura desse post, dá um play e curta o Pedro cantando Gilberto Gil.
Helen Quintans
@helenquintans
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